Categoria de base: a Ponte Preta que deu certo em 2017

Segunda força entre os clubes do estado na disputa do Paulistão de divisões de base em 2017, a Ponte Preta conquistou classificação para as finais de duas categorias: sub-17 e sub-20 e, em ambas, enfrentará o Palmeiras nas decisões. O Alviverde da capital também está nas finais em todas as outras três categorias. Pelo sub-17, a Macaca perdeu o jogo de ida por 2 a 1, em Itu, e busca reverter o resultado no Majestoso, sábado (25), às 11h. O sub-20, por sua vez, manda o primeiro jogo da final também neste sábado, às 18h, no Municipal Décio Vitta, em Americana.


Nas demais competições do Paulistão, o sub-15 parou no Santos na fase de quartas de final. No sub-13, a Macaquinha ficou nas semi contra o Corinthians. Já o sub-11 caiu para o próprio Palmeiras, adversário do sábado, também nas quartas. Ou seja, um trabalho sólido em todas as divisões.


Para o treinador do sub-20, Leandro Zago, em entrevista ao blog #MacacaNaESPN, os objetivos atingidos não vieram ao acaso. “Foi algo planejado. Um desempenho assim não acontece esporadicamente. É resultado de uma mudança de visão da base e começou com uma reformulação lá em 2015”, explica. Zago chegou à Macaca em 2016. “São praticamente dois anos participando do processo, hoje a Ponte tem uma ideia do que quer, o perfil de atleta que é selecionado, a qualidade dos treinamentos e a estrutura ideal”, elogiou o treinador.


Reprodução/Facebook
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Leandro Zago, treinador do sub-20 da Ponte Preta


A Ponte Preta sempre teve sua força reconhecida nas categorias de base do Brasil. Revelando atletas de seleção brasileira desde seus primórdios como clube de futebol, a Macaca é bi-campeã do maior torneio de juniores do país, a Copa São Paulo de Futebol Júnior (em 1981 e 1982) e soma outros cinco vice-campeonatos. Porém, o último grande time de pontepretanos na competição e nas categorias de base da Macaca chegou à final em 1998, derrotado pelo Internacional de Porto Algre, nos pênaltis, no Estádio do Morumbi. Lá se vão quase 20 anos de ostracismo da base alvinegra.


É bem verdade que sucesso na formação de atletas não pode ser medido apenas em títulos conquistados ou grandes times que disputaram fortemente os torneios de juniors. Entretanto, se analisarmos o que realmente é de se valorizar, justamente as joias polidas nos campos alvinegros desde cedo, o resultado recente também não é nada animador. Torcedor, quem você se lembra ter sido o último atleta da base pontepretana a alçar altos voos no futebol nacional e internacional? Talvez o mais lembrado seja Luís Fabiano. E sua despedida da Macaca data também de quase 20 anos atrás, em 1999. O atacante estava, inclusive, no elenco vice-campeão da Copinha em 98.


Desde então, a Alvinegra se especializou em produzir “quase-craques” que, na verdade, não passaram de promessas furadas. Nomes como Tinga, Alef, Matheus Jesus, Leandrinho, Ravanelli e o próprio Jefferson, no elenco atual, tiveram passagem pelas seleções de base e subiram para o profissional da Macaca com pompa. Nenhum – e com ênfase nessa palavra – vingou e trouxe ao campo algo de construtivo para a Ponte. E a maioria deles, hoje, estão sumidos do mapa. Em pequenos clubes europeus ou, no caso de Tinga, no CRB de Alagoas.


Onde estaria o erro de quase duas décadas de ineficiência? Na seleção dos potenciais atletas, na formação dos jogadores desde os primeiros passos com a bola, na maturação deles nas de base ou na transição ao profissional?


Divulgação/Ponte Preta
Divulgação/Ponte Preta

Time sub-20 postado no Majestoso


O blog também entrevistou o coordenador geral das divisões de base da Ponte Preta, Kiko Albuquerque. Apesar de ter iniciado no trabalho apenas esse ano, Kiko rasgou elogios e reforçou o que Zago frisou como importante: o projeto de reformulação do clube 3 anos atrás. “A metodologia do clube foi traçada pelas mãos do diretor das categorias de base, o Francisco Alvarenga, com grande apoio do Rodrigo Leitão, coordenador técnico, com um investimento e foco da diretoria executiva. Hoje a Ponte tem uma infraestrutura humilde, mas completamente adequada, funcional e operacional no Recanto da Macaca, em Jaguariúna. Oferecemos aos nossos meninos um departamento psicossocial, odontologia e muito mais a todas às categorias desde sub-11 até o sub-20. Estamos investindo, buscando os incentivos federais e estaduais, tudo isso visando a excelência”, conta.


Divulgação/Ponte Preta
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Molecada do sub-17 participou de entrega de cestas básicas com a Assistente Social do clube, Viviane


O projeto, segundo Kiko, busca voltar aos tempos áureos de uma Ponte Preta reconhecida nacionalmente como celeiro de atletas, como na década de 70 e 80. “É ter um cuidado maior em interagir a base com o profissional, com a transição para o time principal, com o amadurecimento dos garotos. No elenco de cima temos o goleiro Ivan, lateral Emerson, o atacante Felipe Saraiva. O trabalho voltou. No futuro próximo, esperamos ter entre 50% e 60% do elenco profissional vindos da base do clube, feitos em casa”, destaca.


Sobre o aliciamento de jovens e procura de clubes grandes em atletas da Macaca, o coordenador justificou dizendo que a Alvinegra ainda é reconhecida como uma Universidade do Futebol, dentro e fora do país. “Trabalhamos dentro da nossa realidade e do nosso orçamento, porém, às vezes, a Ponte acaba precisando fazer negócios”, assume Kiko, lembrando que o técnico do sub-17, Paulo Ricardo, deixou a Alvinegra no meio do ano para assumir o sub-15 do Corinthians. 


Divulgação/Ponte Preta
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Time sub-17 da Ponte Preta perfilado no gramado 


A esperança agora é que esse sopro de resultados em 2017 gere frutos ao clube num futuro próximo, já que as categorias bem sucedidas no ano, pela idade da maioria, já podem fornecer jogadores ao time de cima. Aliás, já estão no processo.


Durante o Paulistão, dois dos destaques do elenco sub-20, o zagueiro Reynaldo e o centroavante Yuri, que fizeram boa Copa São Paulo em janeiro – apesar da desclassificação prematura, nas oitavas de final, para o Batatais, nos pênaltis -, estavam no grupo vice-campeão paulista com Pottker e cia.


Yuri, inclusive, fez um gol importante, o seu primeiro como profissional, na vitória suada da Ponte Preta por 1 a 0, contra o São Bento, em Sorocaba, que sacramentou a classificação da Nega Veia às quartas do estadual. Reynaldo atuava improvisado na lateral-esquerda e, convenhamos, foi melhor do que muitos dos contratados pelo departamento de futebol para a posição neste ano.


Gazeta Press
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Centroavante Yuri teve oportunidades no profissional, mas voltou para a base


Curiosamente, os dois sumiram do elenco na disputa do Brasileirão. Yuri chegou a ser relacionado em algumas partidas, mas perdeu espaço e voltou para a base, onde tem desempenho impecável. É o artilheiro da competição com absurdos 27 gols marcados no ano.


Praticamente um nome incontestável dentro da Ponte, o treinador Leandro Zago preferiu valorizar toda a sua equipe e a força tática do time, em vez de destacar atletas individualmente. “Trabalho junto com esse grupo há dois anos e a nossa ideia coletiva é única, bastante consolidada. Com um coletivo sólido, podemos não ser um time que tenha sempre a posse da bola, mas é ofensivo e chega com muita velocidade”, explica. 


Sobre o seu próprio futuro, o técnico foi tranquilo e se declarou paciente na busca de um espaço dentro do futebol profissional, dentro ou fora da Ponte: “Nesse momento estou como treinador sub-20 da Ponte Preta, então meu objetivo é ser o melhor sub-20 do Brasil. Óbvio que almejo estar no profissional, porém em algo que seja sério, não uma aventura. Estou feliz com meu cargo atual, feliz na Macaca e continuaria por um bom tempo aqui. Mas, sem pressa, tenho desejo de chegar ao profissional”, afirma.


Por parte do elenco sub-17 fica a grande promessa da Ponte Preta atualmente. Assim como Yuri, o também centroavante John Kléber é lider da artilharia de sua categoria, com 28 gols. É badalado, tem patrocínio esportivo com a Puma e até empresário estrangeiro. Algumas rodadas atrás, com a lesão de Léo Gamalho, foi relacionado pela primeira vez no time de cima pelo técnico Eduardo Baptista. Entrou no segundo tempo da partida contra o Bahia, em Salvador, e, em uma infelicidade, se machucou sozinho. Rompeu ligamento de um dos joelhos e deve ficar mais de 6 meses de molho.


Reprodução Facebook
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John Kleber sofreu fatalidade em sua primeira partida pelo profissional


Como já citado, muitas vezes o título é deixado de lado nas categorias de base para que o foco se mantenha na formação dos atletas. Porém, numa agramiação tão carente em conquistas como a Ponte Preta, é de suma importância que, desde a base, se crie um DNA vencedor nos garotos.


Apesar do número de atletas da base no elenco atual ter aumentado em relação aos anteriores, falta um melhor aproveitamento. Ainda mais quando o trabalho se mostra sólido como esse nos gramados alvinegros de Jaguariúna. Muito melhor do que contratar 30 jogadores fracos e sem nenhuma identificação com o clube.


A Macaca já conhece seu grupo na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2018. Ficou na sede da cidade de Franca, no grupo 9, com Francana, Araxá-MG e Chapecoense-SC.


Colaborou: Pedro Orioli, Rádio Central AM Campinas