Nada de feliz 2018: ano promete ser difícil na Ponte Preta

Depois de um breve período sabático quase que obrigatório a todo pontepretano que se preze, por conta de um 2017 de tirar até monge budista do sério, o blog #MacacaNaESPN volta às atividades neste post e, infelizmente, não se vê capaz de desejar um feliz ano novo ao torcedor alvinegro. Pelo que se desenha nos primeiros dias da nova temporada, 2018 promete ser tão sofrido quanto o ano anterior em Moisés Lucarelli.


A primeira notícia concreta sobre o futuro da Macaca pós-rebaixamento veio a público ainda nos últimos dias do ano passado. A manutenção de Eduardo Baptista como treinador e Gustavo Bueno na gerência de futebol dividiu opiniões entre torcida e comentaristas.


Por mais que tenha suas qualidades reconhecidas em Campinas, Eduardo teve participação direta na péssima campanha da Alvinegra no Brasileirão e numa reta final desastrosa. Na diretoria, Gustavo já tem uma relação bem mais desgastada com o torcedor, mas nesse setor não se havia muita esperança de mudança com a manutenção da chapa da situação, reeleita em dezembro.


Ao contrário do que aconteceu no início da temporada passada, num tremendo tiro no pé, pelo menos a Ponte não começa o ano com Felipe Moreira como aposta no banco de reservas. Eduardo Baptista é o nome mais pesado entre os treinadores dos 20 clubes da Segunda Divisão. Isso por si só já credenciaria a Ponte Preta como um dos clubes favoritos às posições de acesso à Série A. Lembrando que o status com que chega Rogério Ceni ao Fortaleza é muito por conta de sua trajetória quando atleta, sendo que ele ainda dá os primeiros passos como treineiro.


Se o treinador tem nome e rodagem, por outro lado, no elenco e dentro de campo a equipe é extremamente jovem. E essa deve ser a toada sobretudo no primeiro semestre, para a disputa do Campeonato Estadual. Por mais que seja bem vista por grande parte da torcida, a aposta na garotada para o Paulistão gera desconfiança. Pouco se viu desses moleques e a Ponte nos últimos anos não tem se destacado na formação de jogadores de alto nível.


Embora o comandante tenha-se declarado satisfeito com a qualidade demonstrada nos treinamentos até então e se disse feliz por ter a oportunidade de participar diretamente do planejamento e da montagem do elenco. Questionado sobre a ausência de um camisa 9, após a saída de Léo Gamalho para o futebol asiático, Baptista deu moral à Yuri. Artilheiro do Paulista sub-20 em 2017, mesmo perdendo algumas partidas por já estar integrado ao profissional, o garoto marcou apenas um gol pelo time principal da Macaca. Importante, mas muito pouco para quem agora terá a responsabilidade de assumir uma camisa tão pesada. Yuri mostrou, na base, que sabe fazer gols. No profissional, até agora, restam ainda muitas dúvidas sobre seu futebol.


Gazeta Press
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Garoto Yuri ganha confiança de Eduardo Baptista para começar 2018 com a camisa 9 da Macaca


Felippe Cardoso, destaque da Ponte na disputa recente da Copa RS, também surge correndo por fora na briga por essa vaga no time titular. Parece ser mais completo que Yuri, mais veloz, porém com menos porte físico. Resta à Eduardo optar pelo que achar melhor. Um pouco mais jovem, entretanto despertando mais interesse, o também camisa 9 e artilheiro da Macaquinha sub-17, John Kleber, segue em recuperação de grave lesão no joelho durante partida de estreia no time profissional no ano passado.


Falando na garotada, o único ponto alto do 2017 alvinegro, a Ponte Preta até agora está muito bem obrigado na Copa São Paulo de Futebol Júnior. Se classificou em primeiro lugar no seu grupo, sediado em Franca, com três vitórias em três jogos e enfrenta o Botafogo de Ribeirão, hoje, às 19h, na próxima fase. A partir de agora, mata-mata.


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Atacante Thiaguinho comemora gol marcado na vitória por 3 a 1 contra o Araxá-MG. Macaquinha classificou em primeiro no seu grupo na Copinha


Prova de bom desempenho da molecada e da atenção especial nas joias formadas em casa como prioridade para a temporada, o volante e capitão do time, Xavier, já deixou a delegação em Franca para ser integrado ao time profissional na pré-temporada. Pedido especial do treinador Eduardo Baptista.


Com isso, a provável Ponte Preta para o início de 2018 ganha corpo numa estrutura de 4-4-2, na seguinte escalação:


Aranha; Emerson, Wesley Matos, Luan Peres e Jeferson; Ronaldo, Marciel, Léo Artur e Tiago Real; Fellipe Cardoso (Yuri) e Silvinho.


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Tiago Real é tido como a principal contratação do primeiro semestre e vem para resolver problema do meio campo


Porém, já para a estreia oficial contra o Corinthians, em Itaquera, no dia 17 (próxima quarta-feira), Eduardo já encontra graves problemas ocasionado por um grupo extremamente enxuto. Por força de contrato, o volante Marciel, pertencente ao Corinthians, não poderá atuar. Assim como seu parceiro na volância, Ronaldo. Este ainda não foi inscrito por problemas burocráticos ocasionados pela transferência internacional, já que seu último clube foi no futebol árabe. Com tantos desfalques assim no meio, ganha ainda mais força a possibilidade da estreia direta de Xavier no time titular, e com o paraguaio Jorge Mendoza ao seu lado, outro único volante apto à disposição no elenco. Yuri, com dores no tornozelo, também é dúvida.


Após a partida de estreia contra o Corinthians, a boa notícia é trunfo da Macaca é ter de volta o Majestoso. O estádio está liberado e foi desinterditado para receber partidas no Campeonato Paulista, já que a punição por conta da invasão de campo, ano passado, contra o Vitória, só será cumprida no Brasileirão da Série B.


Na expectativa baixa de um Paulistão apenas pra garantir manutenção na elite da A1, o que assusta é talvez o que mais define sucesso de um time na segunda divisão nacional: o entrosamento. Para ficar entre os quatro melhores e garantir acesso à Série A, não é necessário um time carimbado com grandes atletas e elencos polpudos, mas principalmente um time encaixado.


Vista estratégia de economizar no primeiro semestre e contratar jogadores mais cascudos ao final do estadual, a diretoria alvinegra põe em jogo esse entrosamento e arrisca demorar para ter o time ideal. É necessário já ter os nomes bem definidos na mesa e, mais ainda, acordos quase selados com os jogadores que deseja.


O que desanima e gera ódio nos torcedores, afastando até mesmo os mais apaixonados do estádio, é a manutenção de uma diretoria sem qualquer ambição e que demonstrou recentemente tremendo amadorismo nas suas atitudes. Foi o discurso de economia de dinheiro e prioridade em balancetes econômicos que afundou a Macaca à Serie B.


Pior, os sucessivos erros na montagem do elenco em 2017 causaram um rombo nos cofres alvinegros. Foi muito dinheiro jogado fora na contratação de péssimos jogadores que mal atuaram com a camisa da Ponte. Resultado em altos salários pagos paga, por exemplo, Renato Cajá e Sheik, com pouco desempenho nos gramados. São inúmeros erros grotescos. Fábio Ferreira afastado, Rodrigo com altos salários e contrato longo, vários laterais-esquerdos ruins para que nenhum assumisse a posição definitivamente.


Posição essa ultima que até agora é a maior lacuna no elenco. Não é minimamente admissível que a Ponte comece o ano com o péssimo Jeferson improvisado com a camisa 6.


E outra coisa não mudou: as péssimas transferências. O negócio de Bruno Silva é uma vergonha nacional. Enquanto o Botafogo, detentor de 40% dos direitos do atleta ficou com R$ 4 milhões e um jogador, a Ponte recebeu um milhãozinho por seus 60%.


Era melhor ter recebido jogadores, coisa que a Macaca bateu o pé para não negociar, do que aceitar mixaria que ninguém nunca vai ver a cor desse dinheiro.


O discurso de orçamento baixo agora são palavras que a própria diretoria terá de engolir, antes de expelir aos quatro ventos, arranjando desculpas para sua incompetência. Já que a culpa da falta de dinheiro é tão somente deles mesmos.


Assim fica muito difícil desejar um feliz ano novo ao sofrido amigo macaco.