Receita caseira garante vitória da Ponte em estreia

A receita do arroz com feijão caseiro parece ter dado certo no primeiro passo da Ponte Preta em 2018. Pelo menos na estreia. Superando qualquer expectativa - em atuação e conquista de resultado - da imprensa, da torcida e certamente também dentro do próprio clube, a molecada da Macaca bateu o Corinthians em pleno Pacaembu, por 1 a 0, na noite de ontem. Golaço do “prata da casa” Felipe Saraiva.


O jogo de ontem não significa nada além dos importantes três pontos na busca da classificação à próxima fase. Não é uma constatação de que há um time pronto para o ano de 2018 e que esses jogadores irão resolver e atingir os objetivos na temporada. É muito cedo e o ano vai ser sofrido. Mas também não deixa de ser um alento para quem esperava levar uma surra. E nisso incluo grande parte das pessoas que acompanham a Ponte.

Vencer o Corinthians na capital não é qualquer coisa. A Ponte não ganhava deles lá desde 2013. Mantém tabu sem vencer na nova arena corinthiana, embora, no Pacaembu, sempre demonstre força e capacidade de bater os paulistanos.


O jogo


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Jeferson parabeniza Ivan 'der Sar' pela defesa de pênalti


Muito bem taticamente no primeiro tempo, há de se dar os méritos ao treinador Eduardo Baptista. Muito criticado por sua parcela polpuda no rebaixamento em 2017, Eduardo ficou com o projeto e propósito de reconstrução de uma equipe que não foi ele quem montou. Do jeito que “gosta” de trabalhar. E se tem uma coisa que não se pode negar é seu conhecimento em postar a equipe na prancheta e armá-la taticamente. Às vezes não vai tão bem assim na hora de transmitir isso aos jogadores, não é um treineiro motivador e “paizão” e tem teimosias irritantes na escolha de suas peças no tabuleiro - como na da dupla de zaga no ano passado -, mas é inteligente e estudioso.


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Eduardo é especialista na prancheta. Disso ninguém duvida


Dessa vez, no início dessa temporada, não tem nem muito o que inventar. Especialmente ontem, quando a Nega Veia já teve problemas de desfalques. Baptista escolheu montar o time menos pior, apostar na garotada, cartada da Ponte para o Paulistão de laboratório, e dar cancha aos recém-promovidos da base e outros atletas que precisam de afirmação.


Logo num clássico, na casa do adversário, a estratégia era perigosa e tinha tudo para dar errado. Só que no futebol não é bem assim que funciona.


O cenário ficou ainda mais prejudicial quando Felippe Cardoso foi expulso, antes do fim da etapa inicial. O lance foi um acidente, há que se diga. Apesar de ter assumido o risco quando se esforçou para tentar chegar na bola, o atacante não teve nunca a intenção de atingir Cássio. Era uma disputa corpo a corpo com o zagueiro e foi esse desequilíbrio que causou, na descida da perna, que seu pé se chocasse contra o goleiro.


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Felippe Cardoso foi imprudente, mas expulsão foi exagero. Não pode ser queimado


Entendo a decisão do árbitro na expulsão - Felippe, aliás, já tinha amarelo. Um pouco de exagero comum pendente para o lado da camisa mais forte por parte do juíz. Por outro lado, o jovem centroavante não pode, de jeito nenhum, ser queimado por essa fogueira em que entrou. Estava nervoso, mas muito motivado e mostrou qualidade no pivô. Gostaria de ver mais tempo dele em campo como titular.


No segundo tempo a estratégia era uma só: se defender e suportar a pressão do adversário que viria se jogar para o ataque. Muito fechada, a Ponte esteve segura, apesar de não ser capaz de segurar a bola no campo de ataque. Enquanto o Corinthians também não era nenhum bicho papão quando chegava de maneira mais acintosa a frente na criação de jogadas, principalmente pelas laterais.


Quando conseguiu prender um lançamento do goleiro Ivan, meio na sorte, num bate rebate entre Sylvinho e Marquinhos, a bola sobrou para Tiago Real que abriu o jogo em Felipe Saraiva na ponta esquerda. O garoto trouxe para dentro e soltou uma pancada de surda, no ângulo, contando com leve desvio da zaga para matar o goleiro Cássio. Lindo gol. Uma verdadeira Saraivada. 


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Comemora, moleque! Baita golaço


Talvez a maior aposta da base da Ponte no ano passado, Saraiva fez uma temporada 2017 bem ruim. Não conseguia driblar nem um cone. Se mostrou muito afoito com a bola no pé, um pouco limitado nos fundamentos e na tomada de decisões. Será que conseguiu evoluir tanto assim em meses e na confiança nele depositada para esse ano?


O importante é que agora o moleque cresceu. Foi muito elogiado pela crítica, em jogo de rede nacional. E, com a cabeça no lugar, pode alçar voos que a torcida alvinegra, no ano passado, não imaginava que pudesse. 


Logo adiante na partida foi a vez do brilho de outro garoto que já fazia parte do elenco em 2017. Ivan fez um primeiro tempo bem tenso. Espalmando diversas bolas para frente, errando algumas saídas do gol. Normal da estreia como titular, da idade que tem e do peso da camisa e da partida. 


Quando o árbitro Raphael Claus marcou, erroneamente, pênalti de Luan Peres em Jadson - o meia forçou contato com as pernas do zagueiro -, era a hora de aparecer a estrela do camisa 1. O corinthiano telegrafou onde ia bater e Ivan foi inteligente em enxergar e acertar o canto, pulou e chegou com sobra na bola, agarrou-a sem direito a rebote e agradeceu o momento de glória. 


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Ivan adivinha o canto e faz belíssima defesa no pênalti cobrado por Jadson


A partir daí, foi muito seguro até o final da partida. Abusando um pouco da cera em momentos indevidos, mas nada que não aprenda na sequência da carreira. 


Falando em segurança, um grande destaque para a dupla de zaga, sobretudo Renan Fonseca e principalmente nas bolas aéreas. Mais maduro, Renan cresceu muito depois que saiu da Ponte e volta disposto a pegar essa braçadeira de capitão com afinco. Foi um monstro na zaga e mostrou sintonia com o bom Luan Peres.


A Macaquinha agora enfrenta o Linense para confirmar bom momento tático e de esperança na garotada, em casa, de frente à sua torcida após decepção do rebaixamento. Com obrigação de mostrar o diferente que se viu já no Pacaembu. Identificação, seriedade, empenho e dedicação. 


Estou curioso para ver esse time com a necessidade de propor o jogo ofensivo, pois vai encontrar muitos times fechados na defesa ainda no Paulistão e também na Série B na sequência da temporada. 


Chama o promotor


Será que a Av. Ayrton Senna a partir de amanhã será “torcida única”? Essa é a pergunta que eu gostaria de fazer ao promotor Paulo Castilho.


A punição de nada adiantou, aliás, foi curiosamente o que propiciou o encontro das torcidas de Ponte Preta e do rival ontem à noite, após a partida da Macaca e chegada da caravana de Barueri a Campinas.


Imagina que bacana seria se PRENDESSEM quem brigou ontem? Quem brigou em dezembro no Majestoso, quem brigou em Franca. Será que nunca ninguém pensou nisso?


Menos paliativo, perseguição e canetadas repletas de inutilidades e mais ação prática que tenham resultados práticos visíveis. A sociedade brasileira está descontrolada, o futebol não foge disso, e a justiça e outros órgãos responsáveis parecem não ter a mínima destreza e - pior - intenção em resolver o assunto.