Fantasma de 2017 ainda paira nos ares do Majestoso

Por Pedro Orioli, autor convidado 


Do céu ao (quase) inferno. A vida da Ponte Preta, até aqui, no Campeonato Paulista, não está sendo fácil. E a realidade é muito cruel. Sem atletas tarimbados e com inúmeros problemas financeiros (escondidos pela nova gestão), a Macaca apostou em bons valores das categorias de base, como Ivan, Emerson, Yuri, Saraiva e Cardoso, mas não contou com a oscilação, algo normal para nomes desacostumados com a pressão de um alambrado.


Na quinta, mais uma decepção para quem cansou de sofrer na última temporada. O que parecia ser uma vitória inteligente, em gol marcado logo aos 8 minutos do primeiro tempo pelo contestado Léo Artur, com a Ponte sendo cirúrgica no ataque e confiável na defesa, virou a segunda derrota melancólica – e consecutiva – do ano no Estádio Moisés Lucarelli.


Destrinchando o jogo, foi possível observar, assim como no duelo diante do Linense, uma Ponte Preta (até certo ponto) organizada nos primeiros minutos, não se omitindo, como deve ser em todas as partidas em casa, e buscando o ataque. Tanto é que na boa jogada de Felippe Cardoso pelo lado direito, Léo aproveitou, escapou da marcação de Victor Ferraz e completou para o gol. Felicidade total nos 2.032 apaixonados que tiveram a coragem de pagar 40 reais num ingresso de Campeonato Paulista.


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Muito contestado, Léo Artur abre o placar no Majestoso


Porém a Macaca esbarrou na limitação de seu elenco, já que o Santos veio ao Interior com 11 atletas no banco, e sentiu a falta de nomes que pudessem fazer, quem sabe, a diferença. Segurando a pressão e sentindo a falta de ritmo, o time de Eduardo Baptista sucumbiu aos 28 do segundo tempo, quando Eduardo Sasha recebeu bom cruzamento de Copete, se antecipou a Luan Peres e testou forte, sem chances para Ivan.


Mesmo se lançando ao ataque, Tiago Real e companhia pouco puderam fazer. Com as entradas do experiente Ronaldo e dos jovens Marquinhos e Thiaguinho, ainda aquém do que necessita um time de primeira divisão paulista, a Ponte foi para cima e recebeu, aos 46 minutos, através de um contra-ataque o golpe final com um gol de Rodrygo.


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Zaga da Ponte lamenta gol da virada no último minuto


O certo é que a derrota prova que o time está longe de ter um padrão ou até mesmo poder competir com os clubes de maior recurso do campeonato. Mas, por incrível que pareça, não é este o fator mais importante. Como disse no início do texto, nada mais normal que um grupo de jovens jogadores sentir a pressão e viver um momento de oscilação. O que me surpreende é ver que a a Associação Atlética Ponte Preta está abandonada. Jogada às traças. O clube pisoteado por ex-jogadores que sequer deram o sangue, sofrendo com os desmandos do Ministério Público, com salários atrasados há quatro meses, e NINGUÉM aparece para dar uma satisfação ao torcedor calejado pelos sofrimentos de 2017.


O episódio mais recente fica por conta do goleiro Aranha. Com a Ponte se limitando a uma nota: "A Ponte Preta conversa com o goleiro Aranha e o seu empresário, para um acordo de rescisão contratual do atleta com a entidade de forma amigável. Desta forma, o atleta está liberado das atividades até a próxima quarta-feira.


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Aranha está sendo pixotado da Ponte pela diretoria atual


A diretoria de futebol vai se manifestar a respeito das tratativas com o jogador, após tudo estar definido. O clube reforça que tem grande respeito pelo goleiro Aranha e sua história, não só na Ponte (onde tem 209 jogos somados, sendo assim o segundo goleiro com mais jogos disputados no clube), mas também no futebol." Muito pouco para quem, acima de tudo, precisa reatar um casamento de mais de 117 anos com o torcedor.


Sem emergir na questão técnica, embora Aranha seja melhor e mais experiente que Ivan, me parece no mínimo proposital - e desinteligente - oferecer um reajuste salarial de 105 para 25 mil reais a um profissional como o ex-camisa 1. Até porque o goleiro e seu empresário, com razão, a partir de agora, vão montar no contrato assinado até 2019 e a Ponte, com consentimento da comissão técnica de Eduardo Baptista, ficará sem mais um líder em seu grupo.


Para que o time mais antigo do país tenha o mínimo de chance de fazer um papel decente em 2018, é preciso buscar uma mudança profunda em todos os setores. Onde está a nova diretoria, capitaneada por José Armando Abdalla Júnior, que pouco fala com a imprensa, assim como seu antecessor? Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, vice-presidente, que pouco aparece no Estádio Moisés Lucarelli...


Enfim, a Ponte Preta precisa de quem tem, acima de tudo, carinho por ela. Como fazer com que o macaco vá ao campo vendo desmandos todos os dias? E a transparência prometida no início da gestão? Como estão as contas do clube? São questionamentos que, sinceramente, não me saem da cabeça e deixam este jornalista que vos escreve extremamente preocupado com o ano de 2018. O certo é que a temporada, sim, começou, mas apenas no calendário. Na Ponte Preta, ainda vivemos 2017.