Sem sal, Ponte empata fora, mas dá alento ao torcedor

A Ponte Preta chegou a abrir o placar contra o Ituano, mas não conseguiu conquistar outra vitória fora de casa e tirar a invencibilidade de mais um time no Paulistão. Caiu muito no segundo tempo e sofreu o empate. O 1 a 1 no Novelli Júnior não foi suficiente para manter a Ponte na liderança do grupo, devido à vitória do São Paulo no Morumbi.


Apesar do desânimo de deixar escapar dois pontos e a ponta da tabela, a atuação dos garotos garante pelo menos um mínimo alento ao torcedor pontepretano: mesmo com investimento mais do que básico, a Macaca é superior aos outros times do campeonato - tirando, claro, os quatro grandes. Portanto, não correrá risco de rebaixamento. O que, para um panorama de crise política, financeira e futebolística, que se desenhava nos últimos meses em Moisés Lucarelli, é sim de digna de alívio. E não deixa de ser ridículo para um clube do tamanho da Ponte Preta


O jogo


Gazeta Press
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Felippe Cardoso chora ao marcar seu primeiro gol profissional com a camisa da Ponte


O primeiro tempo foi movimentado, apesar do forte calor em Itu. Com ambas as equipes criando chances e buscando abrir o placar, foi a Ponte quem saiu na frente.


Orinho caprichou no cruzamento e a bola encontrou Felippe Cardoso no segundo pau. O centroavante vinha muito bem posicionado, coisa de quem tem faro de gol, e testou forte para estufar as redes do Galo. Na comemoração do seu primeiro gol como profissional com a camisa da Macaca, o garoto foi às lágrimas. Tento merecido para uma das maiores esperanças dentre a garotada pontepretana de 2018.


Detalhe fica também com a boa partida de Orinho, não só pela assistência. Ataca forte e foi seguro defensivamente, apesar de o gol do time da casa ter saído do lado esquerdo da defesa alvinegra.


O segundo tempo foi mais difícil para os visitantes e parece que foi a Ponte, jogando de preto, quem mais sofreu debaixo do sol. No começo da etapa final, dominava a partida e parecia ter controle do resultado, mas foi deixando o Ituano crescer. Depois de algumas oportunidades da equipe rubro-negra, o empate já parecia maduro.


Em uma pane defensiva alvinegra na segunda bola, Marcos Serrato - ele mesmo, que passou por aqui sem muitos minutos de jogo - pegou rebote e acertou belo lançamento nas costas da zaga da Ponte. Igor Vinicius recebeu cara a cara com Ivan, que saiu precipitadamente do gol e não conseguiu abafar o chute do atacante do Ituano. Tudo igual.


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Jogadores do Ituano comemoram o empate


Mesmo tendo saído na frente, a Macaca parecia, de certa forma, satisfeita com o empate. Pelo menos era a impressão que passavam os jogadores, gastando certo tempo nas reposições de bola.


Ainda assim, foi o time campineiro quem chegou mais perto de vencer o jogo mesmo depois do empate. Muito por conta da entrada do meia Daniel. Com passes agudos, dribles e chutes perigosos ao gol, deu para ver em pouquíssimo tempo em campo como ele é superior a Léo Artur. E deve ser questão de - pouco - tempo até tomar a vaga do atual camisa 10.


Porém, ficou por isso mesmo. Empate insosso em Itu, mantendo tabu de mais de 15 anos sem perder para o Galo longe de casa, e Macaca fora da liderança de seu grupo.


Em casa forçado


“Longe” é maneira de dizer. Itu fica super perto de Campinas e região, o que torna compreensível o tabu da Ponte Preta perante o Ituano lá. É normal a Macaca jogar “em casa” no Novelli Júnior, com a maioria da torcida presente no estádio.


Só que ontem, mais uma vez em 2018, a torcida pontepretana esteve proibida de frequentar a praça onde o seu time do coração foi atuar. Um absurdo. Enquanto a violência come solta não só em Campinas, como clássico com morte em Goiânia e eleições com caos no Parque São Jorge, por exemplo, a torcida da Macaca segue como a única punida pelo Ministério Publico e Federação Paulista de Futebol.


Outro dia da minha vida em que o direito de acompanhar meu time foi vilipendiado por engomadinhos que não sabem absolutamente nada de futebol e não vão - nem querem - resolver o problema.


Esclarecimentos necessários


Durante a semana, as rádios de Campinas entrevistaram o diretor financeiro da Ponte Preta, Gustavo Valio. Na minha avaliação, as respostas me deixaram menos preocupado com a situação de bastidores da Macaca num geral.


Era o que eu mais ou menos imaginava sobre a crise financeira do clube, uma readequação à realidade de Série B, mas o número de ações na justiça, uma atrás da outra, por praticamente todos os jogadores que deixaram a Ponte, era (é) assustador.


Gustavo frisou que a Nega Veia não deixará de pagar, de maneira nenhuma, as obrigações que tem a cumprir. Com todos. Sobretudo os atletas que já saíram da Macaca e tem pendências desde outubro, que a acionam judicialmente. Foco agora é resolver situação de quem ficou e montagem do elenco de 2018, ainda em construção.


Ele também revelou nas entrevistas a situação do patrocínio master. O contrato da Caixa foi extendido por mais 30 dias (não onerosos), enquanto trâmites burocráticos tratam a renovação do contrato de patrocínio. Isso implica diretamente num freio do planejamento da Ponte no ano. Só pode fazer algumas contratações, se tiver a certeza da permanência do investimento do banco estatal.


Sobre transferências, o diretor financeiro garantiu que a Macaca já recebeu tudo o que esperava dos atletas que vendeu. Inclusive o dinheiro referente à Bruno Silva, e confirmou o valor: R$ 1 milhão.


Só que Valio fez questão de frisar que “não houve erro” na gestão. Ora, doutor. O primeiro erro foi grotesco do Departamento de Futebol em armar um time tão caro e tão HORROROSO. O segundo, a soberba e o amadorismo de não imaginar nunca a queda para Série B, que era iminente.


E terminou a entrevista pedindo confiança na diretoria. A mesma que aparelhou o sistema de eleição e conselho, que afastou o torcedor do Majestoso, quebrou o time em nome da “austeridade”, acumulou rebaixamentos e um total de zero voltas olímpicas em mais de 20 anos.


Sai ou fica, adidas?


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Parceria pode estar chegando ao fim 


 

Outro assunto tratado por Gustavo Valio foi a permanência - ou não - da adidas como fornecedora de material esportivo da Alvinegra. O diretor cravou que no mês de abril a situação será definida.


De acordo com o que apurou o blog #MacacaNaESPN, há, de fato, uma conversa sobre a manutenção do contrato. Não é que ele vá acabar em abril, entretanto existe uma cláusula de saída a cada final de estadual, que pode ser exercida tanto pelo clube quanto pela fornecedora. É praxe exercido no mercado.


O que acontece é que a própria Macaca não se mostra muito satisfeita com os produtos oferecidos pela fábrica alemã e quer certa garantia de que a oferta irá melhorar de qualidade.


Como plano B, a diretoria de marketing do clube inclusive já contactou algumas outras marcas que possam se interessar no fornecimento de materiais. Único nome informado, a Umbro, respondeu negativamente.


Vale salientar que o contrato de fornecimento de materiais esportivos da Ponte Preta no molde atual não é de maneira direta com a adidas e sim por meio de uma empresa intermediária, a Gadel.