Sofrendo mais do que devia, Ponte volta classificada de Manaus

Embora classificada para a segunda fase da Copa do Brasil, a Ponte Preta volta de Manaus desconfiada e em alerta. O empate em 0 a 0 foi perigoso e, não fosse o goleiro Ivan, a Macaca poderia ter entregado a paçoca ao Nacional nos últimos minutos. 


Mais uma vez, como já tem sido praxe da Alvinegra de 2018, foram dois tempos bastante distintos.


A primeira etapa me agradou. Entrando para vencer o jogo, apesar de precisar apenas do empate para avançar, a Ponte jogou para o ataque, propôs com ofensividade e faltou pouco para abrir o placar. Destaque para o número alto de jogadas criadas pela dupla Emerson e Silvinho pela lateral direita. Porém, sempre que chegavam na linha de fundo, faltava mais capricho no cruzamento ou maior presença de área dos atacantes e meias. 


Na defesa, fora algumas bolas nas costas de Jeferson antes dos 10 minutos, a Macaca só correu perigo numa jogada digna de Barcelona do time da casa. Ivan salvou. A proposta do Nacional era jogar no contra-ataque e aproveitou alguns erros de passe de Marciel, sonolento e meio avoado na partida, para tentar, sem sucesso, levar perigo ao time campineiro. 


Gazeta Press
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Silvinho fez bom primeiro tempo e sumiu na segunda etapa


O destaque do primeiro tempo foi o goleiro Valverde, do Nacional, pegando até pensamento. O que mostra que a tônica foi mesmo uma predominância ofensiva dos visitantes. Pena que Léo Artur atrapalhe tanto o time. Um meia minimamente mais habilidoso seria capaz de fazer diferente nas infiltrações ou passes agudos. 


Queria frisar aqui a quantidade de cartões amarelos que Tiago Real já recebeu no ano. O meia é amarelado em quase toda partida. Talvez não esteja entendendo ou ainda vá demorar um pouco a se adaptar na sua nova função em campo, mais recuado, dada por Eduardo Baptista. Sigo batendo na tecla de que o ideal seria sacar Léo Artur e adiantar Real para jogar com a 10, mas o que vai acabar acontecendo é que o recém-chegado, Daniel, ganhe esse posto. Não vejo a hora.   


Na etapa final, o panorama mudou. A Ponte entrou perdida e assim ficou até os 15 minutos. Chegou a correr perigo e sofrer um pouco, porém nada tão assustador quanto o que viria a passar nos minutos finais. Em meados do segundo tempo, conseguiu equilibrar e retomar as rédeas da partida, entretanto sem o mesmo ímpeto da etapa inicial.


A partir daí, a força de ataque da Nega Véia se resumiu aos cruzamentos na área e cabeçadas de Renan Fonseca. Foram três chances claras de gol do zagueiro, com o goleiro do Naça, mais uma vez, salvando a pátria do Nacional. 


Foi por pouco


O desgaste era visível, porém, não pode servir de maneira alguma como desculpa para uma equipe como a Ponte Preta, num patamar tão superior à outra rival, correr tanto perigo como correu. 


É bem verdade que, se perdesse, o placar não seria "justo" pelo que a Ponte criou no primeiro tempo, muito mais que o Leão no segundo, e não chegou ao gol. Mas não existe justiça no futebol. Alías, ao contrário, a bola pune. E a Macaca escapou triscando de levar uma punição daquelas, ontem, na Arena Amazônia. 


gazeta
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Jeferson observa Ivan operar milagre e salvar sua pele na Arena da Amazônia


Jeferson não é jogador profissional. Nem vai ser. Será que ainda dá tempo de prestar Enem e buscar um futuro como estudante? Aos 21 anos, ele ainda está na flor da idade para tentar a vida em algo diferente do futebol. 


Parece que todo mundo percebe isso, menos Eduardo. Que insiste nele e em todas as posições do campo, onde o jovem segue completamente regular: ruim em todas. Dessa vez, de novo na lateral-esquerda, posição que jogou sem destaque e mal durante quase o Brasileirão inteiro. O treinador optou em colocar Felipe Saraiva no banco e adiantar o lateral de ofício, Orinho, para a ponta. Fez até boa partida, já que sua grande lacuna ainda é o setor defensivo. 


Ontem, me deu a impressão que ele sentiu muito o nervosismo e a responsabilidade de um jogo de primeira fase da Copa do Brasil, numa arena vazia de Copa do Mundo. Não criou nada na frente, tomou caneta dentro da área, atrasou bolas perigosas, complicou o colega Luan Peres e, numa cabeçada infantil e sem sentido para a frente da área, gerou o lance de mais perigo do Nacional em toda a partida, já aos 47 minutos do segundo tempo. Dificilmente haveria reação da Ponte possível no jogo. 


Para a sorte de Jé e salvando a vida de Eduardo Baptista, Ivan estava lá para operar um milagre e garantir a classificação com uma excelente defesa de puro reflexo.  


A Ponte garantiu cerca de R$ 600 mil como premiação pela classificação à próxima fase. Porém, vamos com algumas ressalvas: 


Para onde será que vai esse dinheiro? Tomara e esperamos que não para o mesmo poço sem fundo endereçada a maior arrecadação da história do clube, no ano passado. 


E que garantam um pedaço razoável do bicho ao menino Ivan, herói na noite de ontem no Amazonas.