Ataque desencanta e Ponte vence em estreia no Troféu do Interior

A Ponte Preta enfim demonstrou sinais de evolução dentro de campo. Marcando dois gols em um mesmo jogo pela primeira vez no ano, a Macaca definiu o placar da partida contra a Ferroviária antes mesmo dos 15 minutos e estreou bem na disputa do Troféu do Interior, fora de casa, com algumas novidades no time titular. Ponte estava há seis jogos sem marcar.


Outro ponto positivo foi ter mantido a solidez defensiva que vinha apresentando desde o começo do ano mesmo com mudanças de peças no setor e, apesar de passar alguns perigos, ficou mais uma partida sem levar gols. A vitória por 2 a 0 significa quase nada pelo que vale o torneio, mas pode subir o astral e dar confiança para uma equipe que cresceu taticamente, embora ainda muito fraca tecnicamente.  

Como comemora gol?


A Ponte entrou muito mais ligada no jogo do que o time de Araraquara e acabou surpreendendo a todos pela ofensividade. 


Logo aos 10 minutos, Aaron partiu em contra-ataque e lançou para Felipe Saraiva dentro da área. O atacante balançou para cima do zagueiro e foi nitidamente derrubado. Yuri - que entrou no jogo quinta-feira, no Maranhão, para cobrar pênalti -, confirmou ser bom batedor, chutando firme no canto para abrir o placar.  

E a boa atuação da Ponte no primeiro tempo se intensificou. Animada com a quebra do jejum de seis jogos sem marcar, a Macaca se jogou ainda mais ao ataque, acuando a equipe da Ferroviária.

Com um ótimo lançamento de muita visão, Mendoza mudou o jogo para encontrar Saraiva, de novo livre na ponta esquerda. Ele acionou a passagem do lateral Marciel na linha de fundo, que cruzou rasteiro para a chegada de Lucas Mineiro. O meia só completou forte de pé esquerdo para matar o goleiro e o jogo ainda aos 14 minutos. 2 a 0 Ponte. 

A partir dali, obviamente que o jogo mudou. Sem precisar mais correr atrás do resultado, a Alvinegra postou-se defensivamente esperando o time da casa tomar a iniciativa. Com isso, passou a ter menos posse de bola, porém nada que levasse muito perigo além de cruzamentos na área. 


Deu para perceber, nesses levantamentos e em um chute a gol em cobrança de falta, um pouco de insegurança do estreante Vinícius Silvestre. Normal que um goleiro sofra com a falta de tempo de bola. Que bom que não comprometeu. Mais um teste válido proposto por João Brigatti para dar rodagem ao elenco, já que Ivan tem se mostrado cada vez mais indiscutível como titular da posição. 

Na segunda etapa o panorama mudou um pouco. Além de um ímpeto maior do time adversário, a Ponte ficou meio perdida nas saídas de bola e deu muitas chances para a Ferroviária chegar ao ataque com perigo. Talvez um misto de cansaço e problemas físicos nítidos que tem a Macaca desde o início do ano, junto com o relaxamento de ter o resultado nas mãos. 


A mina de ouro do time de Araraquara era o lado esquerdo. Virou pagode em cima e nas costas de Marciel e demorou para a Alvinegra conseguir neutralizar as jogadas de perigo de Misael. Sorte que na maioria das vezes em que levou a melhor, o atacante da Ferrinha tomou decisões erradas. E quando não, Vinícius apareceu bem, já mais confiante e seguro, para evitar o gol adversário. 

Só me incomodou bastante a cera exagerada da Ponte. Desnecessária. 

A Ponte tentava sair nos contra-ataques e melhorou quando Felippe Cardoso entrou no lugar de Saraiva. O centroavante quase marcou o seu em uma jogada de velocidade no mano a mano. Com mais uma oportunidade de minutos no segundo tempo, Gabriel Vasconcelos decepcionou outra vez e justifica a perda de espaço inclusive para Aaron na fila de rodagem do ataque alvinegro. 

A mais perigosa tentativa de reação da Ferroviária veio já depois dos 40 do segundo tempo. Em um erro de passe de Yuri na saída de bola da Macaca, o time de Araraquara teve superioridade numérica para marcar, mas o atacante Igor, com o gol aberto, chutou em cima de Jeferson, que salvou em cima da linha. Depois de jogar em quase todas as posições do campo, Jé parece ter encontrado definitivamente a sua melhor: goleiro. 

Além do resultado, dos três pontos no torneio e de atestar uma evolução tática no time de Brigatti, o jogo serviu de testes importantes para o elenco que deve ficar no restante do ano e disputa de Copa do Brasil e Série B. 


Na zaga, Reynaldo ganhou absolutamente todas as bolas na área, principalmente pelo alto, e foi um dos melhores em campo. Mendoza mostrou mais do que vinha apresentando nas outras partidas em que entrou, deu lançamentos cirúrgicos, inclusive com participação nos gols, e bons combates defensivos. Vinícius Silvestre sofreu um pouco no começo, mas também se sobresaiu e foi importante no segundo tempo. Além de Lucas Mineiro, que fez seu primeiro gol com a camisa pontepretana e se impõe como forte candidato a assumir a carente camisa 10. 

Cadê os reforços?


Ainda falta muito para a Ponte ter um elenco digno de fazer um bom restante de ano. Falta demais. A promessa da diretoria era que depois do Paulistão de laboratório, os reforços chegariam. Quando o experimento quase se transformou em desastre. Agora, apenas a chegada de Lucas Mineiro, da Chape, e Caio Rangel, do Cruzeiro, dois nomes desconhecidos e apostas no mercado, não bastam e não satisfazem o torcedor.

Copa do Brasil


A Macaca pode se considerar com sorte na Copa do Brasil. Tanto pelos adversários frágeis que encontrou até aqui, quanto pelos resultados e classificações que conquistou com pouquíssimo futebol. 


Em sorteio que tinha Internacional, São Paulo, Atlético-MG e outros da Série A, a Macaca vai enfrentar um time da Série C: o Náutico, do Recife. Clube que, assim como nós, passa por delicados problemas financeiros e recente rebaixamento. 


Se a torcida da Ponte comemora “sorte” de tirar o Timbú, os torcedores alvirrubros também. Resta saber quem vai aproveitar melhor a oportunidade real de confrontos equilibrados e passar às oitavas. 


Vale uma bolada! A classificação para a quinta fase da Copa do Brasil rende uma premiação de R$ 2,4 milhões. Dois milhões e quatrocentos mil reais!

Vídeos: TV Federação Paulista de Futebol