Em jogo atípico no ano, Ponte revive problema grave de indisciplina

A Ponte Preta está classificada mais uma vez para a final do Troféu do Interior. Vai enfrentar o Mirassol na decisão, em partidas de ida e volta, e define o título no Majestoso. 


Porém, não há absolutamente nenhum motivo para comemoração e o alvinegro sabe muito bem disso. Ontem, na derrota para o São Bento, em Sorocaba, por 3 a 1, ficaram ainda mais escancaradas as imensas fragilidades desse grupo. O que causa terror no torcedor e acaba com qualquer esperança para o Brasileirão da Série B. 


Pior ainda. A partida deste sábado trouxe à memória um dos grandes problemas da Ponte no rebaixamento do ano passado: a indisciplina. João Vitor "enfiou" o jogo, ao levar dois cartões amarelos e ser expulso em menos de 30 minutos de bola rolando. A partir dali, com um a menos, a Macaca foi presa fácil para o time azul. 


No Brasileirão de 2017 foram inúmeras partidas "entregues" por esse aspecto disciplinar. E vindo de diversos jogadores, inclusive os considerados mais experientes. Quem não se lembra da expulsão de Fernando Bob contra o Grêmio, no Majestoso, ainda no primeiro tempo? Naldo foi expulso - até de forma exagerada - no Maracanã, contra o Fluminense e, impossível não citar, Rodrigo decretou o rebaixamento da Alvinegra num dos lances mais infantis e irresponsáveis que já vi em um jogador da Ponte, contra o Vitória, na penúltima rodada. Todos esses cartões vermelhos na primeira etapa. 


Gazeta Press
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Sandro Meira Ricci expulsa capitão Fernando Bob, após entrada violenta em jogador do Grêmio, pelo Brasileirão de 2017


Não foram os únicos. Muito pelo contrário. A Macaca terminou o Campeonato Brasileiro do ano passado como a equipe mais indisciplinada e violenta, chegou a ter expulsões em três jogos seguidos! Dado que custou resultados importantes e teve notável participação no fracasso do descenço. 


O jogo


Divulgação/Ponte Preta
Divulgação/Ponte Preta

Com um a menos, Macaca fica 'vendida' em campo


Dessa maneira, fica claro que a partida de ontem foi atípica em relação ao ano que vinha fazendo a Ponte Preta até agora em 2018. Foi a primeira vez que a Macaca sofreu três gols em um só jogo no ano e era até então a melhor defesa do Campeonato Paulista ao lado do Palmeiras. 


Antes de João Vitor colocar tudo em xeque, o duelo era bem equilibrado. Inegável que a Macaca evoluiu após a saída de Eduardo Baptista e, sob o comando de João Brigatti, é mais organizada em campo e chega com mais volume e maior perigo no ataque. 


Com dois cartões amarelos merecidos, João Vitor foi expulso e chegou a incrível soma de oito cartões em 10 jogos no ano. Pode parecer que depois da lesão, que o afastou mais de um ano dos gramados, o volante está mal fisicamente e chega atrasado nas jogadas. Por isso o alto número de infrações.


Mas na minha visão, João já era um jogador violento e irresponsável antes. A diferença é que o bom futebol de 2016 escondia um pouco essa debilidade. O maior problema é que agora ele não tem mais o futebol de antes e ainda desconta seus erros, talvez por imaturidade e infantilidade, com violência nos adversários. 


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Sem novidades: cartão para João Vitor. Cena é comum desde 2016


O empate bastava para a Ponte, porém, logo após o cartão vermelho, para completar, Renan Fonseca errou feio na saída de bola e entregou o contra-ataque para a equipe de Sorocaba. A jogada na linha de fundo terminou com um passe para a entrada da área, justamente onde deveria estar João Vitor. Como o volante estava se dirigindo ao vestiário, ninguém marcou Diogo Oliveira, que ficou livre para abrir o placar. 


E foi um sufoco danado logo depois disso, fazendo com que a Macaca fosse obrigada a se acuar para não levar mais gols. 


Na segunda etapa, a Alvinegra veio com um ímpeto um pouco diferente, buscando até sair um pouco mais para o jogo. Entretanto, correndo muitos riscos na defesa por conta da inferioridade numérica, não conseguiu evitar o segundo gol do time da casa, após uma série de cruzamentos dentro da área. 


A Ponte ainda diminuiu com um belissímo gol do menino Aaron. O africano não desistiu da jogada, teve expolosão e velocidade para alcançar o lançamento longo e ficou cara a cara com Rodrigo Viana. Frio, driblou o goleiro do Bentão e ainda levantou a cabeça para finalizar com tranquilidade, longe do zagueiro que fechava um dos lados do gol em cima da linha. 


Foi pouco. Antes que pudesse pensar em empatar a partida, Jeferson dormiu na marcação da lateral esquerda do São Bento e Anderson Cavalo completou belo cruzamento com uma cabeçada forte, sem chances para Ivan. 


Graças à combinação de resultados, a Ponte ainda assim se classificou para às finais e o São Bento, mesmo com a vitória, foi eliminado do torneio. 


Vai dar trabalho


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Doriva tem um baita desafio pela frente


Depois da saída de Eduardo e com um trabalho tático - e motivacional - interessante de João Brigatti, o maior defeito da Ponte ficou longe de ser um treinador. O time é muito ruim e o elenco extremamente limitado. Guardiola não daria jeito. FALTA JOGADOR!


A chegada de Doriva, de certa forma, me alivia. Principalmente ao analisar os nomes que eram ventilados nos corredores de Moisés Lucarelli, além de saber que a maneira com que ele deixou o comando da equipe, em 2015 - maior reclamação do torcedor da Ponte com ele -, dificilmente irá se repetir. 


Ele fez um bom trabalho por aqui e tomara que consiga uma transição saudável de comando junto com Brigatti. 


E o que não é a ironia do destino? No dia do anúncio de Doriva, encontro Prof. Jorginho no Aeroporto de Congonhas. Conversamos sobre isso e, quando eu disse que minha preferência era ele, suas palavras foram: “enquanto o Carnielli estiver lá, infelizmente isso não vai acontecer”.