Ponte confirma hegemonia no interior paulista, mas alvinegro quer e exige mais

Um prêmio de consolação. Mas já que estava em disputa, que fosse ganho!


Com a vitória sobre o Mirassol, por 1 a 0, no Majestoso, a Ponte Preta conquistou mais um Troféu do Interior, se isolando como maior vencedor do torneio. São seis conquistas no total (1927, 1951, 2009, 2013, 2015 e 2018), com quatro na era moderna de disputa. 


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Emerson marca um golaço para dar o título do interior à Ponte


A hegemonia no interior do estado de São Paulo é algo a ser valorizado, sim. Pricipalmente na região de um futebol tão forte historicamente comparado ao cenário nacional e o nível de outros estaduais. É uma marca importante. Assim como levantar qualquer troféu, e ser o melhor dentro de uma competição, tem seu valor. 


Embora seja óbvio que a Ponte não foi a melhor equipe do interior no Campeonato Paulista de 2018. Aliás, Macaca e Mirassol foram as piores campanhas do Paulistão acima das duas posições de rebaixamento, ocupadas por Santo André e Linense.


Cheguei até a dizer que o melhor para a Macaca fazer as correções no planejamento furado do ano até aqui seria não disputar essa competição e ter mais tempo livre. Porém, já que essa opção não existia, que se vencesse o campeonato.


E, dessa maneira, se o Paulistão de 2018 foi desastroso para a Alvinegra, correndo risco de rebaixamento até a última rodada, a taça erguida ontem ajuda a levantar a cabeça de time e torcida para o restante do ano e disputa do Campeonato Brasileiro da Série B e próxima fase da Copa do Brasil.  


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Elenco jovem e frágil conquista o Troféu do Interior 2018


Mas esse domínio no interior não basta mais ao torcedor pontepretano. Não o satisfaz e nunca o satisfez. Houve comemoração dos mais de 7 mil macacos ontem. Bastante contida, típica de uma carência de conquistas que o alvinegro tanto tem, e principalmente pelo torcedor saber que essa taça vale muito pouco perto do potencial e da necessidade que a Ponte Preta tem de títulos de expressão. 


O torcedor pontepretano quer e EXIGE mais. Mais, melhor e maior. Entende a situação financeira precária, embora se revolte - com razão - por saber que ela é culpa pura e simples da má administração e amadorismo dos que dirigem o clube.


E que não me venham com "administrações passadas", se é o mesmo grupo que está no poder há mais de 20 anos sem nenhuma grande conquista. Coisa que Ituano, Santo André e Paulista de Jundiaí já levaram. Qual o potencial dessas equipes, também do interior, em comparação ao nosso?


Uma diretoria que quer a torcida longe do Majestoso, agora até proibida de ver o time fora de casa - às vezes até dentro de casa. E sob comando de um mandatário que não fez a menor questão de ganhar o título que com certeza seria a maior glória da história do clube eternamente. 


Se ontem já houve festa, imagina quando for um título de verdade. A Ponte Preta e quem está lá dentro, desde o porteiro até o presidente, deveriam trabalhar ininterruptamente e de maneira fissurada pensando em como atingir esse ápice. Só assim, com preparo, foco, vontade, culhão e intenção de ganhar, que se poderá chegar ao tão sonhado título. 


Divulgação/FPF
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Renan Fonseca levanta a taça


Mais do que o prêmio de R$ 360 mil e as medalhas distribuídas, o título de ontem serve também para unir clube e torcida num mesmo propósito, além de trazer confiança, elevar o moral e dar identificação ao atletas para o dérbi. E essa importância ficou marcada ontem, quando os jogadores foram até o alambrado da geral e cantaram, junto com a massa, que "o dérbi vem aí e o bicho vai pegar".


Grande parcela dessa identificação e carga emotiva positiva vem da parte de Brigatti. Quem mais merece e certamente quem mais comemorou o Troféu do Interior. O técnico, mesmo que interino, deu uma cara para uma equipe que não tinha absolutamente nada de positivo. Continua um grupo muito frágil, embora tenha feito o suficiente e evoluído para chegar onde chegou e terminar o primeiro semestre "fora do poço" em que tinha se metido. Campeão do interior e na quarta fase da Copa do Brasil. 


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João Brigatti se emociona com conquista antes de deixar comando da Macaca nas mãos de Doriva


Debandada


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Jeferson deixa a Ponte Preta


Oficialmente com final do campeonato estadual, muitos jogadores devem deixar a Ponte Preta. Confirmados, só Jeferson e Silvinho, que jogarão a Série A do Campeonato Brasileiro por Vitória e Paraná, respectivamente. 


Jé saiu aplaudido de campo ontem, mas tem enormes lacunas e a paciência do torcedor alvinegro com ele já tinha acabado. 


Silvinho, contratado para ser importante e com uma carga de responsabilidade de jogador experiente e caro, em meio a uma equipe tão jovem, foi decepção extrema. Irritou profundamente a torcida, por muitas vezes discutiu com as arquibancadas. Sai com a jogada de linha de fundo e assistência do gol do título do interior, que poderia até dar uma segunda chance para ele durante a Série B, embora tenha vindo tarde demais. 


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Luan Peres tem propostas da Europa


Outro que deve deixar a Macaca é Luan Peres. Com contrato de empréstimo terminando, o zagueiro, um dos destaques e menos contestados desse plantel, deve ser vendido pelo Ituano, detentor de seu passe. 


O presidente também confirmou ontem, oficialmente, ter recebido proposta para negociar o lateral direito Emerson. O menino faz parte da seleção brasileira sub-20 e chamou atenção do Galo antes mesmo do golaço de ontem. Tem enorme potencial. 


Eu (Ponte) só venderia por uma boa quantia e ficaria com uma bela parcela do passe, na transação que deve envolver Danilo Barcelos. Ideal que fosse em torno de 40%. Haja vista as últimas negociações da Macaca, oremos para que saia um bom negócio e a gente veja a cor do dinheiro.