Pontepretano, essa é a Série B. E que esse castigo acabe logo

Não tinha para onde fugir. Desde novembro do ano passado, a Ponte Preta sabe que estaria na Série B do Campeonato Brasileiro de 2018. Se só depende dela mesma sair desse castigo com as próprias pernas, ontem foi o primeiro passo. 


E se o alvinegro estava desacostumado com o certame, pode ir pegando o jeito no tranco. Os primeiros pontos vieram debaixo de muito sofrimento e suor, inclusive de quem acompanhou de casa. A duras penas, a Macaca venceu o Criciúma, fora de casa, por 1 a 0, e somou seus primeiros pontos no campeonato.  


Depois de perder a partida de estreia num infortúnio do zagueiro Renan Fonseca, com um gol antes dos 5 minutos de jogo e sem força para virar o placar, a necessidade era de vitória na rodada seguinte. Não só pelos pontos, mas também para dar satisfação ao torcedor e ratificar que os planos da equipe no torneio são mais do que a mera disputa pelo meio da tabela. 


O jogo


Dava até medo de zicar. A Ponte começou muito bem o jogo. Dominando toda e qualquer ação no campo de ataque e sem deixar o adversário se sentir o dono da casa. As mudanças de Doriva surtiram efeito, principalmente a centralização de Tiago Real com a camisa 10, e o esquema encaixou de uma maneira a encurralar o Criciúma no seu campo. 


Foram algumas as chances de abrir o placar logo no início da partida. A maiorida delas defendida com segurança pelo bom goleiro Luiz. 


Até que em uma excelente jogada de todo o setor ofensivo, começando em Orinho, a bola passou por Felippe Cardoso no pivô e Paulinho achou Igor na ponta direita, que cruzou consciente para o centroavante empurrar para o gol. Aos 15 minutos de jogo a Macaca estava merecidamente à frente no marcador. 


Gazeta Press
Gazeta Press

Artilheiro da Ponte no ano, Felippe Cardoso volta a marcar depois de tempo fora por lesão


Eu esperava uma retranca mais pesada de Doriva a partir dali. Não foi o que aconteceu. A Alvinegra continou mandando e desmandando no gramado do Heriberto Hülse. Pressionou o Criciúma e criou muitas alternativas de perigo ao Tigre, infelizmente todas sem sucesso. Os catarinenses, por sua vez, perdidos, só assustavam vez ou outra na bola parada. 


Apesar da pressão, dos gols perdidos e de merecer ampliar a vantagem, o primeiro tempo ficou por isso mesmo. E principalmente com a sensação de que era aquela a Ponte Preta a qual gostaríamos de ver pelo resto do campeonato, seja jogando em Campinas ou fora de casa. Fica de lição. Em Criciúma se conheceu a melhor versão da Ponte para esse campeonato. 


Mas nem tudo são flores na história da Macaca, seja em qual partida for e por mais fácil que ela pareça ser e estar. 


A segunda etapa foi completamente diferente da primeira. E assustou. Primeiro de tudo, incomodou pela própria postura do Criciúma, que voltou melhor do que estava até então. Isso já foi o suficiente para mudar um pouco o panorama do jogo. 


Restava à Ponte saber cadenciar e valorizar a posse de bola, mas não tardou muito para que essa tática se perdesse. Tiago Real, o melhor para fazer esse trabalho, teve de ser substituído. Ainda retoma o ritmo de jogo após certo tempo importante lesionado. Lucas Mineiro é habilidoso, mas não tem a mesma qualidade que o primeiro com a camisa 10. 


Junta-se a isso a ineficiência da Macaca na saída pelas laterais. Aposta de Doriva para o jogo de ontem, André Luís não foi bem. Participou muito pouco da partida e não foi nem de longe o escape que a Nega Véia precisava. Tampouco Orinho, que teve boas arrancadas no primeiro tempo, entretanto, sumiu na segunda etapa. 


Nisso, a Alvinegra se viu encurralada como esteve o Criciúma na primeira metade do jogo. Sem nenhuma maneira de sair da pressão catarinense e, pior, com uma bola aérea de testar o mais saudável dos corações. 


Para completar, num lance em que a falta era nossa, quando Orinho saía para o contra-ataque e foi segurado pelo jogador do Tigre, o ponta se desvencilhou do marcador com uma cotovelada. Foi expulso ao receber o segundo cartão amarelo e complicou ainda mais as pretensões de defesa no jogo.  


E foi um senhor sufoco. Daqueles com S maíusculo. Em uma das cobranças de falta alçadas na área, teve até um lance muito duvidoso, com a bola rondando no limite da linha do gol, sendo salva duas vezes pela defesa alvinegra. Que baita susto!


Graças a mais uma noite inspirada do goleiro Ivan - e que goleiro brilhante está se tornando esse garoto -, parando no mínimo umas 5 finalizações cruciais, a Ponte Preta sobreviveu à pressão e saiu de Santa Catarina com a vitória na bagagem.  


Valeu pela superação com um a menos, por mais um brilho enorme de Felippinho em marcar o gol da vitória e Ivanzinho ao garantir debaixo das traves os três pontos importantíssimos no campeonato.


Doriva entendeu, nas mudanças que fez, qual é a melhor Ponte que pode ter agora. Também viu o que esse time pode se tornar se não souber jogar com o resultado e cadenciando a bola. Lições que se levam para o futuro de uma Série B difícil e pegada como todas são. E que nossa passagem por aqui seja mais uma vez bem breve. 


O próximo compromisso da Macaca é novamente no Majestoso de portões fechados, assim como na estreia, ante o Londrina, sábado que vem.


Depois?


Depois, meu amigo macaco? Depois tem oitavas de final da Copa do Brasil, contra o Flamengo, e dérbi, na casa do rival. Quer pouco jogo decisivo?


Bom filho?


 Reprodução/Facebook




Gazeta Press

Fabiano é uma das crias mais ilustres do Majestoso


Depois de dar por encerrada a novela Cristaldo, sem um final feliz e com a desistência do argentino em vestir as cores do clube campineiro, pelo menos até julho, a Ponte Preta anunciou uma "parceria" com o centroavante Luís Fabiano. A priori, para que o atacante retome seu condicionamento físico na estrutura da Alvinegra, mas com um acerto muito próximo para que ele volte a atuar pelo time que o revelou ao mundo. 


Se faltava um nome de peso no noticiário da Macaca, não falta mais, o problema é que o torcedor pontepretano está magoado com o jogador. Ninguém discute a qualidade e a história que Fabiano teve no futebol. Ora, foi camisa 9 titular da seleção brasileira em uma Copa do Mundo. 


Entretanto, a ida dele para o Vasco, em fevereiro do ano passado, quando tudo já parecia acertado para seu retorno à Ponte é, para muitos, imperdoável. Escrevi sobre isso - e nesse tom - na época. E a situação física dele como atleta é altamente duvidável. 


Pois por outro lado, muitos torcedores também já se veem aceitando a contratação e que ele pode, sim, contribuir na busca do acesso à Série A. 


É inegável que Luís Fabiano, em forma, ainda tem caldo e seria um dos melhores na função no futebol nacional. Aí mora o maior problema: recondicioná-lo a ponto de ser perto do que já foi um dia. Ainda seria capaz? 


E só a presença da figura dele pode ser um diferencial no moral do grupo. No desenvolvimento e evolução de Felippe Cardoso, por exemplo. São coisas que me deixam completamente confuso em decidir se estou ou não à favor do retorno do camisa 9 ao Moisés Lucarelli.