Ponte precisa aproveitar semana decisiva para crescer no campo e no emocional

Esse não é o elenco ideal que a Ponte Preta precisa e que o torcedor quer ver. Todo mundo sabe disso. Desde o sofrível Campeonato Paulista, sabíamos todos que o ano de 2018 seria muito complicado. Diretoria reclamando da falta de dinheiro, com o clube mergulhado em uma crise financeira, além de uma crise de identidade e conexão com as arquibancadas e punições severas ao torcedor pontepretano, dadas pelo STJD e pelo nonsense Ministério Público. 

Passado o perrengue do Paulistão, com o leve alento de melhora e conquista do Troféu do Interior, a Série B chegou no momento em que a Macaca mais precisava de afirmação dentro de campo. O técnico Doriva, recém-desembarcado, teve pouco tempo para armar o que pensava ter de melhor e empolgado por despachar o Náutico logo na partida de ida pela Copa do Brasil. 

Mas o que parecia um trunfo - jogar duas partidas em casa, sem a pressão (que até então era mais negativa que positiva) da torcida por conta dos portões fechados - foi justamente onde a Alvinegra se complicou. Perdeu as duas em casa e só somou três pontos, fora, encima do Cricíuma, que parece ser o saco de pancadas da competição. 

Ontem, pelas oitavas de final da Copa do Brasil, a Ponte perdeu para o Flamengo e somou o teceiro revés seguido em casa, todos por 1 a 0. E, em comum, três jogos em que a Macaca não conseguiu ter poder de criação, reação, errou muitos passes e não superou erros defensivos importantes que custaram os gols adversários. 

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Professor Doriva ainda não encontrou sua 'Ponte Preta ideal'

A diretoria assumiu o risco quando desenhou uma estratégia austera durante o primeiro semestre e sabendo que montaria a equipe do Brasileirão às pressas e muito provavelmente chegaria nessa fase importante com um time ainda em formação. 

Talvez não imaginaram, dentro do Moisés Lucarelli, que a Ponte pudesse ir tão longe na Copa do Brasil. O que de jeito nenhum é um problema. Já que resultou em uma engordada razoável nos cofres da Alvinegra com premiações. Embora certamente divida atenções e complique um pouco no encaminhamento de treinamentos que ajudariam Doriva a dar robustez à uma equipe mais bem definida. 

Por outro lado, jogos grandes trazem uma 'cancha' necessária para um grupo jovem e que precisa adquirir mentalidade vencedora e confiança.

O jogo

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Ivan lamenta gol do Flamengo

Que diferença gritante entre os elencos. Nossa senhora! Mas também não me impressionou, já era uma coisa esperada.

Problema é que a Ponte sofre demais em acertar penúltimo e últimos passes no ataque. Foi assim contra Paysandu e Londrina. Uma dificuldade enorme nas tabelas pelas laterais, movimentações de ataque pelo meio, nenhuma enfiada de bola eficiente, cruzamentos sempre forçacos, errados e no segundo pau. Falta qualidade. 

E isso tem de sobra do outro lado, apesar de certo desinteresse do time carioca. Quando André Castro - que entrou de sopetão no time titular, muito elogiado por Doriva - errou a saída para o jogo e entregou a bola no pé de Everton Ribeiro, o meia acionou Lucas Paquetá na profundidade, que cruzou para Henrique Dourado só completar para as redes, num verdadeiro gol de videogame. 

Apesar de toda defesa ficar vendida em lances como esse, em que acontece um erro na saída de bola, achei que Reynaldo e Renan Fonseca dormiram em suas marcações. Erro da defesa e 1 a 0 Fla. Depois disso, foi ainda mais complicado encontrar alguma jogada empolgante do ataque pontepretano. 

Na segunda etapa o jogo continou o mesmo, sem muito esforço do time visitante e inofensividade do mandante. Até que a Macaca mudou de postura com alterações pontuais e que devem ser pensadas com mais carinho pelo treinador Doriva daqui para frente. 

O avanço de Lucas Mineiro para a linha frontal do meio-campo transformou o time em mais inteligente e consequentemente mais agressivo. Força essa completada pela entrada de Junior Santos pelas beiradas. Foi a partir daí que a Ponte passou a incomodar o Flamengo com finalizações perigosas. 

A melhor delas, na oportunidade de ouro perdida por Felippe Cardoso. Após muita disposição e briga de Junior Santos pela bola, o atacante alvinegro bateu a carteira do defensor carioca e tocou para Felippe. O centroavante tinha tudo para empatar a partida, mas chutou forte e alto demais, carimbando o travessão. No rebote, Cardoso tentou de novo, dessa vez com uma finalização rasteira, defendida brilhantemente pelo goleiro Diego Alves. 

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Artilheiro da Ponte no ano, Felippinho leva as mãos à cabeça após perder melhor oportunidade do jogo

Ficou por isso. Um empate deixava o confronto vivo para o Maracanã onde é costumeiramente uma ratoeira para esse Flamengo insosso. Com a derrota, é muito improvável que a Macaca consiga vencer lá dentro. 

Ainda vejo possível a evolução desse grupo quando encaixar um time titular entrosado e definir bem seu padrão de jogo, além da necessidade - pelo amor de Deus - de contratações. Sobretudo para o setor ofensivo. Coisa que só acontece com o tempo. A Macaca de 2014, por exemplo, levou tempo para deslanchar sob o comando de Guto Ferreira, até fazer uma Série B de altíssimo nível e conquistar o acesso.

Porém, tempo é uma condição que a Ponte Preta não teve até agora e não terá até o jogo mais importante do Campeonato Brasileiro até aqui. O famoso divisor de águas.

Agora a chave vira e a chinela canta

Arquivo Pessoal
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Quase 10 mil pessoas foram ao Majestoso ontem, em recorde de público no ano

'Clássico é clássico e vice-versa". O resultado de um dérbi, seja positivo ou negativo, pode definir completamente os rumos da Ponte na competição. Causam crises ou traçam uma ligação com a torcida que gere um caminho importante de apoio. Muita coisa decidida em tensos 90 minutos. 

Clima de dérbi já começou ontem na Ponte Preta. E tem de ser em ambiente de positividade e concentração. Pra cima!