Dérbi: Ponte dá aula de como vencer um clássico

Foram 5 anos muito aguardados para sabermos que nesse tempo todo nada mudou. Dentro de campo não entra falação, a soberba ou se achar superior, o que vale é ser um time melhor, jogar mais futebol e, claro, bola na rede. 


E foi o que a Ponte Preta fez. Soberana, venceu o dérbi por 3 a 2 - num placar que engana, pois deveria ter sido muito mais elástico -, mesmo jogando fora de casa e sem seu torcedor. Provando na bola quem é o maior time da cidade.


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Saudades desse placar com luz de opala sinalizando a vitória da Macaca


É válido pontuar que o maior clássico do interior do Brasil ficou tanto tempo sem acontecer justamente por culpa do sumiço dos rivais. Muito tempo na Série C do Brasileirão e na A-2 do Campeonato Paulista, enquanto a Macaca frequentava ambas as séries de elite. 


Até por conta disso, eles eram os mais animados e empolgados. Viviam esse dérbi desde o rebaixamento da Ponte no ano passado. Ou seja, por demérito nosso e não o mérito contrário. Enquanto isso, a Ponte Preta passava por uma reestruturação dolorosa, demorada, sempre com pé no chão e entendendo as limitações do momento que vive.


É sabido por todos em Moisés Lucarelli que esse grupo está longe de ser ideal e do que a Macaca precisa para voltar à elite nacional. Porém, justamente pelo citado acima, era ciente que ser forte no dérbi não tinha segredo senão a concentração.


E o time da Ponte entrou em campo com a cabeça no lugar e uma concentração absurda. Não sentiu a pressão do jogo, do estádio contra si, usou do excesso de confiança do aversário para jogar tranquila na sua estratégia de aproveitar erros e espaços. Focado no que tinha que ser feito.  


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Orinho tira máscara de gorila usada por Gigena e entrega à André Luís


Apito amigo?


A Macaca já era superior desde o primeiro minuto de dérbi e acuava o rival no seu campo. Em uma jogada pela esquerda, Tiago Real tentou cruzar e a bola nitidamente foi interceptada pelo zagueiro Edson Silva com o braço. Vuaden viu, não é possível que não. 


O árbitro parou para pensar se daria ou não a penalidade, foi ao outro lado do gramado para conversar com o bandeirinha - que com certeza teve uma visão pior que ele do lance - e os dois decidiram, por falta de coragem, marcar apenas escanteio para a Alvinegra. 


Não foi apenas esse lance. A arbitragem foi extremamente caseira durante todo o encontro. Não fosse a interferência deles, o placar certamente seria muito mais elástico. 


Puxão de orelha


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Felippinho tem perdido muitas chances de ouro


O placar também não chegou a uma goleada por conta da ineficiência de Felippe Cardoso. Mais uma vez, o artilheiro da Ponte no ano deixou a desejar na finalização das jogadas. Teve duas oportunidades muito bem defendidas pelo goleiro no primeiro tempo. 


Na segunda etapa, teve nos pés a bola para matar o jogo e fechar o caixão, eram três atacantes da Macaca contra somente o goleiro adversário. Felippe preferiu bater para o gol, mais uma vez impedido por uma boa defesa do arqueiro. 


Grande parte da torcida da Ponte perdeu a paciência com o centroavante, que merece, sim, um puxãozinho de orelha e foco em treinar finalizações de um contra um.


Embora o que pouca gente tenha prestado atenção, nessa onda de críticas que atingem o garoto, é que Felippe é extremamente voluntarioso na defesa e na criação de jogadas para o ataque como um todo, não está em campo somente com a função de empurrar para as redes. É importante salientar que foi ele quem puxou o contra-ataque fulminante, depois de escanteio na área da Macaca, que culminou no delicioso gol da virada de André Luís. 


Herói improvável


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André Luís corre para comemorar o gol da virada alvinegra


Sem muita badalação, André Luís chegou do Cianorte (onde disputou o estadual) e do Santa Cruz (foi rebaixado à Série C com o time pernambucano no ano passado) com um retrospecto muito ruim para um atacante: foram apenas 8 gols em 71 jogos. 


Comparado à William Pottker por alguns dentro da Ponte, pelo jeito 'troncudo', veloz e também canhoto, como o mago, André passou de um desconhecido diretamente para a prateleira da história da Ponte Preta. 


Além dos dois lindos gols, fez o que quis pelo lado esquerdo da defesa do outro time. Pintou e riscou. Infelizmente faltou perna no final do segundo tempo para que estivesse em campo e tentar marcar o terceiro, se igualando a Darío Gigena, o dono da máscara que André vestiu na comemoração do gol da virada. 


Menção honrosa para a partidaça de Igor. Dupla de André na lateral direita, mas quem inverteu perfeitamente a bola do segundo gol. Baita assistência. Danilo Barcelos também merece destaque. Com certeza um dos jogadores mais identificados com o clube que passou por aqui nos últimos anos. Entendeu perfeitamente o que é a Ponte Preta e deu outras duas assistências para a redenção depois do gol contra, que abriu o placar para os mandantes. 


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Com muito pouco tempo de casa, é impressionante a identificação de Danilo Barcelos com a Macaca


O destaque da defesa também teve participação decisiva no ataque. Assim como André Luís, Reginaldo acabou de desembarcar no Majestoso e já entrou para a história dos dérbis. Marcou um testaço em escanteio para empatar o jogo em momento delicado da partida. Na zaga, tem tudo para subir o nível do limitado Renan Fonseca. 


E o prêmio de bagunça vai para o menino Orinho. Discreto dentro de campo, anulou o lado direito oxigenado do rival e foi melhor que Marciel no setor. Falou que ia tumultuar, e tumultuou o dérbi. Cantando a vitória e devolvendo as provocações do outro lado com muita destreza. 


Esse era o espírito de vitória no vestiário alvinegro desde antes do início do jogo. Isso certamente foi determinante para os rumos do dérbi 191 e a vitória alvinegra por 3 a 2. Só que não é só isso que ganha jogo. O que ganha jogo é futebol. E a Ponte Preta é um time muito superior ao rival nesse quesito. 


PontePress
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Vestiário visitante foi 'envelopado' pelo Marketing da Macaca para jogadores se sentirem mais 'em casa'


O que isso muda para o resto do ano? 


Tudo! No post passado citei a importância que tinha essa semana decisiva para o restante da temporada. A Ponte saiu lamentando a oportunidade de empate com o Flamengo nas oitavas de final da Copa do Brasil e passa atropelando pelo dérbi. 


Isso com certeza mexe ainda mais com o brio do grupo, que precisa voltar para o campeonato e fazer uma Série B de qualidade para voltar à elite. O objetivo é esse. 


Na Copa do Brasil, o interessante é saber que o jogo de quinta-feira, no Maracanã, pode ser muito parecido com o que foi o de ontem. Principalmente se encontrar um Flamengo desinteressado.


Óbvio que é incomparável o poder que tem o clube carioca, muito mais forte que a Ponte, imagine ao rival. Embora a arbitragem possa ser tendenciosa, como foi ontem, e o estilo de jogo da Ponte para aproveitar os espaços e ser mortal no contra-ataque vai ser bem semelhante ao que aconteceu neste sábado.