Sacar Felippe Cardoso não é única solução 'mágica' para o ataque da Ponte

A Ponte Preta foi enfrentar o líder Vila Nova, em Goiânia, e voltou para Campinas com um ponto na bagagem. Apesar de considerar o 0 a 0 um bom resultado, justamente por frear o adversário, quebrar os 100% de aproveitamento do Tigre, e manter série invicta fora de casa, a Macaca teve domínio das ações em muitos momentos do jogo, porém, não conseguiu marcar. 


Justamente por isso, o torcedor alvinegro se sente dividido. Um pouco do gosto amargo por saber que poderia ter saído do domingo com uma vitória. Feliz e satisfeito com a evolução do time de Doriva em campo, embora desconfiado com o seu setor de ataque. Problema que aflige a Ponte desde o começo do ano.  


A reação imediata de grande parte dos pontepretanos, principalmente nas redes sociais do clube, foi malhar o centroavante Felippe Cardoso. De fato, o camisa 9 vive um momento ruim, de baixo desempenho, ineficiência e seca de gols. Já são cinco partidas sem balançar as redes, desde que marcou o gol da vitória sobre o Criciúma, na segunda rodada do Brasileiro. 

Gazeta Press
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Má fase e jejum não são motivos de apedrejamento

É óbvio que a queda de Felippe interfere no rendimento do setor ofensivo da Macaca. Ainda mais por ele ser o artilheiro da equipe no ano, com apenas quatro gols. Um número extremamente pequeno, mas que somente reflete a tônica da Ponte Preta na temporada até aqui. Um time que empata muito, principalmente em 0 a 0, tem uma defesa sólida e demonstra extremas dificuldades na criação das jogadas e conclusões em gol. 


Isso não é nada mais que uma oscilação normal de um atleta tão jovem, de apenas 19 anos. Curiosamente, foi uma lesão - um edema na coxa - que o tirou de forma. No começo do ano, o atacante era um dos únicos garotos que despontava e recebia elogios, num time extremamente jovem e limitado da Ponte. E chegou a atingir uma boa sequência de gols importantes, quando marcou em três jogos seguidos pela competição. 


No momento em que esteve fora do time, principalmente durante a disputa do Torneio do Interior, onde Felippe foi poupado para receber melhor tratamento, a Macaca viveu um ponto fora da curva na temporada, só que com a ajuda de atletas de outras posições na função de meter a bola para dentro. Foram tentos de Lucas Mineiro, Marciel, Emerson e um contra. Os únicos atacantes a anotarem gols foram Yuri (de pênalti), Felipe Saraiva e Aaron - um cada. 


Contra o Vila Nova, duas das conclusões mais perigosas da Alvinegra a gol não só foram feitas por Cardoso, senão também criadas pelo atacante em jogadas individuais. Ambas oportunidades em que teve de arriscar de fora da área, já que não via outra opção melhor de passe. 


Felippe está isolado e, caso outro atacante entre em seu lugar, sem nenhuma alteração no estilo de jogo e incremento de criatividade do meio-campo, isso deverá continuar acontecendo independente de quem vestir a camisa 9. 


Nos outros gols que fez com a camisa da Ponte, só contra o Botafogo, em Ribeirão, Cardoso deu mais de um toque na bola. Contra o Ituano (de cabeça), Novorizontino (de letra) e Criciúma (pelo chão), ele só teve o trabalho letal de se posicionar bem e empurrar para dentro, como um bom centroavante deve fazer. 


Fora da área, a função dele como pivô é muito importante. Lembrando que foi também numa puxada de contra-ataque de Felippe que saiu o delicioso gol da virada da Macaca no dérbi. 

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Felippe Cardoso fez ótimo dérbi, mas ficou marcado por gol perdido

E é exatamente aí onde desabam as maiores criticas a ele: os gols perdidos. Em todos, o camisa 9 teve tempo de pensar na decisão que ia tomar, até opções melhores para tocar a bola, mas preferiu tentar a finalização e errou. Isso tem relação direta com falta de confiança e nervosismo: problema emocional.


Ilustrando em dois casos específicos, o chute que explodiu no travessão de Diego Alves no primeiro jogo das oitavas da Copa do Brasil e, certamente, o mais criticado e mais feito, no contra-ataque que fecharia o caixão do rival no dérbi, quando teve toda a chance do mundo de servir aos companheiros, mas chutou em cima do goleiro adversário.  


Ainda houve mais uma chance que explodiu na trave, contra o Flamengo, no Maracanã. Embora essa eu não tenha visto como falha, e sim mérito do atacante. A jogada começa por Felippe no meio e ele chama a tabela para puxar à ponta da área e finalizar. Por pouco não leva a Ponte à disputa de pênaltis. 


O potencial de Felippe Cardoso é enorme e ainda pode evoluir muito para ser um grande jogador no futuro. Inclusive, acho que sentar um pouco no banco pode fazer bem a ele como atleta. É questão de avaliar melhor as jogadas e tomar decisões com mais tranquilidade. Colocar a cabeça no lugar. Quando a bola voltar a entrar, uma vez, com certeza Felippinho ainda dará muitas alegrias ao torcedor alvinegro. 

Outras alternativas

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Júnior Santos tem mostrado seu valor e merece melhores chances

Fora isso, Júnior Santos, o Berimbau, vem pedindo passagem e, na minha opinião e da gritante maioria da torcida, precisa ser testado em sua posição de origem. Tem estilo diferente de Felippe, principalmente por não ter o mesmo pivô quando está de costas para a defesa. Porém, é mais veloz, tem melhor drible e principalmente a confiança que falta ao atual camisa 9. 


Sem obrigação de voltar tanto para marcar, como tem acontecido nas últimas partidas em que teve a chance de atuar, Júnior deve participar ainda mais das ações ofensivas e quem sabe mudar o panorâma de um ataque que deixa muito a desejar.


Até aqui, no Campeonato Brasileiro da Série B, a Macaca marcou em apenas duas partidas, de cinco disputadas. Curiosamente nas duas vitórias. E a necessidade de conquistar três pontos pela primeira vez como mandante, ante o Atlético-GO, mesmo que em Bragança, obriga Doriva a trabalhar intensamente em alternativas para o setor ofensivo durante toda a semana.


A esperança é que Orinho possa voltar à lateral-esquerda. É mais incisivo e mais desperto do que o sonolento Marciel. Paulinho fez um bom segundo tempo ontem, porém, se bobear, tem a sombra de Lucas Mineiro. Tudo isso pode resultar em uma Ponte Preta mais criativa. 


Embora isso dependa, e muito, do desempenho do camisa 10. Tiago Real ainda não está na plenitude de sua forma física, e isso influencia muito no andamento do time nas partidas.


Ele tem uma característica que me agrada bastante, que é voltar para o campo de defesa para armar as jogadas. Isso dá muita qualidade à saída de bola. Entretanto, como os volantes (Paulinho e André Castro) não têm boa capacidade ofensiva de criação e os laterais também são frágeis no quesito, a Alvinegra fica desfalcada para fazer essa bola chegar com qualidade nos atacantes.  


E vejo também que faltam mais finalizações de média distância. 

É nítido que contratações são necessárias. E todo mundo sabe que o principal defeito da Ponte é nesse último quarto do campo. Um meia de criação e um centroavante, que cheguem para jogar - ou seja, é pedir demais? - já dariam outro poder que levaria a Macaca às cabeças da tabela. 


Vale salientar que Luís Fabiano não pode ser esse diferencial para o ataque. O jogador sequer sabe se terá condições físicas de voltar a atuar, e imagino que até por isso ainda não foi oficialmente anunciado como reforço, apesar de ambas as partes já darem tudo como certo. E se voltar, qual será o nível de minutagem e grau de desempenho dele em campo? 

O jogo

Reprodução Twitter Vila Nova
Reprodução Twitter Vila Nova

Vila e Ponte fazem jogo de alto nível em Goiânia

Falei sábado, no Twitter, da importância de pontuar em Goiânia. Foi mais um bom jogo da Ponte, embora ainda falte qualidade no ataque, foi isso que impediu a Macaca de sair com três pontos e é disso que falamos aqui hoje no texto. Perdeu muitas chances de gol. Lado bom: tira 100%, freia o líder e mantém moral alta pros próximos jogos.


A evolução da equipe é latente, mesmo numa sequência complicada de jogos fora de casa e rivais complicados. Trabalho agora deve ser focado no setor ofensivo, principalmente por ter que voltar a vencer como mandante e, enfim, embalar na competição.


É claro que senso crítico é necessário e o torcedor alvinegro é extremamente maltratado pela Ponte Preta, sua diretoria incompetente e suas tiriças que muitas vezes vestem uma camisa tão pesada. Mas o pontepretano às vezes é muito chato e extrapola o limite do criticismo.


Ninguém aqui torce para o Real Madrid e é de suma importância ter em mente que a Série B vai ser complicada demais. Apoio não precisa ser abaixar a cabeça para tudo o que acontece. Nunca. Porém, encher um jogador especifico de pauladas e não avaliar o todo, e sobretudo o crescimento do time, é nada mais que prejudicial.