Futebol de terceira escancara a realidade de uma Ponte Preta completamente perdida

Eu devo primeiramente desculpas aos meus leitores aqui neste blog. Em todos os textos até agora durante a Série B, eu falei em subir de divisão, com um time que pudesse se acertar. Imaginei, desenhando até, uma melhora que pudesse alçar a Ponte Preta à briga pelo acesso de volta à elite do futebol brasileiro.


Me enganei. Errei rude. Alimentei uma própria ilusão minha. Com esse show de horrores de hoje, no Maranhão, é nítido que não se pode, de modo algum, pensar em G4. Pior e muito pelo contrário. O desempenho e consequentemente resultado, acendem diretamente a luz vermelha no farol: desse jeito a Ponte corre sério risco de rebaixamento à Série C.


Há algo de mais catastrófico? Acho que nesse cenário atual do clube não pode haver. Depois de um rebaixamento desastroso, com invasão de campo, inúmeras punições ao torcedor alvinegro, caos político, crise financeira profunda e de identidade ainda maior, veio um 2018 com quase descenso num Paulistão terrível e a Série B de começo tão amedrontador quanto o estadual.


É de se repensar tudo. Principalmente os que mandam e desmandam no clube. É muito complicado refletir que não há nenhum prognóstico de melhora, ainda mais enquanto o dono supremo e intocável, Sérgio Carnielli, estiver no poder. Aparelhando todo o sistema, ostentando seu passivo com unhas e dentes, deixando a Macaca o mais dependente dele possível.


Esperneia, torcedor. É caso de briga, de luta, de tentar tomar a Ponte de volta à qualquer custo. É necessário rejuvenescer o conselho, dar voz aos não ouvidos, escutar o povão, redemocratizar o clube, aprender, voltar a pôr o pé no chão. Tudo o que deram à Ponte antes, hoje rasgam dela com uma violência nunca antes vista.


Gazeta Press
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Já? Torcida põe a corda no pescoço de Ronaldão

Abdallah pode ser mais frequentador da arquibancada do que os sócios da hipiquinha que comandavam a Ponte nas gestões anteriores. Entretanto, continua sem entender nada de futebol e como funcionam seus bastidores hoje em dia. Passou muito da hora de uma profissionalização do principal departamento da Alvinegra. E se Gustavo Bueno não era a pessoa ideal, Ronaldão muito menos será. Já são três semanas prometendo mais reforços e nada.


Alias, eles lá dentro hão de encontrar paliativos. Não penso que irão, mas podem inclusive demitir Doriva. Até acho que, depois do jogo de hoje, devem. Brigatti seria o único, ao meu ver, a colocar algo de útil na cabeça do monte de acéfalos desse elenco e fazer com que pelo menos corram contra a zona de rebaixamento.


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Doriva tem aproveitamento esdrúxulo no comando alvinegro

Meu nome ideal para assumir esse posto, Leandro Zago foi mandado embora e hoje dirige uma categoria de base do Atlético-MG.


Mas o problema é muito maior, o buraco é muito mais embaixo. Seguiremos aqui batendo, mesmo sem saber quando que isso trará algum resultado tangível. Ao meu ver, é o mínimo de dever que tenho, como alguém que ama esse clube com todas as forças e se sente esfaqueado, dilacerado, torturado, desfigurado, depois de uma noite de segunda-feira como essa.


O - circo - jogo


Nathan conseguiu errar um domínio com menos de um segundo de jogo. Seria o caso de Guinness Book?


Com o gramado ruim, a Ponte Preta começou o jogo com domínio territorial absoluto, assim como foi contra o Atlético-GO. A marcação alta forçava o Sampaio Corrêa a errar todas as saídas de bola. Panorama esperançoso.


Apesar disso, quando tinha a posse, a Macaca abusava de passes laterais sem objetividade. Não acelerou jogadas em nenhum momento, não fez tabelas, os atacantes não projetavam facões nas diagonais e sequer os laterais pensavam em alçar a bola na área. Ou seja, um domínio absolutamente estéril.


Claro que nenhuma equipe no mundo consegue ter essa postura tática por 90 minutos. Acabou rápido. E tão logo recuou um pouco as linhas de marcação, foi possível ver que a Alvinegra teria problemas com o ataque adversário. Os locais, quando iam ao ataque, tinham tudo que a Ponte não havia demonstrado: passes verticais, ímpeto e agressividade.


Enquanto isso, a compactação do time visitante falhava muito. Júnior Santos não é jogador de acompanhar o lado para marcar, Roberto entrou e saiu de campo com a mãozinha na cintura e André Luís no meio, coitado, com aquele tamanho, foi um desperdício na ausência da recomposição. No ataque, esses três aí não dominaram uma bola, quanto mais dar um chute perigoso ao gol. Até agora não consigo entender a absurda decisão de Doriva em inverter papéis - 9 na lateral e 7 centralizado - nessa altura do campeonato. 


Desde o começo do jogo, Danilo, pesado, era uma mamãe levando tudo nas costas. O encarregado por fazer sua cobertura, curiosamente, era Tiago Real. No setor ofensivo, o camisa 10 fez uma partida ridícula, era absolutamente inútil e em diversos momentos simplesmente se escondeu do jogo.


Quando Igor falhou na saída de bola no lado direito e Renan foi facilmente driblado pelo 10 do Sampaio, Barcelos dormiu de novo e deixou o atacante antecipar para abrir o placar.


Divulgação/Sampaio Corrêa
Divulgação/Sampaio Corrêa

Bruninho comemora gol fácil na 'defesinha' pontepretana

A partir dali, virou bagunça. Não havia mais esquema tático. E se o time já era incapaz de conseguir pensar e correr ao mesmo tempo, trocar passes, fazer alguma jogada que obrigasse o uso do cérebro, foi ainda pior.


É muito fácil para qualquer equipe jogar no erro da Ponte. Porque com a ruindade individual da equipe isso inevitavelmente vai acontecer. E quando ocorre, a ausência de tática decente fatalmente resulta em gol. Impressionante. Fora o desinteresse de todo mundo olhando a bola entrar. Aí o emotivo vai para o saco e acabou o jogo. Essa é a tônica de todas as derrotas da Alvinegra até aqui.


Como pode começar tão bem na postura, marcando no ataque e tudo se transformar nessa burocracia? Faltou vontade, sim. Para não dizer vergonha na cara. Também faltou movimentação, criatividade e aí um erro na defesa custa gol e o jogo. Feio demais. Teve mais de uma semana para treinar e descansar, para isso? Pois está faltando mais treino e trabalho. 


O segundo tempo começou ainda pior do que o primeiro havia terminado. Sempre o único time a levar perigo, mesmo com pouco tempo de bola no pé, era o modesto adversário. Ivan - o único que presta - ainda teve de salvar a Ponte duas vezes. Isso até um jogador da Bolívia levar cartão vermelho.


E a expulsão no time do Sampaio Corrêa não veio para ajudar a Ponte no empate. Veio escancarar a incapacidade desse time horrível da Ponte Preta. O catadão que o time virou não tem desculpa, não tem nenhum cabimento. Foi torturante saber que o árbitro poderia decidir por acrescentar mais meia hora de jogo além do tempo normal, que os jogadores alvinegros não seriam capazes de colocar a bola no chão e pensar em algo construtivo.


Gazeta Press
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Danilo Barcelos veio para somar e ser o diferencial. E aí?

O mapa era: recuperar a bola, formava-se uma linha de três, quatro ou cinco no ataque, de costas para a primeira linha de defesa, sem nenhuma infiltração, nenhuma movimentação, nada de tabelas ou algo que tirasse a zaga do tricolor maranhense da zona de conforto na rebatida. Bola para Igor Vinicius, sempre livre na lateral direita, pois todos sabiam que ele erraria o cruzamento.


E mais, os contra-ataques dos mandantes ainda eram muito perigosos e só não ampliaram o placar por incapacidade técnica deles.


Legal, vamos cobrar contratações. É necessário. Mas é time por time o problema? A Ponte está perdendo jogos para elencos piores que o dela. E aí? Como faz?


Nesse cenário, Luís Fabiano é titular com um pulmão só, bêbado e sem joelho. Camisa 9 e a faixa no braço.


A que ponto chegou a Ponte Preta? Completamente perdida dentro e fora de campo. E ainda com o torcedor ausente dos estádios por imposição de proibição, embora que, para acompanhar essa desgraça jogando, talvez seja mesmo o mais sadio para nós manter distância.