Os 7 pontos positivos na primeira vitória da Ponte como mandante na Série B

Aleluia, irmãos!


A Ponte Preta enfim venceu e desencantou jogando como mandante no Campeonato Brasileiro da Série B. Depois de três derrotas (uma em Bragança Paulista) e um empate, a Macaca bateu o Goiás por 2 a 1, no Majestoso. Com os três pontos conquistados, se afasta da zona de rebaixamento e, principalmente, se livra da zica e da pressão psicológica que visivelmente abatia o grupo. Foi a quinta partida com portões fechados, faltando, agora, somente uma para o cumprimento da punição.


Mas a vitória não veio antes de um baita susto. Como sempre, causado por erro primário da defesa alvinegra. O mesmo motivo dos gols sofridos em todos os resultados ruins de anteriormente. Por isso, e até por primeiro ter saído atrás do placar, vou citar o lado negativo antes do que vimos de bom.


Essa Ponte Preta passa a impressão de que pode entregar o jogo a qualquer momento, por mais que esteja bem na partida. Foi o que aconteceu ontem. Mesmo dominante, com muitas oportunidades perdidas no ataque, a defesa da Macaca vacilou e cedeu escanteio para o Goiás. Incrível como consegue perder tantos gols e depois sofrer um tão ridículo.


Na cobrança, Igor Vinicius fazia o primeiro pau e, num misto incrível de ruindade com displicência, enganou todo mundo. Armou um chute digno de ganhar o leitão, mirando lá na Avenida Aquidabã, e furou. Ivan levou um susto com a falha do companheiro e não conseguiu agarrar a bola, que foi parar no meio da área, se oferecendo para o arremate do atacante Lucão. E mais uma vez, pela quarta partida seguida no campeonato (100% dos jogos), a Ponte saia atrás no placar jogando no Majestoso.


7- Capacidade de reação


Aí entra o principal ponto positivo visto ontem: a capacidade de reação da equipe. Embora atrás no placar, a Macaca manteve o ímpeto do início da partida e a criação de jogadas. Dessa maneira, foi capaz de chegar ao empate ainda no primeiro tempo. Era de suma importância não sair da primeira etapa perdendo o jogo.


Nas outras ocasiões, inclusive no empate contra o Oeste, o time se perdeu completamente em meio ao baque psicológico do gol adversário. A reação também anima por lembrar a última vitória da Ponte, exatamente um mês atrás, que veio de virada no dérbi.


Tudo isso sabendo, enfim, driblar a ausência da torcida no Majestoso e o marasmo que se torna qualquer jogo de portões fechados. 


6- Postura


A maneira como esteve postada em campo desde o início do jogo também é motivo de elogio. Porém, sem poder de decisão, a postura não necessariamente culmina em pontos conquistados. E essa foi a tônica de muitas partidas até aqui no ano. Foi, inclusive, uma das reclamações de Doriva desde quando ainda era treinador até após deixar o comando. Faltam nesse grupo jogadores com capacidade de resolver um jogo. Sem isso, a postura se torna um domínio completamente estéril e o ataque em inoperante. Ainda mais na dificuldade enorme em ser criativo, fazer tabelas, infiltrações e levar perigo aos adversários.


Contra o Goiás foi diferente. O domínio do time, desde o início do jogo, pelo menos resultava em oportunidades mais claras de gol.


5- Fator Brigatti


Gazeta Press
Gazeta Press

Brigatti conquista vitória em seu segundo jogo no comando da Macaca na Série B

E isso, para mim, tem tudo a ver com o dedo de Brigatti. Até relembrando que foi assim quando o treinador assumiu o comando interinamente após a queda de Eduardo Baptista.


A evolução no jogo contra o Oeste foi pequena, mas alguma coisa de diferente já havia acontecido. Ontem foi bem mais nítido.


João é muito elogiado pelo seu estilão motivador, no incentivo, e claramente teve influência na mudança de ímpeto, pegada e intensidade da equipe. Acabaram as mãozinhas na cintura. Porém, só raça não ganha jogo. Também coube a ele ampliar o leque de alternativas ofensivas e transformar um time inoperante em capaz de fazer o rival sofrer.


4- Concentração na garantia do resultado


Depois de analisar como a Macaca chegou ao resultado positivo, é importante entender a necessidade de saber segurar o placar.


Ao contrário do que ocorreu em Bragança Paulista, quando fez 1 a 0 com Paulinho e entregou os pontos nos 20 minutos finais, a Macaca foi forte na defesa para conseguir segurar o ímpeto da equipe alviverde. O Goiás está em posição complicada e em crise no campeonato, entretanto, tem bons valores individuais no setor de ataque, como o jovem Carlos Eduardo.


Apesar da concentração e solidez defensiva para garantir a vitória, cabe ressaltar alguns defeitos graves que devem receber atenção especial de Brigatti.


Eu perdi as esperanças de ver Renan Fonseca fora do time. Ontem, até pelo alto, o ponto forte do zagueiro, ele errava grosseiramente. Inclusive lances primários de tempo de bola. Coisas que podem e já custaram jogos. Léo Santos fez um jogo melhor e se firma como concorrente forte à vaga de titular. Com Reynaldo voltando de lesão, acho justo que se teste a dupla.


E depois a incapacidade da equipe pontepretana em conseguir ficar com a bola e fazer o tempo passar nos pés dos jogadores alvinegros. Foram muitas jogadas de sucesso da defesa da Ponte que prontamente voltaram aos pés dos atletas goianos.


3- Força de jogar pelas laterais


Pois foi assim que a Ponte conquistou suas três vitórias até aqui no campeonato, inclusive essa. As jogadas pelas laterais tinham sumido do mapa nas últimas rodadas, por pura falta de qualidade dos jogadores.


É bem verdade que os flancos do alviverde goiano estavam muito fragilizados, mas mérito para a Ponte que soube aproveitar isso. Primeiro numa jogada de Orinho pela esquerda e cruzamento na área, depois numa movimentação interessante de três jogadores e triangulação pela direita até a bola chegar em Igor e o passe para a área no gol da virada.


2- Bem-vindo de volta, Orinho


Gazeta Press
Gazeta Press

Retorno de Orinho e volta a vitória. Não é coincidência

Eu quebrava a minha cabeça tentando entender como que Orinho fazia tanta falta à equipe, sendo que ele não é nenhum craque de bola.


A verdade é que, por mais que tenha suas dificuldades, Orinho é bem acima do comum dos jogadores do atual elenco. E qualquer curva para cima nesse time pode ser diferencial. Além disso, tira Danilo Tanajura Barcelos da lateral - que fase de Danilo, meu Deus.


Mesmo ainda com lacunas nítidas de quem ficou um tempo fora de atividade, o lateral-esquerdo foi muito importante ontem. Tanto no setor defensivo quanto no seu forte: a ofensividade.


E foi diretamente através de uma jogada individual dele pelo lado esquerdo que a Macaca conseguiu empatar a partida. E Orinho ainda podia ter saído do jogo com um gol, porém, quando foi esperto e ganhou a bola da defesa goiana para armar um contra-ataque, faltou perna e acabou se enrolando todo.


1- André Luís, o ponto de desequilíbrio


Gazeta Press
Gazeta Press

André Luís marca duas vezes e é decisivo para virada

Você disse poder de decisão, @? Falamos acima justamente desse problema da Ponte.


Ele foi o cara do dérbi e agora se torna o principal jogador de ataque do time nesse Brasileirão da Série B.


Alguém precisa colocar a bola para dentro. E, com tantas oportunidades perdidas recentemente e sobretudo na própria partida de ontem, foi muito gratificante atestar a qualidade de finalização da canhota de André Luís. No primeiro gol, em cruzamento de Orinho, ele acertou um belo e difícil arremate de primeira, no canto. Para virar a partida, literalmente, André recebeu de Igor de costas para a zaga e usou de um lindo giro e mais uma perfeita finalização no canto do goleiro para balançar as redes.


No começo, logo quando chegou na Alvinegra - até usei aqui - o ponta foi comparado à William Pottker. O atacante, hoje do Internacional, está acima de André em alguns quesitos claros. Mas isso não altera a importância em que as qualidades semelhantes entre os dois podem ajudar a Macaca, agora no camisa 7. Tomara!


Após conseguir virar o placar, ainda aos 6 minutos da segunda etapa, foi preocupante ver como a equipe ficou nervosa com a vantagem. Sintoma claro de falta de confiança na bizarrice de um time que se encolhe quando está vencendo, não apenas na postura tática, senão principalmente psicológica. E ainda me incomoda também o aspecto físico do time.


Os erros de passe nas saídas de jogo, após recuperação de bola na defesa, demonstraram claramente isso. Ainda bem que não custaram uma difícil e importante reação na conquista dos três pontos.


Falta de confiança essa que atingiu até o melhor do time no ano até então. O goleiro Ivan tem sofrido. Não foi decisivo no gol rival, embora poderia ter participado melhor do lance e no jogo como um geral. Isso pode também ser reflexo da falha contra o Oeste, essa sim, que custou um gol do adversário.


Com a vitória, é necessário que esse mental e emocional do time evolua junto com o desempenho em campo. Tanto para Ivan, quanto para todos os outros atletas. Será fundamental na busca dos objetivos futuros. Primeiro a estabilidade de se manter distante da zona de rebaixamento, para depois conseguir pensar em almejar algo a mais na competição.