Líder, invicto, melhor ataque e melhor defesa

FC Porto divulgação
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Portistas venceram nesta segunda-feira (18) o Marítimo por 3x1


O FC Porto fez ontem seu último jogo pela Liga Portuguesa em 2017. E o balanço só não é mais positivo porque, diante do Desportivo das Aves (um pênalti sobre Danilo não assinalado) e Benfica (pênalti sobre Marega e outro por mão de Luisão não assinalados; e um gol mal anulado), as más decisões dos árbitros e a inexplicável omissão dos vídeoárbitros custaram o que poderiam ser mais quatro pontos às contas do campeonato. Seja como for, e embora estes pontos perdidos impliquem em uma igualdade pontual com o Sporting (que poderia ser vantagem de quatro pontos, reitero), o FC Porto chega ao fim do ano e das 15 rodadas disputadas da temporada 2017/18 na liderança da Liga (39 pontos), invicto, com o melhor ataque (39 gols marcados) e a melhor defesa (seis gols sofridos).


Ontem, numa noite fria (7ºC) de segunda-feira e num horário inconveniente (21h local), 34.123 portistas foram ao Estádio do Dragão acompanhar o importante triunfo sobre o surpreendente Marítimo. Surpreendente por conta do bom trabalho desenvolvido pelo competente Daniel Ramos que, com um elenco limitado, consegue colocar os madeirenses na quinta colocação do campeonato. Um jogo ainda mais complicado porque, ao contrário da forma como habitualmente atua, o Marítimo entrou em campo com um esquema de três zagueiros e um ônibus estacionado à frente de sua área. Como seu treinador havia dito na antevisão do confronto, “trazer um ponto seria excelente”. E foi por esse mísero pontinho que os rubro-verdes se bateram fortemente (e também bateram com força nos jogadores do Porto em diversos lances).


Entretanto, este Porto de Sérgio Conceição, ao contrário daquele enfadonho time treinado por Nuno Espírito Santo na temporada passada, já demonstrou ter recursos táticos para contornar as adversidades impostas por adversários que se recusam a jogar o jogo pelo jogo e optam apenas por tentar anular as ações portistas. Foi, acima de tudo, uma partida de paciência por parte dos Dragões. Que demonstraram ter a serenidade para fazer a bola circular pelo campo, muitas vezes de um lado para o outro, à procura de brechas no paredão defensivo formado pelos madeirenses. Nem mesmo depois de sofrer o gol de empate, passado tão pouco tempo da abertura do placar por Reyes (que marcou seu primeiro gol com a camisa portista), o time mostrou desespero ou nervosismo. A bomba de Marega pouco antes do intervalo ajudou na construção de uma vitória tranquila, consolidada já na segunda etapa com mais um gol do atacante malinês.


Ao fim de seu primeiro semestre no comando Azul e Branco (ainda há dois jogos da Taça da Liga antes do ano novo, mas como esse é um torneio que não tem o menor apreço para os torcedores tripeiros, escrevo como se o ano já tivesse acabado), o treinador Sérgio Conceição demonstra ter sido uma aposta válida. Três vezes campeão português como jogador do FC Porto, Conceição chegou ao clube sob desconfiança. Primeiro porque é sabido que não foi a primeira opção - embora o presidente Pinto da Costa tenha dito que tenha sido, sabe-se que o nome preferencial era Marco Silva, que optou pelo Watford. Segundo porque embora tenha sido um bem-sucedido jogador, como treinador ainda dá seus primeiros passos na carreira. Terceiro, por conta de seu temperamento nos tempos de chuteiras, que podia ser uma desvantagem numa função que exige mais do equilíbrio emocional.


Conceição vai calando os críticos que apostavam (ou seria caso de dizer desejavam?) no seu insucesso e já superou as desconfianças (ou as dúvidas, se preferirem) iniciais de alguns portistas. Tem se mostrado um bom estrategista. A vitória sobre o Monaco fora de casa pela Liga dos Campeões ou o atropelo sobre o Sporting no primeiro tempo em Alvalade (que só não se converteu em vitória por incompetência dos jogadores na finalização) são exemplos disso. Mas, acima de tudo, o técnico tem evidenciado seu perfil de líder.


Assim, o Porto vai entrar em 2018 na liderança do Campeonato, com 39 pontos (que poderiam ser 43, não fossem os erros de arbitragem e do VAR já citados), invicto, com o melhor ataque e a melhor defesa. Classificado para as quartas de final da Taça de Portugal (vai enfrentar o Moreirense). E tendo cumprido o objetivo de seguir adiante na Liga dos Campeões, avançando num grupo complicado em que qualquer um dos quatro clubes poderia ter sido o primeiro ou o quarto colocado (o semifinalista da edição passada e campeão francês Monaco ficou em último, por exemplo), e agora à espera do que os confrontos com o Liverpool vão reservar.


Os portistas vão romper o ano felizes e satisfeitos. E os votos de ano novo serão, certamente, para que Sérgio Conceição e seus comandados sigam em 2018 o grande trabalho que tem sido desenvolvido até aqui. Para que em maio, todos possam voltar à Avenida dos Aliados para comemorarem o título de campeão nacional.