Aboubakar e Marega: de renegados a reverenciados no Porto

FC Porto divulgação
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Marega e Aboubakar marcaram metade dos 70 gols do FC Porto na temporada


Faltando apenas um jogo para encerrar o ano de 2017 (a última partida acontece neste sábado, 30, frente ao Paços de Ferreira, pela Taça da Liga), o Porto chega ao fim desta primeira metade da temporada com um ataque avassalador. Em 26 jogos oficiais realizados até o momento, os azuis e brancos já marcaram 70 gols. Média de 2,7 por jogo. A dupla ofensiva formada por Aboubakar e Marega é responsável por metade destes gols (35). O camaronês destaca-se na ponta da artilharia com 22 (sendo 12 no campeonato e 5 na Liga dos Campeões), enquanto o malinês soma 13 (12 no campeonato). Nada mal para dois atacantes que estiveram emprestados na época 2016/17 e que durante a pré-temporada eram constantemente apontados para a porta de saída pela imprensa. Outrora renegada, a dupla africana passou a ser reverenciada. Com direito, inclusive, a cânticos da torcida.


A pré-época do treinador Sérgio Conceição não foi nada fácil. Com as contas apertadas, tendo o fair-play financeiro da UEFA no encalço, a SAD portista não reforçou o elenco para 2017/18. A única contratação foi o goleiro Vaná, vindo do Feirense, que sequer estreou oficialmente na temporada. Boa parte da formação dos Dragões é composta por atletas que retornaram de empréstimos da época anterior. Dentre estes, encontram-se Aboubakar e Marega. Porém, enquanto o camaronês despontava como um nome sólido para permanecer no grupo (embora se especulasse sua possível venda), o malinês era visto com bastante ceticismo pelos portistas. Porém, sem André Silva, vendido ao Milan, e contando apenas com Soares para a posição de centroavante, Conceição foi trabalhando a dupla.


A temporada, entretanto, não poderia ter começado de forma mais amedrontadora para os torcedores. Aos 32 minutos do jogo de estreia no campeonato português, contra o Estoril, Soares sentiu a lesão que ao longo da semana ameaçava até mesmo sua participação no jogo. Sem opção, Conceição colocou Marega em campo, para se juntar a Aboubakar na frente. Logo de cara, o malinês se destacou com dois gols na goleada por 4 a 0. Mesmo assim, ainda não foi suficiente para ganhar a confiança dos portistas.


Voltando de empréstimo do Besiktas, onde havia sido campeão turco, Aboubakar tinha mercado para sair durante o longo mês de agosto. Contudo, o camaronês, ainda ressentido com a forma como tinha sido dispensado anteriormente, não descartava a possibilidade de se transferir de forma definitiva. O clube turco, entretanto, não quis pagar o valor pedido pela SAD azul e branca. E como também não apareceu outro interessado a depositar o que o FC Porto desejava, Aboubakar seguiu de Dragão ao peito.


Ao fim de três rodadas no campeonato, o camaronês já somava quatro gols marcados, mostrando que o ano que havia passado na Turquia foi benéfico para apurar o faro de gol demonstrado na sua primeira passagem pela Invicta, mas que nitidamente precisava ser aprimorado. Em pouco tempo o atacante (re)conquistou a torcida com sua movimentação ofensiva, sua entrega física e, logicamente, os seus gols.


O caso de Marega foi ainda mais complicado. O malinês voltou de empréstimo do Guimarães, clube ao qual o FC Porto fora buscar Soares em janeiro de 2017 (ou seja, ao invés de pedir seu retorno, o Dragão preferiu pagar pelo brasileiro para reforçar o ataque na ocasião). Para piorar, sua pré-época foi conturbada. O jogador se integrou ao elenco mais tarde, devido a problemas pessoais e teve que trabalhar duro para merecer uma chance do exigente treinador. Seu destino parecia traçado ao banco de reservas da dupla que ia se formando Aboubakar-Soares. Mas, aí, veio a lesão do paraibano e tudo mudou.


Os dois gols logo na estreia deram a autoconfiança necessária para que seguisse desenvolvendo seu trabalho. Ao contrário de seu parceiro de ataque, Marega não é muito técnico. Lacuna que o malinês compensa com o fulgor físico acima da média. Incansável, o atacante se movimenta por todo o ataque, flutuando da esquerda para a direita, passando pelo centro e, principalmente, dando velocidade nas transições ofensivas. Com sua força física, impõem-se às defesas adversárias. E com seu fôlego, vai arrancando pelos lados, como uma locomotiva. Foi essa entrega e esse empenho, mais do que os 13 gols, que fez com que conquistasse, definitivamente, a confiança, o respeito e a admiração dos portistas.


Uma dupla formada um pouco por acaso. Azar do Besiktas que não quis pagar o que o Porto pedia por Aboubakar. E sorte do Porto que do infortúnio de Tiquinho Soares, viu um Marega surgir como uma força da natureza que irrompe e deixa marcas por onde passa. A dupla é responsável por metade dos 70 gols portistas na temporada. No campeonato, o percentual é ainda maior. São 24 gols dos dois (12 de cada), 61,5% dos 39. Não é por acaso que ecoam das bancadas do Dragão cânticos como “Ohhh Abouuubakarrr uh ah faz o gollll lá lá lá lá!” ou “oh Marega, oh Marega, oh Marega vais chutar e vais marcar”. De renegados a reverenciados.


Os gols da dupla:


Aboubakar


5 - Liga dos Campeões


12 - Campeonato Português


4 - Taça de Portugal


1 - Taça da Liga


Total: 22 gols


Marega


12 - Campeonato Português


1 - Taça da Liga


Total: 13 gols