Novamente prejudicado pela arbitragem, para ser campeão, o Porto vai precisar jogar mais bola

FC Porto divulgação
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Sérgio Conceição deixou a desejar nas opções que tomou em Moreira de Cónegos


O FC Porto tropeçou em Moreira de Cónegos. Em uma má exibição, os azuis e brancos foram incapazes de vencer o limitado Moreirense e perderam dois pontos na luta pela reconquista do título nacional, que já lhes escapa há quatro anos. O empate sem gols frente à equipe de Sérgio Vieira (sim, aquele português que treinou Atlético-PR, Ferroviária e América-MG, dentre outros) encerra um mês de janeiro portista marcado por algumas atuações menos boas e que deixam a mensagem bem clara para Sérgio Conceição (que voltou a estar mal na leitura do jogo e nas substituições) e seus comandados. Mais uma vez prejudicado por erros da arbitragem, para ser campeão, o Porto vai ter que seguir a máxima de José Maria Pedroto ("Não lhe basta ser melhor. Tem de ser muito melhor. Por quê? Porque, na dúvida, os árbitros são contra o Porto") e por isso precisa jogar muito mais bola.


Tudo bem que o Porto já foi prejudicado em quatro pontos por erros de arbitragem (dois deles no clássico com o Benfica), fora outros jogos em que os erros dos árbitros e VAR não tiveram interferência no resultado final. Tudo bem que na noite desta terça-feira, o Porto voltou a ter um pênalti a seu favor não assinalado e ainda teve um gol anulado em lance bastante duvidoso. Contudo, os Dragões não podem se dar ao luxo de continuarem a dar 45 minutos de avanço aos seus adversários, como nesta terça contra o Moreirense, ou nos jogos com o Estoril (em que o Porto está perdendo ao intervalo), Feirense ou Guimarães (que um segundo tempo magnífico fez esquecer o mau primeiro tempo). Tampouco sofrer desnecessariamente como contra o Tondela, em casa.


A verdade é que o jogo com o Moreirense reflete o que tem sido o Porto nas últimas rodadas, especialmente fora de casa, diante de retrancas bem armadas. Com os jogadores mais utilizados nesta temporada demonstrando nítidos sinais de cansaço, a equipe azul e branca foi lenta e previsível nos 45 minutos iniciais em Moreira de Cónegos. Como já tinha sido no primeiro tempo no Estoril. Claro, a história do jogo poderia ter sido outra, caso Brahimi tivesse marcado um gol feito aos 41 minutos do primeiro tempo. A falha do argelino, entretanto, também expõe alguma displicência com que os portistas abordam alguns lances diante de adversários supostamente mais frágeis.


Sérgio Conceição bem pode se defender, argumentando que não tem culpa se Felipe foi lento e com pouco ímpeto à bola no rebote da falta cobrada por Alex Telles, aos seis da segunda etapa. Muito menos pode ser responsabilizado pelas falhas clamorosas de Soares em, no mínimo, duas oportunidades, ou do mau cabeceamento de Waris aos 45 do segundo tempo.


O treinador, contudo, não pode se eximir daquilo que lhe cabe. Eu nem vou falar da insistência com José Sá no gol, quando tem Casillas no banco, pois nesta terça Sá não comprometeu (ao contrário do Estoril). Mas, sim da forma como Conceição lê o jogo e de suas substituições. Esta não foi a primeira, nem a segunda e temo que não tenha sido a última vez, que o técnico portista demorou demasiado tempo para fazer substituições na equipe. E, mais preocupante, quando as fez, conseguiu piorar o time.


O Porto, em Moreira de Cónegos, não deu apenas 45 minutos de vantagem ao adversário. Deu 67. Foi o tempo que Conceição levou para fazer a primeira substituição em um time que estava vivendo uma noite extremamente infeliz, falhando passes, sem profundidade nas pontas e desperdiçando as oportunidades que surgiam. A entrada de Soares, mesmo que o brasileiro tenha perdido dois gols, deu outra movimentação ao ataque portista e pecou por tardia. A substituição seguinte é incompreensível. No melhor momento da equipe, com um jogo mais direto e com presença marcante na área após a entrada de Soares, tirar Aboubakar para colocar Waris (jogador mais de lado), não foi a opção mais feliz. A entrada de Sérgio Oliveira apenas aos 43 minutos, para refrescar um meio de campo com apenas dois jogadores e que sentiu sobremaneira a ausência do lesionado Danilo, também não colaborou para o desfecho insatisfatório que se viu ao apito final.


Jornal O Jogo
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Tribunal d'O Jogo unânime: pênalti não marcado sobre Felipe, erro do árbitro e do VAR


O gol anulado a Waris já ao cair do pano foi de marcação duvidosa. Já o pênalti sobre Felipe, que levou um soco do goleiro Jhonatan (caçou borboleta e só encontrou a cabeça do zagueiro brasileiro), se o árbitro não viu, não se entende porque o VAR não agiu. Seja como for, desta vez o Porto não pode se escorar apenas nos erros de terceiros para justificar este insucesso. É preciso reconhecer que foram as próprias deficiências portistas que contribuíram de forma decisiva para que o time perdesse dois pontos preciosos na briga pelo título. Pedroto já nos ensinou. Não basta ser melhor. Há que ser muito melhor. Por isso, a equipe vai ter que jogar bem mais bola do que jogou em janeiro se quiser levar a torcida aos Aliados em maio.