Para o Porto, jogo contra o Benfica vai muito além do futebol

FC Porto divulgação
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Em 2016, Porto venceu o rival na Luz. Dragões precisam da vitória neste domingo


Finalmente! O grande clássico português já é neste domingo. O FC Porto vai ao estádio da Luz, em Lisboa, enfrentar o Benfica em jogo decisivo na briga pelo título do Campeonato Português. Infelizmente, para nós portistas, os Dragões vão à capital um ponto atrás do rival na classificação - graças a erros de arbitragem/VAR que prejudicaram os azuis e brancos, deturpando a verdade desportiva. Por conta disso tudo, este clássico, cuja rivalidade vai muito além das quatro linhas do gramado, ganha contornos de desforra para o Porto, que precisa da vitória a todo custo. A partida terá transmissão ao vivo da ESPN Brasil, às 13h55.


O sociólogo Richard Giulianotti diz que “o futebol é uma das grandes instituições culturais, (...) que forma e consolida identidades nacionais no mundo inteiro”. Como fenômeno cultural que é, o futebol reflete os contextos cultural, social, político e econômico nos quais se encontra inserido. Assim, também tem a capacidade de criar e consolidar identidades locais e regionais. É dentro deste âmbito que o FC Porto, suas cores e seu brasão (“que leva o escudo da cidade”, como canta o hino),simbolizam dentro de campo a identidade portuense e também do Norte de Portugal.


Por isso, quando entram em campo para disputar aquele que é hoje o maior clássico português, Porto e Benfica levam para o gramado muito mais que uma rivalidade entre dois clubes de futebol. Ambos representam duas cidades e duas macrorregiões: Porto x Lisboa; Norte x Sul. Este clássico representa a eterna rivalidade entre as duas maiores cidades portuguesas e cada uma representa a sua região, o Porto muito mais identificado com o Norte do que Lisboa com o Sul, por razões históricas.


Quem olha para Portugal, sem conhecer bem a sua história e talvez por conta da dimensão do país, pode não imaginar que desde os tempos mais antigos, o país convive com uma divisão fortemente marcada por suas duas grandes cidades. E, atualmente, é no futebol que esta divisão se aflora mais e se manifesta de forma mais acentuada.


O FC Porto é o único clube fora da capital com dimensão nacional (e o maior a nível internacional, com sete títulos contra três dos dois rivais lisboetas juntos). Em um país visto pelos habitantes de várias regiões como centralizador, trata-se de um feito por si só notável. E, por isso, os Portos, clube e cidade, tornaram-se focos de resistência, símbolos do inconformismo com o centralismo. O FC Porto, para os portistas, seria o baluarte do Norte, “cada vez mais esquecido e amordaçado”, como certa vez disse o presidente azul e branco Pinto da Costa.


Portanto, não se trata de um mero jogo de futebol. Não vamos ao estádio da Luz apenas em busca da liderança do Campeonato Português. Este clássico não vale apenas a briga pelo título nacional. Vale a nossa honra, pois como escreveu Pedro Marques Lopes em sua coluna no jornal A Bola, “temos de ser melhores e ganhar porque temos de mostrar que não há padres e missas que sejam maiores do que a nossa alma”.


Está no nosso DNA a bravura de um povo valente e resistente, que fez do Porto a cidade invicta. Temos que mostrar, com a nossa “pronúncia do Norte”, que somos mesmo o povo mais forte. “E quando alguém se atrever a sufocar o grito audaz da tua ardente voz. (...) Verás vibrar a multidão num grito só de todos nós” - Porto, Porto, Porto, Porto!