Há um abismo entre os treinadores de PSG e Real Madrid

Getty Images
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Paris não jogou mal, mas pecou mais uma vez nos detalhes


A expectativa era grande, e a qualidade do jogo correspondeu. O Paris se comportou de forma mais madura na casa de um gigante europeu, mas, ao final, os detalhes que fazem a diferença nos grandes jogos penderam mais uma vez a favor do adversário.


A começar que nós não seremos campeões da Champions enquanto não tivermos um nome de peso no banco. Unai Emery, pela enésima vez, errou em várias de suas apostas esta noite. Optou por deixar Thiago Silva no banco e escalar Kimpembe, que foi muito bem na marcação, mas um terror na saída de bola – o segundo gol espanhol saiu em um dos vários erros dele no quesito. Na proteção, nosso ponto fraco, o treinador basco elegeu a pior opção possível. Sem Motta, eternamente lesionado, e com um Diarra ainda buscando ritmo, Emery apostou no promissor Lo Celso, que pode fazer muito bem a função de primeiro volante contra equipes pequenas, mas jamais diante de um Real Madrid no Bernabéu. O argentino vinha fazendo uma primeira etapa boa diante da fogueira que lhe foi apresentada, até cometer um pênalti completamente infantil, digno de quem não é especialista na marcação e tem que aguentar a pedreira de correr atrás dos maiores craques do mundo.


O Paris errou muito nas saídas de bola, especialmente com o citado Kimpembe e Verratti, sempre confiante demais. A única forma de sair jogando era dando a bola para Neymar se virar, e como ele se virou. Chamava a responsabilidade e tirava o time do sufoco, mas seu excesso de vontade de brilhar neste duelo atrapalhou o jogo coletivo durante a maior parte do tempo. O Paris só via Neymar em campo, e Neymar só via ele próprio também, mas quando a equipe passou a usar outras armas, como Rabiot, Mbappé e Cavani, as coisas fluiam mais.


Divulgação/PSG
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Há um abismo entre os treinadores atuais de PSG e Real Madrid


Na etapa final, o Paris dominou, mas não matou o duelo. Até Unai tirar Cavani e colocar Meunier, fazendo a equipe ganhar velocidade, mas abrir um buraco pela direita e perder qualquer presença imaginável na área adversária. E se nós temos Emery, eles têm Zidane, que colocou Asensio em campo e mudou a maré. Sofremos mais dois gols, e o 3 a 1 parece um resultado muito rigoroso pelo o que foi mostrado em campo, mas justo se levarmos em conta a palavra-chave de qualquer grande confronto: o detalhe.


Ainda estamos vivos e acredito em uma classificação parisiense, até porque em casa somos outra equipe. Mas a tarefa ficou muito mais difícil, e ao que parece novamente dependeremos que os talentos individuais nos salvem de um técnico medíocre para nossas pretenções. É óbvio que a culpa não é só dele, mas como torcedor já estou cansado de vê-lo tomando atitudes errôneas que nos custam caro ao final.


O jeito é fazermos o Parc pegar fogo na volta, além de rezar para que o MCN esteja mais inspirado. Ainda assim, acredito na classificação!