No clássico de Madrid, o grande vencedor foi o Barcelona

No último sábado, o estádio Wanda Metropolitano recebeu o primeiro clássico de Madrid de sua história e, definitivamente, um palco tão bonito merecia um jogo de melhor qualidade. Real Madrid e Atlético de Madrid ficaram no 0 x 0 e seguem assistindo o Barcelona nadar de braçada no Campeonato Espanhol. A distância dos catalães para os dois times da capital já chega a 10 pontos e uma recuperação madridista torna-se cada vez mais remota.



O jogo, em si, nem foi dos piores. Sobretudo se comparado às recentes atuações do Real Madrid, que beiraram o desinteresse absoluto e uma falta de garra poucas vezes vista. Dessa vez a postura dos jogadores foi bem diferente, quase nos fazendo lembrar do time da temporada passada, aguerrido e abafando o adversário durante boa parte da partida.


Porém, mais uma vez, a pontaria deixou a desejar. Durante o último período de data FIFA, Zidane garantiu que uma de suas prioridades seria treinar finalizações, para que o aproveitamente dos homens de frente deixasse de ser tão baixo. Mas, ao que tudo indica, todo esse treinamento não surtiu efeito. Cristiano Ronaldo seguiu aparecendo muito no jogo, dando passes e chutando bastante, mas sem conseguir converter as chances em gol. E Benzema, como já vem sendo costumeiro, esteve muito abaixo daquilo que pode render.


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Faltou explosão para Cristiano chegar antes de Lucas


Aqui vale fazer uma observação importante: por mais que as críticas ao francês sejam fundamentadas e necessárias, também é preciso ressaltar que o camisa 9 faz tudo, menos a função de um camisa 9. Benzema não está ali para empurrar a bola para o gol. Essa é a função de Cristiano Ronaldo. O francês, na verdade, está ali para ajudar o português a brilhar. Isso nunca foi um problema e sempre funcionou perfeitamente bem, mas não é isso que vem acontecendo de algum tempo pra cá, tanto pelo lado dele, quanto pelo lado do melhor do mundo, que está claramente abaixo de suas condições físicas ideias. Algumas bolas perdidas no clássico contra o Atlético evidenciam isso e algo precisa urgentemente ser feito.


Isco, mais uma vez, foi o grande nome da partida. Se no primeiro tempo ele percebeu que era preciso sair do posicionamento centralizado, flutando pelos lados do campo, na segunda etapa ele voltou ao seu jogo característico e ditou o ritmo do meio campo do Real Madrid, distribuindo bolas e contribuindo com seus passes rápidos e dribles curtos. Casemiro e Varane foram os outros grandes destaques do time de Zidane, um pela solidez no meio campo e o outro pela segurança que deu à defesa merengue após a lesão que impossibilitou Sergio Ramos de seguir na partida. O zagueiro francês foi preciso nos desarmes e no jogo aéreo, além de tirar uma bola praticamente em cima da linha, após boa jogada de Fernando Torres que culminou em chute de Gameiro.


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Excelente, mas uma andorinha só não faz verão


E Zidane, mais uma vez, demorou a mexer no time. Desde antes do intervalo era evidente que Benzema e Cristiano não estavam funcionando, muito mais por causa do francês. Qualquer um percebia que a entrada de Asensio era necessária e Zizou só promoveu essa substituição faltando 15 minutos para o fim do jogo. Mesmo assim, no pouco que esteve em campo, o espanhol deu mais mobilidade ao ataque merengue, que criou boas oportunidades para abrir o marcador.


Um empate sem graça, que reflete o atual momento do Real Madrid. Mas, se formos tentar extrair algo de positivo, a mudança de postura dos jogadores já indica uma possibilidade de melhora. E Zidane precisa urgentemente parar de insistir em opções que não dão certo e passar a investir em talentos latentes do elenco. É difícil visualizar uma virada no campeonato espanhol, mas não é impossível. Principalmente porque o elenco madridista é, sim, superior aos demais concorrentes do país. As peças só precisam ser utilizadas e encaixadas da melhor forma.



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