Real Madrid: O sofrimento contra o Al-Jazira não precisava ter existido

Real Madrid e Al-Jazira se enfrentaram na última quarta-feira, pela semifinal da Copa do Mundo de Clubes da FIFA e o time merengue conseguiu uma apertada vitória por 2 x 1, garantindo, assim, a vaga na final contra o Grêmio. Mas a grande questão envolvendo esse confronto contra o time árabe é: precisava ter sofrido tanto? Precisava ter saído atrás no marcador? Havia necessidade de um desgaste tão grande para reverter o placar adverso e garantir a vitória já perto do fim?


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A tranquilidade no olhar de quem decidiria a partida


A resposta é simples: não, não precisava.


Zidane errou. Simples assim. Não houve falta de vontade dos jogadores, e eles não subestimaram o adversário. A sucessão de defesas de Ali Khaseif é a prova irrefutável disso. Os jogadores queriam liquidar a fatura o quanto antes e atacaram com tudo desde o começo, principalmente Cristiano Ronaldo, sempre sedento por gols, mas esbarraram em uma inspirada atuação do goleiro árabe, que antes dos 25 minutos do primeiro tempo já havia feito mais defesas difíceis do que os seus sonhos mais otimistas poderiam prever - com direito a um gol anulado de Benzema. Poucos minutos depois, aos 30, houve outro gol anulado, dessa vez de Casemiro.


Até na jogada do gol de Romarinho, aos 41 minutos do primeiro tempo, fica perceptível o maior volume do jogo do Real Madrid. Atacando ferozmente, o time sofreu um contra ataque e uma enorme confusão defensiva resultou no gol do brasileiro. No começo do segundo tempo, outro contra ataque deu origem ao segundo gol do time árabe, anulado por impedimento. Todos os 10 jogadores de linha do Real Madrid estavam no campo ofensivo. E é justamente em momentos assim que percebemos o erro de Zidane.


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Apesar do domínio, a defesa vacilou feio


É inegável que o adversário apresentava uma fragilidade sem tamanho. E, dessa forma, qual seria a necessidade de investir na clássica formação com três volantes, sendo dois deles - Kovacic e Casemiro - muito mais de marcação? Por mais que eles subam ao ataque, a principal característica de ambos é a defesa. Zidane tinha no banco algumas opções mais ofensivas, como Dani Ceballos, Lucas Vázquez, Marco Asensio e Gareth Bale. Seria compreensivel não lançar o galês logo de início, já que ele está voltando de lesão, mas porque não colocar Asensio formando o trio ofensivo e recuar Isco para o meio campo? O time não perderia em posse de bola, teria um volume ofensivo ainda maior e não sairia tão prejudicado na defesa, já que não precisava de um poderio tão intenso de marcação. Jogadores que voltam e ocupam espaços seria mais do que suficiente.


O time manteve a bola nos pés praticamente o jogo todo. Quando o Al Jazira tentava sair para o jogo, na esmagadora maioria das vezes o Real Madrid recuperava o controle mais por erros do adversário do que por desarmes precisos. E, sinceramente, quem não esperava que fosse assim? Era necessário ter toda atenção e respeito do mundo? Sem dúvida. Mas também é preciso ter consciência dos seus pontos fortes e dos pontos fracos dos adversários, explorá-los e chegar à vitória de forma mais tranquila, sem sustos e perigo de derrota.


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Entrou e decidiu


O gol da vitória, marcado por Bale, é prova disso. Zidane já havia promovido alterações, colocando o time mais pra cima, e na primeira jogada após a entrada do galês ele recebeu cruzamento de Vázquez e chutou pra virar a partida. Agora, pergunto eu: por que esperar para fazer isso? Não seria muito mais fácil e menos desgastante ter apostado nessa ofensividade desde o começo da partida?


A formação com os três volantes já se mostrou muito acertada, mas é preciso desapegar de algumas convicções em alguns momentos. O futebol está longe de ser uma ciência exata e a reinvenção é necessária para se manter no topo, vencendo e surpreendendo os adversário. Zidane precisa enxergar isso com maior frequência e ousar mais. Do contrário, o Real Madrid se tornará uma equipe previsível e presa fácil para os adversários.



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