Ano novo, problemas antigos e atuações tenebrosas

Para muitas pessoas, o Réveillon serve como um rito de passagem. É na virada do ano que muitos decidem tomar rumos diferentes em suas vidas, consertar o que vem incomodando e estabelecer resoluções que muitas vezes não serão cumpridas. Traçar metas para o futuro que se anuncia é algo saudável e pode surtir resultados altamente positivos, desde que as medidas corretas sejam tomadas. E a torcida do Real Madrid tinha esperanças de que a mudança no calendário trouxesse novos ares para Valdebebas, mas, infelizmente, não há qualquer indício de que isso irá acontecer.


No primeiro jogo do ano, contra o Numancia pela Copa del Rey, as coisas já não foram animadoras. A vitória por 3 x 0 não reflete nem de longe o que foi a partida, que contou com um gol de Gareth Bale ainda no primeiro tempo, de pênalti, e se manteve até quase o apito final com o placar mínimo. A dois minutos do fim, em outra penalidade máxima, Isco fez o segundo, e três minutos depois, já nos acréscimos, Mayoral aumentou.


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A vitória contra o Numancia não esconde que o time jogou mal


Foi uma das raras ocasiões em que Zinédine Zidane levou a campo o seu time B (com exceção de Bale), que na temporada passada tanto trouxe alegrias para a torcida. Mas o time B mudou e está mais fraco. Ainda assim, não quer dizer que os jogadores não possuem qualidade. Eles são bons e promissores, todos muito jovens, e a úncia forma de se desenvolverem é jogando, algo que Zizou não vem promovendo com tanta frequência. Esse jogo seria uma boa oportunidade para isso, mas o futebol apresentado foi muito abaixo das expectativas e o Numancia, em tese, não deveria ter oferecido tantas resistências para o Real Madrid.


Veio o primeiro jogo do campeonato espanhol no ano e havia um misto de expectativa e temor por parte da torcida. E esses dois sentimentos se concretizaram no confronto contra o Celta, 15º colocado na tabela. O lado positivo foi a exibição de Gareth Bale, que marcou os dois gols que vinham garantindo a vitória por 2 x 1, após o time da Galícia abrir o marcador em um golaço de Wass, numa monumental falha da defesa merengue.


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Bale bate na saída do goleiro e faz o primeiro


Mas se o primeiro tempo terminou com vantagem blanca, a segunda etapa foi um show de horrores. Um festival de erros infantis, passes bisonhamente equivocados, falhas de marcação, desinteresse por parte dos jogadores. Os atletas andavam em campo e davam a impressão de que poderiam decidir a partida assim que quisessem, mas, aparentemente, não quiseram. Cristiano Ronaldo andava em campo. Kroos e Modric, quase sempre impecáveis, estavam em uma sintonia completamente diferente. Marcelo parecia ter sido abduzido e trocado por um clone de qualidade duvidosa.


Por sorte tínhamos Keylor Navas, que alguns insistem em afirmar não ser um goleiro de nível para o Real Madrid. Mas o costa-riquenho estava lá nas investidas do Celta e chegou a pegar um pênalti cobrado por Iago Aspas. Pouco depois, entretanto, ele nada pôde fazer quando Maxi Gómez subiu livre de marcação no meio da defesa para cabecear. Outra falha digna de Oscar.


Como se não bastasse a tragédia em campo, Zidane, mais uma vez, demorou um século para mexer. O que o Real Madrid mais precisava era de velocidade e força ofensiva, mas ao invés disso ele preferiu trocar seis por meia dúzia, tirando Isco e Modric e lançando Kovacic e Lucas Vázquez. Asensio, coitado, continuou esquentando o banco e só foi chamado pelo treinador a oito minutos do fim, para entrar no lugar de Bale. Ou seja, mais uma vez o técnico francês não mexeu na estrutura do time e seguiu da mesma forma que iniciou o jogo.


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Desolação e apatia


Faltou ousadia. Faltou vontade. Faltou empenho. Faltou garra. Faltou vergonha na cara. Nesse jogo e em vários outros. Não fosse Zidane o técnico, daria para afirmar que algo muito comum no futebol brasileiro - e que também acontece na Europa - está ocorrendo lá: os jogadores atuando propositadamente mal para queimar o treinador e forçar sua demissão. Mas Zizou, segundo todas as notícias, tem os jogadores a seu lado e todos gostam muito de trabalhar com ele (exceto, claro, aqueles que não são aproveitados de jeito nenhum).


Uma coisa é certa: as coisas não estão funcionando e algo precisa ser feito. Dezesseis pontos atrás do líder e correndo o risco de ter que brigar por vaga na Champions League não é a posição que o Real Madrid deve ocupar. Do jeito que está, os vexames se tornarão frequentes e uma crise sem precedentes pode acontecer.



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