O calvário do Real Madrid não chegou ao fim

O Real Madrid vive uma crise sem precedentes. Na quarta colocação do campeonato espanhol, brigando para manter-se na zona de classificação da Champions League, o time merengue enfrenta uma situação atípica, algo que não faz parte da realidade e da grandeza do clube. Quando avaliamos as duas últimas temporadas, quando o time foi bicampeão europeu, esse cenário torna-se ainda mais inacreditável.


Muito tem se falado sobre crise, sobre falhas individuais, sobre a queda de rendimento assustadora, sobre problemas internos... Mas a verdade é que ninguém consegue explicar o que acontece, de fato. O time que sagrou-se campeão da Supercopa da Europa e da Supercopa da Espanha, dando uma verdadeira aula de futebol no Barcelona, simplesmente sumiu. A teimosia de Zidane em vários momentos é um fator determinante, sem dúvida. As escalaçoes equivocadas e substituições demoradas também contam bastante. Mas, deixando isso de lado, o Real Madrid tem talento de sobra para exibir atuações com um mínimo de qualidade, o que não tem acontecido.


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O ar de incredulidade que assola todos os madridistas


Após as festas de fim de ano, havia a esperança de que a situação melhorasse. Isso não apenas não aconteceu, como os resultados e o desempenho foram ainda mais vexatórios no mês de janeiro. Apesar das excelentes vitórias por 7 x 1 sobre o Deportivo La Coruña e 4 x 1 sobre o Valencia, o empate com Celta e a derrota para o Villarreal, além do revés contra o Leganés, que decretou a eliminação do time de Zinédine Zidane da Copa del Rey, mostraram uma infinidade de erros individuais e coletivos - até porque, não há qualquer padrão tático no time.


Um dos fatos que enchia a torcida de esperança, era o retorno de Gareth Bale. O galês mostrou que, estando recuperado de lesão e bem fisicamente, é, de longe, um dos mais importantes jogadores do elenco. Bale fez gols, deu bons passes, melhorou de forma descomunal a movimentação no setor ofensivo e foi responsável por algo que os companheiros não vinham conseguindo fazer: colocar medo nas defesas adversárias.


Mas nem isso foi o bastante. O primeiro jogo de fevereiro, pela 22ª rodada da La Liga, mostrou vários dos erros já diagnosticados anteriormente. O time chegou a ficar duas vezes na frente do marcador, sendo a segunda delas já perto do fim do confronto, e em ambas ocasiões cedeu o empate após erros grotescos da defesa. O jogo foi um verdadeiro banho de água fria na torcida, que começava a enxergar uma possível mudança de postura na equipe, com um ambiente aparentemente mais leve e descontraído, o que se refletiria no campo.


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Eliminado dentro do Bernabéu, uma vergonha sem tamanho


A preocupação agora só aumenta. Faltando uma semana para o confronto com o PSG pelas oitavas de final da Champions League, não há muitas perspectivas de melhora. Apesar disso, o discurso dos jogadores mostra união entre elenco e técnico, o que pode ser um diferencial em momentos onde a qualidade não está tão presente. É inegável que os atletas podem se doar ainda mais por causa do seu comandante e, assim, começarem a sair dessa situação desconfortável e adversa. Mas garantir-se apenas nisso é extremamente perigoso.


Fica a esperança de que o time se reerga justamente na Champions League, que, apesar da dificuldade, é uma competição com a qual o Real Madrid tem um antigo caso de amor. Vamos torcer para que, no fim, a lua de mel se concretize e o saldo seja positivo. 



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