Isco rege o Real Madrid até mesmo em ritmo de treino

Após um longo e tenebroso inverno, retorno na sequência de uma partida em que o protagonista foi aquele que todos os madridistas aprenderam a amar. Não, não foi Cristiano Ronaldo, que seria a opção mais óbvia. O nome da vez, como em tantas outras, foi o do meia Francisco Román Alarcón Suárez. Isco. Mas também pode chamar de gênio.





O Real Madrid precisava de um jogo tranquilo após a volta das quartas de final da Champions League, quando conseguiu a classificação sobre a Juventus no último minuto, no pênalti convertido por Cristiano. E enfrentar o Málaga, lanterna do campeonato espanhol, era o melhor cenário que se anunciava. Por esse motivo, Zidane deu descanso para meio mundo e mandou a campo um belo de um mistão, que contava apenas com Benzema como referência no ataque, sendo amparado pelo trio Luccas Vázquez, Isco e Marco Asensio. Na contenção do meio campo, Kovacic foi o companheiro de Casemiro e na defesa Theo jogou pela esquerda, Ramos, que não jogou contra a Juve, voltou ao time titular e formou a dupla de zaga com Vallejo, e Carvajal estava na direita, com Keylor Navas no gol.


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Talento ele tem, mas precisa jogar


Acredito que em outras situações, Zizou teria dado mais minutos a Kiko Casilla, mas julgou importante manter Keylor como titular até por uma questão psicológica, para recuperar-se das duas falhas bisonhas que cometeu contra a Juventus. O mesmo pode se dizer de Jesus Vallejo, que estrava claramente inseguro e sem ritmo de jogo contra a Vecchia Signora. Apesar de promissor, ele conviveu com mais lesões que o esperado durante essa temporada e teve pouquíssimos minutos em campo.


Assim como em outras inúmeras oportunidades, uma partida do Real Madrid pelo espanhol logo após um jogo de Champions, é um martírio. O time mostra um nível completamente abaixo do anterior e muitas vezes passa sufocos desnecessários. Dessa vez aconteceu de forma semelhante, porém sem os tais sufocos. A equipe estava em ritmo de treino, mas com total controle das ações, visto a enorme fragilidade e pouca qualidade técnica e tática do Málaga.


Desde o começo da partida, Isco jogou da forma em que mais se sente confortável. Dominando o meio campo como poucos no mundo fazem, distribuindo o jogo com naturalidade e fazendo o Real Madrid ter profundidade por todos os lados que atacava. E, ao mesmo tempo, também sabia a hora de caminhar com a bola, cadenciando o jogo e buscando espaços com dribles curtos e precisos. É perceptível como o malaguenho rende melhor sem a presença de Modric em campo, já que ambos tem características parecidas - sendo que ele posiciona-se mais à frente, próximo aos atacantes, e o croata chega como elemento surpresa fazendo essa função. Esse é um dos "problemas" de ter um elenco tão talentoso, mas é uma daquelas situações que qualquer técnico tem vontade de resolver.


O placar poderia ter sido aberto por Kovacic ou Lucas Vázquez, mas quis o destino que essa função coubesse ao filho famoso da região, quem em 2013 rumou de Málaga para Madrid e agora está conquistando o mundo. Em uma bonita cobrança de falta, Isco fez o primeiro gol da noite aos 29 minutos do primeiro tempo. Comemorou apenas de forma tímida, como se pedisse desculpas àqueles que já o aplaudiram. Elegância em pessoa.


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Cobrança e atuação impecáveis


Veio o segundo tempo e, apesar de uma pequena melhora do time da casa, nenhuma ameaça efetivamente contundente foi sentida na meta de Keylor Navas. O Real Madrid seguia com a bola nos pés, jogando apenas o suficiente, quase que descansando, já visando a reta final da temporada. E se as coisas já estavam difíceis para o Málaga, complicaram ainda mais aos 18 da segunda etapa: após recuperação de bola de Casemiro, o time merengue partiu em velocidade para o contra ataque, com Benzema conduzindo a bola. O francês deu bom passe pra Isco, que poderia ter emendado para o fundo do gol, mas preferiu rolar para o meio da área, onde o volante brasileiro que havia iniciado a jogada se apresentava. E aí foi só correr para comemorar.


Benzema merece destaque também. É inexplicável o que acontece com o francês, já que o gol não sai de jeito nenhum. E isso, para um jogador que ostenta a camisa 9, é um grande problema. Entretanto, em paralelo a isso, ele continua sendo um jogador perigoso na construção das jogadas e para atrair a marcação dos adversários. É pouco para um atacante como ele, sem dúvida, mas ele não é a tragédia que muitos o acusam de ser. A torcida pela sua melhora é enorme, pois é um jogador com grande qualidade, dedicado e que já mostrou que realmente ama estar onde está, afinal, após tudo que já leu e ouviu, mantém sua postura e cabeça erguida. Não é qualquer um que conseguiria isso.


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Deve ser frustrante se dedicar tanto e não ver o resultado chegar


O fim do jogo ainda reservou o gol de honra dos blanquiazules, com Rolan, já nos acréscimos. Nada que ofuscasse mais uma atuação de gala de um dos melhores meias do futebol mundial. É um privilégio que Isco seja do Real Madrid. E que siga como merengue durante muito tempo, pois seu futebol é de encher os olhos de qualquer madridista.



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