O Real Madrid respira Champions League mesmo quando vai mal

O palco estava montado para o começo da derrocada madridista. A temporada não é das melhores e, apesar de um Cristiano Ronaldo avassalador na Champions League, o time segue com atuações pra lá de discutíveis no campeonato espanhol. O adversário - Bayern de Munique - é uma das melhores equipes do mundo e o último jogo pela competição europeia, contra a Juventus, deixou uma série de questionamentos na mente de muitas pessoas. Mas, assim como no confronto contra a Vecchia Signora, o Real Madrid mostrou que tem a maior competição de clubes no seu DNA. E, mais uma vez, mesmo com desempenho distante do esperado, o atual bicampeão europeu saiu com a vitória.


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Faltam dois jogos para a 13ª


Zidane optou por uma formação tática um pouco diferente das habituais. Com Casemiro mais recuado, fazendo a proteção direta aos defensores, Kroos, Modric e Isco estavam posicionados à sua frente, com Lucas Vázquez levemente mais avançado, encostando em Cristiano Ronaldo. Logo de cara essa opção não se mostrou interessante: o já tradicional losango, com Isco encostando nos homens de frente, não existia, e Vázquez não dava a profundidade necessária ao time. Isso fazia Cristiano ficar muito isolado e diminuiu o poder de criação da equipe.


Defensivamente o time também não se portava bem. A cobertura não funcionava como devia e a defesa ficava muito exposta, o que era nítido, dada a vantagem dos bávaros no começo da partida. O gol de Kimmich, aos 28 minutos, também serve para ilustrar isso. Em um contra ataque impecável, o Bayern chegou com enorme facilidade à área madridista e o lateral direito bateu forte para abrir o marcador - em mais uma falha de Keylor Navas.


O domínio dos donos da casa seguia evidente e eles estavam muito mais próximos de ampliar o marcador do que o Real Madrid de empatar. Mas pouco antes do fim da primeira etapa, a sorte mudou de lado. Após um cruzamento de Carvajal que aparentemente não daria em nada, Marcelo chutou forte da entrada da área, para a surpresa de todos - inclusive do goleiro Ulreich que mal esticou o braço - e mostrou que o time merengue estava mais vivo do que nunca na semifinal.


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O chute de Marcelo foi indefensável


Veio o segundo tempo e os alemães, ainda que mantendo o constante perigo, já não mostravam mais a mesma intensidade dos 45 minutos iniciais. As precoces saídas de Robben (Thiago Alcántara entrou em seu lugar) e Boateng (substituído por Süle), ambos por lesão, deixaram o time mais cauteloso, afinal, restava apenas uma substituição a ser feita. Mesmo assim isso não foi o bastante para dar menos trabalho a Keylor Navas, que teve tempo de sobra para se recuperar da falha no primeiro gol - mas a gente não esquece, anota no caderninho e essa conta ainda vai ser cobrada.


Zidane reconheceu que mudanças precisavam ser feitas e começou a mexer no time. Primeiro com Asensio, que entrou no intervalo, no lugar de Isco, e já deu uma dinâmica diferente ao setor ofensivo. Kroos e Modric passaram a trabalhar mais na cobertura e o time passou a equilibrou um pouco as ações, mais na base da vontade do que na criatividade, que fique claro.


E o espanhol mostrou que tem estrela. Aos 12 minutos, após de uma falha vergonhosa de Rafinha, Marco Asensio recuperou a bola e lançou Lucas Vázquez na velocidade. Ele avançou enquanto o companheiro avançava sozinho e no momento certo devolveu o presente. Asensio só teve o trabalho de escolher onde colocaria a bola e bater com categoria. O gigante, definitivamente, estava de volta. Benzema e Kovacic ainda foram a campo, no lugar de Carvajal e Casemiro, respectivamente, mas sem surtir tanta diferença pro que já vinha acontecendo.


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Essa cena já se tornou comum em jogos decisivos


A partida seguiu o mesmo desenho até o fim. Bayern um pouco melhor, mais criativo, e o Real Madrid esbanjando garra e vontade, se superando e levando sempre a melhor. Os pupilos de Zidane mostraram característica semelhante à temporada passada: não se entregar nunca e acreditar em todas as bolas, independente que a lógica diga que não dará certo. 


Um time campeão é feito exatamente disso e, ainda que a vantagem não seja sinônimo de favoritismo no jogo de volta, na próxima semana o Real Madrid irá com muito mais moral a campo. O Santiago Bernabéu vai ferver. Que venham os alemães!



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