Real Madrid chega à quarta final europeia em cinco anos e mostra sua vocação copeira

Os madridistas podem - e devem - se orgulhar. O feito que os comandados de Zidane conquistaram na última terça-feira, no Santiago Bernabéu, é algo poucas vezes alcançado na história do futebol. Com o empate em 2 x 2 contra o Bayern de Munique, o Real Madrid chegou a sua quarta final de Champions League em cinco anos e pode conquistar o terceiro título consecutivo, algo que nenhum time fez na era moderna da competição e que a última vez que ocorreu, nos moldes antigos, foi com o próprio Bayern, entre os anos de 1973 e 1976.



Mas antes que comece o mimimi, deixo claro: sim, houve pênalti de Marcelo. Pênalti claro, não intencional, que o juiz não viu, errou e não marcou. Da mesma forma que ele também deveria ter dado alguns cartões amarelos para jogadores do Bayern, em faltas que paravam contra ataques, e não o fez. Apenas o Real Madrid ficou pendurado com cartões - a maior parte corretos, diga-se de passagem. E ele ainda estendeu demais aqueles minutos adicionais no segundo tempo, o que, por pouco, não fez esse que vos escreve passar mal e ir parar no hospital. 


Pois bem, dito isso, vamos à partida.


Novamente o clichê da moda, "saber sofrer", pode ser utilizado para definir o confronto. O Real Madrid, assim como na Alemanha, soube sofrer contra o Bayern de Munique e contou com uma considerável dose de sorte - a falha grotesca do goleiro Ulreich foi decisiva para os rumos da partida. O lance, que ocorreu no primeiro mimuto do segundo tempo, foi um banho de água fria nos bávaros, que haviam dominado a primeira etapa, mas que, a exemplo do jogo de ida, não souberam manter a vantagem no marcador, já que pouco depois da abertura do placar sofreram o empate em uma cabeçada de Benzema - sozinho, com todas as atenções dentro da área voltadas para Cristiano Ronaldo.


Getty Images
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Uma celebração mais do que merecida


Existe outra frase clichê pode ser usada para definir essa partida: "Os humilhados serão exaltados". Foi exatamente isso que aconteceu com Keylor Navas e Karim Benzema. O goleiro costa-riquenho que cometeu falhas graves contra a Juventus e no primeiro jogo contra o Bayern de Munique, foi simplesmente impecável dessa vez. Ele fez, pelo menos, oito defesas dificílimas e não teve culpa nenhuma nos gols sofridos. Passou a segurança que a defesa precisava e foi um dos grandes nomes em campo. Benzema é um caso ainda mais emblemático, já que desde a temporada passada convive com vaias e críticas de boa parte da torcida. Dessa vez, com Cristiano extremamente bem marcado, coube a ele a função de abrir o placar e também foi dele o segundo gol, mostrando atenção e perseverança em todo o momento - até mesmo em uma bola que, em tese, não teria dificuldade alguma para o goleiro. O francês merece elogios não apenas pelos gols, mas por sua movimentação e voluntariedade durante todo o tempo em que esteve em campo. Saiu merecidamente aplaudido.


Outro jogador que vinha mostrando certa irregularidade mas que sai reforçado desses dois confrontos, é Varane. O zagueiro francês teve atuações seguras e mostrou a já conhecida qualidade no jogo aéreo, além de precisão nos desarmes e antecipações. Kovacic e Lucas Vázquez são outros dois exemplos de atletas que se destacaram além do esperado contra o Bayern. O primeiro, substituindo o incontestável Casemiro, e o segundo atuando na lateral direita, função que nem de longe é a dele. Com pouquíssimo poder de marcação, Vázquez se garantia na cobertura do meias - sobretudo Modric, com uma atuação soberba -, mas, mesmo assim, começou comprometendo bastante o setor - e os bávaros, inexplicavelmente, investiram pouco no lado direito da defesa merengue. Zidane, percebendo essa fragilidade, mandou Nacho para o aquecimento, claramente para apenas dar a impressão de que mexeria no time logo cedo. Em pouco tempo as coisas se encaixaram e o lado direito ficou um pouco menos exposto do que estava.


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Nós é que temos que agradecer


Por fim, quem merece aplausos de pé é Zidane. A torcida madridista é uma das mais cruéis do mundo. A que vai ao estádio é extremamente impaciente e a que fica no sofá, apenas reclamando na internet e repetindo discursos prontos, é pior ainda. E ela não teve nenhum pudor ao criticar o técnico que por duas temporadas seguidas levou o time ao topo mais alto do mundo. Não, não foi sorte. Não foi por acaso. Não foi apenas pelo inegável talento do melhor elenco do mundo. Existe, sim, a influência de Zizou de forma intensa e decisiva. Isso não quer dizer, em absoluto, que ele sempre tenha optado pelas melhores decisões. Errou e errou feio diversas vezes, seja pela teimosia ou pela demora em fazer alterações, mas qualquer técnico tem os seus defeitos. Todos têm o seu lado Professor Pardal, que inventa algo que ninguém entende e que, às vezes, acaba dando muito certo. Foi o que ocorreu com Lucas Vázquez na lateral direita, por exemplo. Ou trocar o certo pelo duvidoso, com Kovacic no lugar de Casemiro. Isso apenas pra citar dois exemplos. O técnico manteve-se fiel a sua postura de não mandar a campo um atleta recém recuperado de lesão, que era o caso de Nacho, a escolha natural com a ausência de Carvajal no lado direito, e, dentro das possibilidades, foi feliz na sua escolha.



O Bayern foi melhor em campo? Foi, nas duas partidas. Tiveram mais posse de bola, mais chutes a gol, foram mais criativos... Mas os madridistas souberam aguentar a pressão e jogar para conseguir a vaga. Como disse Toni Kroos em uma entrevista após o jogo, o time não foi o melhor, mas sim o mais efetivo. É isso que faz uma equipe crescer em jogos decisivos e eliminatórios e é isso que Zidane e seus atletas vêm fazendo, jogo a jogo da Champions League. Um time cascudo, experiente, copeiro, que luta até o último segundo e que está acostumado a grandes momentos. Mesmo jogando pior que o adversário, segue sendo perigoso e favorito. E não há como explicar como isso acontece, porque isso simplesmente é o Real Madrid.



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