Real Madrid conquista a Champions pela 13ª vez: um título com muitos protagonistas

Nesse sábado, o Real Madrid escreveu mais um importante capítulo na sua história. Com a vitória por 3 x 1 sobre o Liverpool, o time comandado por Zinédine Zidane conquistou pela terceira vez consecutiva o título da Champions League, algo que não acontecia desde a década de 70. Somado à conquista de 2014, quando derrotou o Atlético de Madrid, e às outras nove no currículo, os merengues chegam a treze títulos europeus e confirmam o recente reinado no futebol mundial.


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Campeones!


Mais uma vez, o time chegou à decisão desacreditado por uma parcela considerável da mídia e dos fãs de futebol ao redor do mundo. A temporada irregular era um dos grandes motivadores desse ponto de vista, mas outro fator importante era o adversário: o Liverpool fez uma temporada incrível, com excelentes atuações coletivas e individuais, e finalmente se reergueram da crise que vinham enfrentando nos últimos anos.


Apesar de toda essa qualidade, houve um momento da temporada em que acreditou-se que o time começaria a patinar e sair do rumo das vitórias: a saída de Philippe Coutinho. Mas, ao contrário de alguns prognósticos, a equipe continuou jogando bem e foi o único time inglês a conseguir bater de frente com o poderoso milionário Manchester City, tendo vencido-os na Premier League e na própria Champions League. E, claro, o fantástico trio de ataque, formado por Sadio Mané, Roberto Firmino e Mohamed Salah, prometia infernizar a defesa merengue. E infernizaram mesmo, até certo ponto.


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Cristiano quase abriu o placar no primeiro tempo


A pressão inicial do Liverpool se deu, principalmente, pela qualidade dos jogadores de frente. A tática de valorizar a posse no campo ofensivo e pressionar a defesa quando perdiam as jogadas, estava deixando o Real Madrid claramente desconfortável, ainda que seja uma equipe que saiba jogar bem sem a bola. Porém, tudo mudou na metade do primeiro tempo, quando Sergio Ramos e Salah se enroscaram e o egípcio levou a pior. Com a queda, o atacante dos Reds teve uma lesão no ombro e, mesmo tentando ficar em campo, não foi possível. Os dois atletas começaram o lance enrolando os braços e o capitão Merengue se manteve assim até a queda. Um acidente de trabalho que poderia ter sido evitado, mas, ainda assim, um acidente. Não houve maldade no lance.


A partir de então, o cenário mudou. Os jogadores do Liverpool sentiram o baque de perder sua principal referência e diminuíram a pressão, ao mesmo tempo que o Real Madrid percebeu o bom momento e passou a ter mais volume de jogo. Mas o zero só saiu do placar no segundo tempo, na primeira falha grotesca do goleiro Karius. Ao tentar sair a bola com as mãos, Benzema esticou a perna, interceptando a bola e a empurrando direto pro gol.


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Benzema fez valer a camisa 9


O francês já vinha sendo um dos melhores em campo, deixando de lado as críticas que o acompanham há tanto tempo. Desde a semifinal contra o Bayern ele mostrava uma postura diferente, mais seguro e participativo, e foi isso que vimos mais uma vez. Um dos grandes responsáveis por isso é Zidane. O técnico falou à exaustão o quanto confiava no atacante e que contava com ele para todos os momentos decisivos da temporada. A forma com que Zizou administra o elenco mostra claros resultados, com cada atleta tendo certeza de que é uma peça chave para o sucesso da equipe. Tanto que Xavi Hernández, um dos recentes rivais do Real Madrid, já teceu comentários a respeito:



"Nós, futebolistas, somos um pouco sectários. Se Guardiola lhe diz algo, você acredita cegamente. Por quê? Porque foi um jogador excepcional. E o mesmo parece acontecer com o Real Madrid. Os jogadores acreditam em Zidane. Está claro que ele chegou e fez isso com o vestiário. Basta ver a alegria com que os reservas comemoram os gols. São esses detalhes que demonstram que um treinador conseguiu unir o elenco."



O Real Madrid de Zidane funciona de forma única. O time sabe sofrer quando necessário, absorver e enfrentar críticas, se doar em campo e lutar incansavelmente até o último minuto das partidas. Já vimos situações semelhantes acontecerem com Keylor Navas, com Varane, Isco, Cristiano Ronaldo, Gareth Bale e outros atletas do elenco. E o galês foi outro dos contestados que viu a luz dos holofotes brilhar mais forte nessa decisão.


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Saindo do banco para mudar a história


Com a entrada de Bale no lugar de Isco, o famoso trio BBC dava às caras novamente, algo raro há tempos. E já no primeiro toque na bola o galês assinou uma obra de arte, emendando com uma desajeitada bicicleta o cruzamento de Marcelo e colocando o Real Madrid na frente mais uma vez, para delírio dos torcedores no estádio e ao redor do mundo. O Liverpool até tentou oferecer algum perigo, mas o próprio Gareth Bale enterrou de vez as esperanças inglesas com um potente chute de fora da área que, em tese, não ofereceria tanto perigo. Mas a noite, definitivamente, não era de Karius e mais uma vez ele falhou de forma grosseira, engolindo um clássico frango.


Foi a primeira vez que um time foi a campo em uma decisão de Champions League com a mesma escalação da temporada anterior. De lá para cá, algumas mudanças no elenco aconteceram e alguns chegaram a dizer que ele ficou mais enfraquecido. Se ficou, mesmo, ou não, não é o que importa agora. O que precisa ser enaltecido é o trabalho desenvolvido por Zidane, que em dois anos e meio como técnico já conquistou nove títulos e fez o Real Madrid novamente conquistar a Europa. Adversários de todos os países já caíram diante desse time que já se tornou o principal desses primeiros 18 anos de século XXI.


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Esse time já entrou para a história


É claro que os ciclos tendem a se encerrar e renovações de elenco e ídolos precisam acontecer. As declarações de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale ao final do jogo demonstram isso, mas esse assunto precisa se tratado apenas mais para frente. Agora é hora de comemorar. É hora de lotar a Praça de Cibeles e festejar com os heróis de mais essa conquista. E é hora, principalmente, de orgulhar-se imensamente e ter a certeza de que a Champions League é o Real Madrid e que nenhum clube do mundo pode pensar em igualar isso. Somos os maiores, somos os melhores. Hala Madrid!



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