De contrato renovado, é hora de Bale voltar a brilhar

As expectativas para a temporada de Gareth Bale eram enormes. O galês apresentou, em 2015/2016, seu melhor futebol desde que chegou ao Real Madrid, e nem mesmo as lesões o impediram de ser o madridista mais regular da temporada, de Benítez a Zidane.


Chegou, então, no auge de sua forma à Eurocopa da França, na qual manteve o nível brutal ao conduzir País de Gales a uma histórica semifinal. Tantas credenciais apontavam o jogador como um dos favoritos a ser finalista dos prêmios – agora separados – da Bola de Ouro e de melhor jogador do mundo da FIFA, embora enfatize não ser uma ambição de sua carreira.


Bale esbarra, no entanto, em um início de temporada inconsistente. A título de comparação, somou 78 participações em gols nos 81 jogos de La Liga que disputou em suas três primeiras temporadas. Nesta, são quatro (três gols e uma assistência) em nove partidas. Em relação a 2015/16, cria, aproximadamente, uma chance a menos por jogo. Caíram também seus aproveitamentos em dribles e finalizações.


Já que a fase era tão boa, o que aconteceu para o camisa 11 apresentar queda de rendimento? É extremamente superficial apontar uma única causa, mas o isolamento na ponta direita é o principal dos motivos.


Getty Images
Getty Images

Um Bale ainda tímido em 2016/2017


Enquanto Benzema e Cristiano Ronaldo se alternam entre a ponta esquerda e o centro de ataque, Bale segue preso ao seu lado do campo. As movimentações de desmarques e associações com meio-campistas e companheiros de ataque, características marcantes, pouco apareceram até aqui.


A lesão de Luka Modrić é outro fator que prejudica Gareth. Com entrosamento que vem desde os anos de Tottenham, o croata posiciona-se mais à direita no 4-3-3 de Zidane e ativa o galês em diversos momentos da partida, além de formar triângulos de passe quando Carvajal chega ao ataque. Kovačić está se saindo muito bem durante a ausência do compatriota, mas possui estilo diferente e flutua mais por todos os setores do meio-campo.


À pouca influência atual de Bale, ratificada pelas estatísticas, soma-se o ótimo momento vivido por Lucas Vázquez. O canterano sempre entra bem e produz elevado número de oportunidades nos minutos que recebe, justamente no setor em que atua El Príncipe de Gales. Quando os dois estão em campo, Gareth é deslocado para a esquerda, na faixa onde se destacou na Inglaterra.


Porém, ao adotar essa formação, o jogo ofensivo madridista costuma se limitar a cruzamentos e mais cruzamentos para a área, subaproveitando as qualidades dos homens da frente. Uma das alternativas para recuperar um Bale mais participativo é posicioná-lo como “camisa 10” no 4-2-3-1 utilizado nas últimas partidas, com Vázquez na direita. Centralizado, o britânico foi protagonista do Madrid de Rafa Benítez.


Getty Images
Getty Images

Bale passou, Bartra observou: gol histórico contra o Barcelona


A nota negativa em um esquema com Gareth Bale de mediapunta fica por conta de uma eventual ausência de Isco no XI inicial. O meia é um dos principais jogadores do Madrid na temporada e coordena a maior parte das ações ofensivas da equipe, seja na cadência para trocar passes ou na velocidade para puxar contra-ataques.


Grandes craques também convivem com oscilações e assim deve ser encarado o momento irregular do galês. Os retornos de Casemiro e Modrić se aproximam, e a retomada de seu melhor nível pode acontecer na formação em que brilhou durante a temporada passada. Quanto antes, melhor para todos.


O contrato renovado até 2022 deve dar ânimo extra a um jogador que já apresenta forte identificação com o Madridismo. A história, porém, ainda guarda belas páginas a serem escritas pelo Expresso de Cardiff, como no antológico gol marcado contra o Barcelona na final da Copa do Rei de 2013/14, ou na cabeçada que tornou La Décima realidade, contra o Atlético.