Confiar em Cristiano Ronaldo é dever de todo madridista

O discurso de Florentino Pérez no ato que sacramentou a renovação de contrato com uma lenda viva do madridismo até 2021 condiz com a importância histórica do evento: “É um dia especial. Quando Cristiano chegou, sabíamos que era um jogador único. É insaciável na busca por triunfos. Segue aqui porque sua ambição é nossa ambição, não se rende e sempre quer mais. Assim como ocorreu com nossos grandes ídolos, haverá um antes e um depois de Cristiano”.


Desde julho de 2009, as imagens de Real Madrid e Cristiano Ronaldo tornaram-se indissociáveis. Experimente comentar sobre qualquer vitória da equipe e a pergunta será imediata: “Quantos gols do Cristiano?”.


A contratação do então melhor jogador do mundo era a principal cartada para recolocar o Madrid no mapa dos principais times da Europa. Na primeira temporada, de transição, mais uma amarga eliminação nas oitavas de final da Champions League. Veio, então, José Mourinho, extraiu o máximo do craque português e deu a ele a capacidade de devolver as glórias à maior instituição esportiva do planeta.


Getty Images
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Fica pra sempre, CR7!


Doze minutos do primeiro tempo da prorrogação. Tabela de Di María com Marcelo e cruzamento para cabeçada fulminante de Cristiano Ronaldo, inapelável. O gol do título da Copa do Rei de 2010/11, contra um Barcelona no auge da Era Guardiola, foi o ponto de passagem do seu status no clube. Não seria apenas mais um grande jogador na centenária história madridista. Eram os primeiros passos do herdeiro de Gento, Di Stéfano e Raúl.


Muitas foram as conquistas – individuais e coletivas – nos anos acumulados por Cristiano no Real Madrid. Falar com detalhes de cada uma delas exigiria um texto do tamanho de seu legado no futebol. Fica a certeza de que muitas outras ainda estão por vir. Ele mesmo fez questão de enfatizar: não é seu último contrato, apesar dos 36 anos de idade que terá em 2021, quando se encerra o novo acordo.


A fase técnica atual não é das melhores, disso sabemos, mas tratar esse momento atípico como definitivo chega a ser heresia. E mesmo em uma reconhecida má fase, veja só, ele lidera o ranking de participações em gols da equipe na temporada (12).


Impossível era bater o recorde de gols de Raúl com menos da metade dos jogos. Impossível era dar um título relevante a Portugal. Impossível era sair de um pequeno vilarejo na Ilha da Madeira e ganhar o mundo. Como duvidar de alguém que rompeu tantas – e enormes – barreiras? Confiar em Cristiano Ronaldo é dever cívico de todo madridista.