Previsível em dérbi fraco, Real Madrid deixa La Liga inalcançável

O Real Madrid perderá mais uma Liga. Nas últimas dez, já contando com esta, são apenas dois títulos, em 2011/12 e em 2016/17. Exceções na sequência negativa de um clube soberano na história do campeonato – nove taças a mais que o segundo maior campeão – mas que está deixando o domínio nacional escapar. Nas últimas 20 temporadas, o número de títulos espanhóis é o mesmo dos europeus: seis.


O carma caseiro é tanto que o time não consegue impor sua superioridade mesmo quando é, incontestavelmente, o melhor do certame. Isso na teoria, pois na prática vem sendo bem diferente. A atuação no dérbi decepcionante contra o Atlético nem foi das piores em um torneio repleto de desempenhos medíocres, mas a dificuldade no terço final do campo é preocupante.


Individualmente, Cristiano Ronaldo e Benzema estão em péssima fase goleadora – apenas um gol em oito partidas na Liga para cada um. Bale, para variar, está machucado. O galês não vivia grande momento antes da lesão, porém contribuía com gols e assistências. Borja Mayoral, que ganhava confiança depois de excelente atuação contra a Real Sociedad, foi solenemente ignorado por Zidane.


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A seca de CR7 na Liga ilustra o momento ofensivo da equipe


Em nível coletivo, muitos recursos estão em falta na criação de jogadas: amplitude, associações, velocidade. O time chega próximo à área adversária e, via de regra, apela para o cruzamento. A alternativa já foi bastante eficiente em outras ocasiões, e salvou o Madrid em inúmeros confrontos. Nesta temporada, entretanto, o gol de Casemiro no Las Palmas foi o único de cabeça nas 12 rodadas de La Liga.


Quem está salvando a linha ofensiva é Isco – de longe o melhor madridista em 2017. O meia aparece em todos os lugares. De seus pés, quase sempre sai coisa boa, seja em dribles, passes ou finalizações. É o líder de gols (4) e assistências (3) da equipe no campeonato. Faz o que pode para carregar o time nas costas, e assim foi diante do Atlético, mas precisa de ajuda para torná-lo mais potente no ataque.


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Muito Isco, pouco Real Madrid


Quando Isco mostrou por que merecia ser titular absoluto, Zidane precisou ajustar o time para alocar o jogador onde seu potencial mais fosse explorado. Com a engrenagem do meio-campo a pleno vapor, junto às participações essenciais de Casemiro, Kroos e Modrić, o conjunto se adequava automaticamente aos adversários e jogava um futebol envolvente no campo rival. Cristiano Ronaldo concluía os trabalhos, como vimos na brilhante reta final de 2016/17.


Meses depois, o funcionamento deixou de ser automático. A máquina travou. Ao treinador, cabe constatar o óbvio e mexer novamente na disposição tática para acabar com a previsibilidade atual. E a mudança não passa necessariamente por uma alteração do esquema.


A tática vai muito além dos números que definem a formação. Há de se criar novas opções de jogadas, treinar associações e deslocamentos, e preparar alternativas que tirem a equipe do óbvio na busca pelo gol. Embora Asensio não esteja na melhor fase, sua entrada poderia agregar nesse aspecto. Qualidade não falta ao elenco, mas estamos fadados ao fracasso sem produção no ataque.