O Real Madrid venceu, mas ainda agoniza

A ilusão da melhora repentina se faz presente a cada início de jogo deste agonizante Real Madrid. Há sempre a expectativa de ver uma versão semelhante à de não muito tempo atrás – embora pareça uma eternidade. Assim como em 2016/17, Zidane manda os reservas a campo e a diferença em relação aos titulares nem é notada. Contra o Leganés, por exemplo, o desempenho foi igualmente medonho. Assistir a esta equipe é um exercício de resistência cada vez maior.


O uso da segunda unidade é mais um dos elementos que escancara o abismo entre a temporada passada e a atual. E engana-se quem pensa que essa constatação faça referência ao número de vezes que o treinador lançou mão de um time inteiramente reserva – ou perto disso.


Em 2017/18, já são cinco, todas pela Copa do Rei, com três vitórias e dois empates (com equipes de divisões inferiores). Em 2016/17, foram seis durante todo o calendário, com 100% de vitórias, incluindo quatro confrontos de La Liga. A essa altura, eram apenas duas, nas partidas contra a Cultural Leonesa, também pela Copa do Rei.


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Carvajal – muito mal – e Varane foram os únicos titulares em campo


Tamanha diferença diz respeito à produção. O time B perdeu Danilo, Coentrão, James, Morata e Mariano, e passou a contar com Achraf, Vallejo, Theo, Llorente, Ceballos e Borja Mayoral. Somados, os primeiros contabilizaram 19 dos 30 gols e oito das 21 assistências nas circunstâncias em que Zidane deu descanso à maioria dos titulares na temporada passada. Já os últimos foram responsáveis por três (todos de Mayoral) dos dez gols e por três das cinco assistências na atual trajetória.


Ainda nas estatísticas, vale destacar que quatro dos dez gols da segunda unidade em 2017/18 saíram em pênaltis. Dos 30 tentos do time reserva em 2016/17, nenhum foi da marca da cal. Dados que ressaltam o déficit de criação de uma temporada para outra. E deixam clara a irresponsabilidade de Zidane em abrir mão de seus principais jogadores em uma eliminatória fundamental para o Real Madrid.


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Grande chance desperdiçada no primeiro tempo


A perda de peças essenciais para a rotação do elenco ajuda a entender esse déficit, mas a bagunça tática é o que mais prejudica a evolução do time B. São vários jovens de enorme potencial que ficam reféns da aleatoriedade do jogo madridista, presente em qualquer circunstância. Além disso, a confiança cada vez menor só torna as coisas piores, como mencionei no último texto. Desse jeito, fica difícil se destacar para receber oportunidades em confrontos de maior relevância. Ainda assim, há quem se destaque, caso de Ceballos, mas o técnico não o recompensa adequadamente.


Deu a lógica em Butarque. A equipe sentiu enormes dificuldades para propor o jogo e só venceu por um brilho individual de Asensio, que reencontrou as redes após 11 partidas. O Leganés de Asier Garitano tem uma das defesas mais bem montadas do futebol espanhol, e sentiu-se confortável diante da posse de bola infértil do Madrid no primeiro tempo. A única grande chance saiu em pressão bem executada na saída adversária. Rubén Pérez perdeu para Kovačić, mas o croata falhou de forma bizarra na cara do goleiro Champagne.


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O salvador da noite


O que já era ruim ficou ainda pior na etapa final, pois a acefalia madridista se agravou. Chutões e cruzamentos a esmo marcavam a atuação. Antes acuado, o Lega se viu em condições de buscar a vitória. Embora inseguro na bola aérea, Casilla fez boas defesas, e o travessão impediu um gol contra de cabeça de Llorente. As entradas de Modrić e Isco oxigenaram o Real Madrid, mas o empate era lucro quando Asensio tirou leite de pedra ao concluir cruzamento ruim de Theo. Golaço importante para o jovem retomar seu nível habitual.


A imagem geral foi negativa, mas há de se celebrar o retorno do gol decisivo nos minutos finais da partida. Constante em 2016/17, ele ainda não havia aparecido em 2017/18. Ganhar jogando mal, de vez em quando, não é nenhum demérito, principalmente em uma rodada na qual Barcelona e Atlético colocaram suas continuidades na competição em risco. Só que esse é o caminho mais difícil para alcançar os triunfos, e o avanço à semifinal está longe de ser garantido caso o mau desempenho se repita no Santiago Bernabéu.