Real Madrid encontrou a luz no fim do túnel

A vexatória eliminação em casa para o Leganés no meio da semana levou a crer que a atuação contra o Deportivo não havia passado de uma breve ilusão em meio à dolorosa realidade da temporada. A ótima vitória sobre o Valencia, porém, confirma duas hipóteses: 1) o Real Madrid evoluiu; 2) Zidane errou feio ao prescindir de vários titulares na Copa do Rei.


Dados os maus resultados no Bernabéu e a qualidade do Leganés de Asier Garitano, o 1 a 0 em Butarque estava longe de garantir o avanço às semifinais. O treinador desperdiçou a maior chance de título na temporada em sua irresponsável escolha. Mas a Copa, infelizmente, já passou, portanto foquemos nas melhorias que resgataram o ânimo madridista para o duelo de duas semanas adiante contra o PSG, que decidirá os rumos da temporada.


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Protagonistas da evolução


Criticado aqui neste espaço pela acomodação diante de um cenário caótico, Zidane resolveu mexer na estrutura da equipe e retornou ao tradicional 4-3-3. O BBC modificado de semana passada — Borja Mayoral e não Benzema — deu lugar ao trio original, essencial no resgate de um nível próximo daquele que o Real Madrid merece. Muito mais por Bale e Cristiano Ronaldo do que por Benzema, diga-se. O posicionamento centralizado do francês, porém, faz Cristiano partir da ponta esquerda, e esse é um dos pilares do “novo velho” sistema.


Mais participativo, CR7 marcou em duas rodadas seguidas pela primeira vez nesta Liga, e com dois dobletes. Dessa forma, dobrou os quatro gols que tinha no campeonato. Os pênaltis contra o Valencia, motivo de temor quando Diego Alves defendia a meta, encontraram o caminho das redes. No primeiro, totais méritos de Cristiano por puxar o contra-ataque em velocidade e sofrer a infração. Um contragolpe magistral, sinônimo de Real Madrid. Assim como foram o terceiro e o quarto gols, frutos de ações coletivas finalizadas por Marcelo e Kroos.


O lateral brasileiro, por sinal, é um dos grandes responsáveis pela subida de produção do time. Recuperou sua melhor versão no ataque, capaz de decidir qualquer jogo. Após duas assistências no 7 a 1 sobre o Dépor, marcou um gol e participou da produção de outros dois no Mestalla.


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Golaço para coroar novo momento


Com o 4-3-3, os jogadores estão mais bem distribuídos em campo. Modric segue mais à direita, só que a presença de Bale na ponta oferece melhores opções para formar linhas de passe no setor. A produção por esse lado será ainda maior quando Carvajal voltar a ser o lateral com o qual estamos acostumados.


O estágio é mais avançado na esquerda justamente por Marcelo acompanhar os rendimentos de Kroos e Cristiano Ronaldo. Essa combinação de fatores torna a circulação de bola efetiva e fluida, algo que andou muito em falta durante a temporada. O cenário reduz significativamente o número de cruzamentos aleatórios para a área, um mal que assolava a equipe com frequência. Não por acaso, o Madrid marcou 11 gols nas últimas duas rodadas, o que equivale a pouco mais de 25% de seus tentos em toda a Liga.


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Coletivo voltou a funcionar


A evolução é notável, mas não significa que o time está pronto para enfrentar qualquer adversário e partir rumo a outro título europeu. Apesar da excelente fase de Nacho, o sistema defensivo ainda peca em excesso e concede diversas oportunidades aos adversários. Depois de o time realizar uma ótima primeira etapa contra o Valencia, na qual controlou e sofreu pouco, o segundo tempo começou com pânico, apreensão e convicção de que a vantagem iria por água abaixo. Sorte que Keylor Navas estava lá para segurar o resultado.


Após suportar a pressão, o Real Madrid esfriou a partida e recuperou o controle das ações antes de sacramentar o triunfo com dois lindos gols. A visita ao Mestalla era um teste de confiança, e equipe passou nele com louvor. Vencer com autoridade em um território hostil ao madridismo, onde aconteceram duas derrotas e um empate nas últimas três temporadas, é um baita estímulo para engrenar de vez. A luz no fim do túnel apareceu, e há de se correr atrás dela para salvar a temporada.