Roma: Shakhtar, vacilos, De Rossi e mercado

E vamos às novidades de segunda mão:


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1. E a Roma pegou o Shakhtar Donetsk. Ou melhor, pegará. Se o sorteio da Liga dos Campeões poderia ter sido mais traiçoeiro – trazendo, por exemplo, Real Madrid ou Bayern de Munique –, não é por educação que afirmamos que o Shakhtar não deve ser subestimado. Isso porque ainda é cedo para confiar na Roma em qualquer mata-mata de qualquer competição, não obstante os indícios de fortalecimento psicológico da equipe nesta temporada. Além disso, os quatro confrontos entre as equipes trazem memórias azedas. Houve uma goleada giallorossa e uma derrota na Liga dos Campeões 2006-07. Em seguida, uma eliminação dolorosa exatamente nas oitavas de final do mesmo torneio, em 2011. Àquela altura, a Roma conquistou o pacote completo do vexame: revés em casa (2x3) e treinador demitido (Ranieri na ida, Montella comandando a volta); pênalti perdido e expulsão no segundo jogo. Revés pior ainda – 0x3.


2. O primeiro fim de semana realmente frustrante na Serie A 2017-18 se deu na última rodada. Juventus e Inter haviam empatado: cabia à Roma derrotar o Chievo para encostar no topo. Como em diversas ocasiões ao longo dessa e da última década, ela derrapou em um momento crucial e não saiu do zero a zero. Por sorte, o Napoli também empatou. Por mais sorte, a Lazio perdeu. Somando isso tudo ao empate da Sampdoria, os seis primeiros colocados da liga não venceram na mesma rodada. Melhor para Juve e Inter, que – acompanhem o raciocínio complexo – empataram com Inter e Juve, e não com o Chievo. A velha história dos pontos que fazem falta "lá na frente".


3. Falando em pontos que fazem falta lá na frente, precisamos não falar sobre De Rossi. Ou precisávamos falar sobre De Rossi. Semanas atrás, escrevi a respeito da estupidez do camisa 16, cuja expulsão risível contra o Genoa, protagonizando um pênalti com um tapa na face do adversário, custou dois pontos encaminhados. Não publiquei o texto, afinal não consegui terminá-lo. Já perdi o gatilho, mas jamais perderia os caracteres. Reproduzo-o abaixo:



A vitória tranquila sobre o SPAL trouxe consigo o aterrorizador “E se…”, partícula sempre acoplada aos sonhos de um romanista. Se a Roma não tivesse perdido dois pontos em Gênova, na semana anterior, estaria colada na liderança. Contra o Genoa, El Shaarawy abriu o placar no segundo tempo. Depois disso, com a Roma dominando as ações, a partida se encaminhava para um desfecho feliz.


Até que Daniele De Rossi desgraçou a atuação – e os potenciais três pontos – como o transeunte que amassa um panfleto e o arremessa na lixeira. O antigo capitão futuro estapeou o rosto de Lapadula sem qualquer motivo, razão ou justificativa – caso você tenha um conceito muito diferente para as três palavras – e concedeu um pênalti gratuito ao adversário. Com o auxílio do VAR, foi expulso. E mais uma vez prejudicou diretamente sua amada equipe.


De Rossi é extremamente humano. Como tal, oferece uma quantidade acima da média de atitudes louváveis e reprováveis. Já fez um gol de mão e o assumiu para o árbitro, por exemplo. Recentemente, após a queda da Itália nas Eliminatórias para a Copa 2018, foi até o ônibus da Suécia para se desculpar pelas vaias proferidas pela torcida italiana. Também já arrebentou um número suficiente de adversários para ser malvisto – embora a má fama se deva mais à cotovelada na Copa do Mundo de 2006 do que à carreira em si.


Toda vez que o camisa 16 compromete a Roma devido a algum desequilíbrio emocional, brota-se a pergunta: algum dia ele vai aprender? A resposta, por sua vez, é óbvia: não vai, claro que não. Aos 34, não há qualquer esperança – e tampouco grande utilidade. Aos 33, foi expulso na pré-Liga dos Campeões contra o Porto, em casa, no primeiro tempo. Resta saber o que ele aprontará aos 35.



4. Enquanto Salah se consagra no Liverpool, o mercado da Roma vem exibindo uma ineficácia exemplar. Moreno mal jogou; Karsdorp chegou lesionado, disputou uma partida e estará no DM até a reta final da temporada; Gonalons e Pellegrini não convencem; Defrel e Under decepcionam; Schick também chegou lesionado e entrou como titular pela primeira vez em dezembro. Salva-se Kolarov, sócio-majoritário do flanco esquerdo romanista. Há pelo menos cinco anos, seu nome era ventilado em todo e qualquer mercado de transferências. Torçamos para que isso não se torne um padrão. Enfim, é preciso levar isso em conta ao se analisar o trabalho de Di Francesco.