A venda de Emerson Palmieri é outro golpe na melancólica Roma

Divulgação/Roma
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Palmieri, canhoto, e um pintura de perna direita contra o Villarreal


A Roma vendeu o ítalo-brasileiro Emerson Palmieri ao Chelsea, embolsando €20M mais possíveis €9M de bônus pelo lateral. Se a quantia parece razoável para um atleta que praticamente não atuou na temporada – uma partida na Coppa Italia e apenas 16 minutos na Serie A –, a negociação tem tudo para ainda trazer lamúrios ao torcedor.


Emerson, de apenas 23 anos, encontra-se facilmente entre os melhores laterais da Serie A. Eficaz na defesa e no ataque, ele se firmou na temporada passada com maturidade após um início trágico, quando foi expulso na pré-Liga dos Campeões. Para azar dele, uma lesão no joelho – espécie de ritual pelo qual passam todos os laterais da instituição – forçou uma parada de meses. Para azar maior dele, que tinha como alternativa o tragicômico Mário Rui, a Roma trouxe o experiente Kolarov para a lateral-esquerda. Para azar ainda maior dele, Kolarov acabou jogando mais do que o esperado, reduzindo a pó a possibilidade de o sérvio sentar no banco.


Contudo, o acúmulo de dois laterais esquerdos acima da média não deveria ser motivo de azar para a Roma, ou para qualquer outra equipe. Tornou-se uma sina apenas devido à incompetência da própria Roma – e, neste caso, de Di Francesco, que nunca testou os dois juntos. Caso a equipe estivesse voando, ou ao menos chegando ao gol adversário, haveria razão para deixar as coisas como sempre estiveram. Porém, num momento em que parece improvável vencer qualquer partida e impossível marcar mais que um gol, o exílio de Palmieri se assemelha a uma rodada de truco em que você morre com uma manilha na mão.


Emerson poderia ser testado na ponta esquerda, onde absolutamente nenhum atacante rendeu nos últimos meses. Ou Kolarov, que, aliás, já tem 32 anos, poderia ir para a ponta, e o ítalo-brasileiro retornaria à lateral. Uma solução ainda mais simples, e tão incrivelmente lógica, recorreria ao uso de Palmieri na lateral-direita, função que já exerceu sob o comando de Luciano Spalletti, e sobre a qual declarou se sentir à vontade para ocupar  – mais até do que na ponta. Somando a lesão de Karsdorp com a má fase de Florenzi – e com a existência de Bruno Peres –, sobravam razões para testá-lo ali.


Se Palmieri vingar no Chelsea, seu valor aumentará muito mais em relação aos vinte e tantos milhões que asseguraram a transferência. Se não vingar, é muito provável que volte à Itália para defender algum dos times grandes – provavelmente onde Spalletti estiver –, e que não tenha dificuldades para fazê-lo em alto nível. Nos dois cenários, ele provavelmente será convocado para a seleção italiana por anos. Apenas em caso de fracasso absoluto da carreira de Palmieri – hipótese na qual nada apostaria – o valor entre €20M e €29M terá sido satisfatório.


Até você lembrar que a Roma sequer terminou de pagar um total de €20M no Defrel.