Roma: comemoremos. Por ora, basta

Getty Images
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Os adeptos estão a dançar nas arquibancadas


Para quem tende a cambalear, nada melhor que estabilidade. Depois de perder em casa para o Milan, a Roma derrotou o Napoli em Nápoles e o Torino em Roma. Ainda faltava aquele passo adiante, aquele marco pelo qual essa temporada responderá no futuro, considerando que não existem mais chances de título na Coppa e na Serie A. A classificação para as quartas de final da Liga dos Campeões traz isso, rompendo com uma década de ausência dessa etapa da competição.


Se alguém achou que seria mais fácil, é porque partiu de premissas equivocadas (“achou errado, otário!”). Qualquer adversário a essa altura seria bastante desafiador, e o Shakhtar, que também sobreviveu a um grupo dificílimo, não faria uma fase qualificatória de Liga dos Campeões parecer um clube do livro.


Os ucranianos – ou brasileiros da Ucrânia –, inclusive, entraram muito bem na partida e não sofreram risco algum no primeiro tempo. As jogadas mais bem construídas da Roma sequer chegavam ao gol, pois os poucos passes capazes de cortar linhas geralmente paravam em posição de impedimento.


Foi exatamente o que mudou no lance mais importante da segunda etapa: um lançamento de Strootman encaixou com a desatenção da defesa. Pela primeira vez no jogo, chance clara para os mandantes — Dzeko não desperdiçou. Depois disso, a Roma teve outra oportunidade em bela finalização do atacante bósnio. Ele já corria para comemorar quando percebeu que seu chute raspou na trave.


Outra ocasião, na qual Dzeko corria livre em direção ao gol, contou com falta e expulsão direta de Ordets. Aí Facundo Ferreyra empurrou um gandula, o que é pitoresco o suficiente para constar em qualquer descrição da partida. O Shakhtar, no fim das contas, também não produzia chances perigosas — o gol e a expulsão minaram uma estratégia que vinha funcionando, mas que não dispunha de alternativas. Dessa vez, não foram necessários milagres de Alisson.


A Roma foi – ou melhor, está indo – longe na Liga dos Campeões. Colhem-se os frutos de uma primeira fase excelente e de um ótimo primeiro tempo no Estádio Metalist. (Além disso, de o pé salvador de Bruno Peres ter salvado o terceiro gol no último lance da partida de ida após um segundo tempo medonho).


Agora “que sera, sera, whatever will be, will be”: serve a música imortalizada por Doris Day n’O Homem que Sabia Demais (1956), de Alfred Hitchcock. Porque mesmo em meio ao suspense ou ao terror, há momento para beleza e, às vezes, para cantar. Por ora, dane-se o amanhã: o romanista se preocupa o suficiente com ele e precisa aproveitar as chances de êxtase genuíno.