Apostas e certezas: como uma música resume o Santos

“Entre promessas e dispensas
Apostas e certezas
Cada vez mais”


O refrão da música “Apostas e Certezas” resume muito bem como estão as coisas no Santos Futebol Clube recentemente. Com a eleição de José Carlos Peres como novo presidente para o próximo triênio, muitas coisas já estão sendo prometidas, outras dispensadas, poucas apostas e a certeza de que o tempo está passando e o Santos ficando para trás é cada vez mais óbvia.


Peres disse logo na primeira semana pós vitória nas urnas que a imagem do clube permaneceria intacta. Uma das primeiras promessas do novo presidente seria de que o clube não correria atrás do Robinho, condenado por estupro na Itália, porque a imagem do Santos não pode ser manchada.


A priori, foi uma grande declaração, que mostrou posicionamento forte do novo presidente, que ainda ressaltou que pretende aproximar o clube do público feminino. No entanto, para felicidade da ala conservadora (e muito forte) no Santos, Peres parece ter mudado sua visão, tendo falado que o jogador “se transforma” quando veste a camisa do clube.



Uma pena. Se não bastasse o fato óbvio e grave, o Santos não precisa mais do jogador (assim como o próprio já demonstrou que não precisa mais de nós). A dispensa do discurso mostra uma incoerência muito grande nas declarações do novo mandatário. Robinho precisa provar na Justiça que é inocente. Até que isso aconteça, o que o presidente vai dizer para as torcedoras do clube, caso acabe contratando o cara?


“Ahh aah ahh...
Quero fugir das derrotas
Ahh aah ahh...
Sorriso na cara, estou de volta
Estou de volta”


Esse outro refrão remete a outra promessa do presidente, que era o tal presente de Natal e que obviamente não chegou. Peres disse que haveria uma surpresa agradável para o torcedor, que, por sua parte, se empolgou ao ponto de cair em contos nas redes sociais de que o Gabigol seria anunciado na madrugada do dia 25. Coitados. Um diretor não pode abrir uma brecha dessas, se não vai cumprir.


O Menino da Vila, de fato, seria uma excelente contratação, pois resolveria todos os problemas ofensivos do Peixe, que, aliás, acontecem desde a sua saída, em 2016. Gabigol joga pela ponta direita e como centroavante, funções vagas e que precisam de alguém à altura.


Reprodução
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Apesar do Benfica já ter dispensado o jogador, o Santos ainda precisa se acertar com a Inter de Milão


O “presente que ainda não chegou” também ajudaria na readaptação de Vitor Bueno, que recentemente disse que gostaria de jogar como 10, sua posição de origem. Com a função também vaga, Bueno teve que ser improvisado na posição do Gabigol e mostrou que não é apto para isso. Quando ele teve que substituir Lucas Lima, Vitor Bueno foi bem. Tendo os dois juntos, a situação morosa do Peixe tende a melhorar bastante.


Entretanto, a única aposta é a contratação, que parece iminente, de Jair Ventura para o comando técnico da equipe. No entanto, para muitos torcedores, o atual treinador do Botafogo – já que o Santos ainda não conseguiu juntar dinheiro para pagar a multa – não é uma certeza, tendo em vista que muitos julgam que ele é retranqueiro demais para um clube que tem como mantra o “DNA ofensivo”.


Vitor Silva / SSPress
Vitor Silva / SSPress

Jair Ventura nem bem chegou, mas já causa estranheza em alguns segmentos da torcida do Santos


De fato, as últimas aparições do Botafogo sob o comando de Jair Ventura não foram das mais primorosas, e muito menos ofensivas, mas o que se pode fazer quando não tem jogadores habilitados para tal função? E jogadores fracos. Levando em consideração que o clube só trabalhou com nomes nacionais para a função de treinador, difícil imaginar outro nome melhor que o de Jair no mercado. É uma aposta do clube e uma incerteza na mente do torcedor alvinegro.


O Santos precisa se renovar, caso contrário irá sofrer. A dificuldade financeira do clube acaba minando as ações da nova administração, que vai herdar uma herança maldita do antigo presidente, que ousou um dia dizer que havia um superávit nos caixas do clube. É difícil ser mais rápido do que isso, porém, para o bem da torcida e até da própria administração, os novos responsáveis pelo Peixe precisam ser mais claros e concisos com o torcedor.


E largar o conservadorismo, porque foi ele que deixou o Santos assim. Os velhos costumes e as velhas promessas não são mais vistos com bons olhos.