Ano novo, vida nova: resoluções santistas para 2018

Todo dia 31 de dezembro, mesmo que inconscientemente, nós nos pegamos fazendo promessas para o ano que está por vir. Às vezes nem é por culpa nossa, pois geralmente alguém te pergunta o que será do próximo ano. E aquela pergunta fica na sua cabeça o restante do dia.


Depois de anos se acostumando com a mediocridade e decepção, vem aí mais um ano para o santista acreditar que as coisas finalmente podem mudar. E quais seriam essas resoluções para 2018?


- Modernidade e profissionalismo


É inexplicável um time com tantas adversidades, contratempos e barreiras seguir competitivo. Um clube que foi limado pela incompetência daqueles que o gere. Talvez seja a camisa, que joga sozinha. A verdade é que já passou da hora do Santos se modernizar, ou simplesmente se profissionalizar. Há anos que o clube é assolado por presidentes, diretores e “gestores” arcaicos e despreparados, que não fazem outra coisa que não seja atrapalhar. Se já não bastassem os percalços.


José Carlos Peres tem um abacaxi para descascar, mas também tem a chance de provar que pode ser, enfim, um presidente que vai colocar o Santos nos trilhos da vanguarda. Basta errar menos. Os antecessores conseguiram colocar o patamar lá embaixo, então qualquer coisa minimamente inovadora já vai ser um alento.


O Santos tem uma história invejável, que não pode ser maculada mais do que já foi recentemente. Peres e seus companheiros têm que frisar que o Santos não tem que dar graças a Deus aos outros, os outros que tem que dar graças a Deus por estar no Santos. Pulso firme, resiliência e personalidade. Chega de se curvar a quem não merece. Não é do nosso feitio. Não é da nossa história.


Gazeta Press
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Peres terá uma árdua e longa batalha pela frente.


- Planejamento


Essa palavra causa o mesmo dano que uma maldição no Santos. Quando foi a última vez que você viu o clube minimamente organizado e estruturado? Difícil, né? As glorias sempre vieram no talento de quem envergou a camisa. Dos meninos, especialmente. Chega de contratar por contratar. Chega de amadorismo com jogadores que vem para o clube com uma característica, mas acabam tendo que fazer outra. E vão mal porque ninguém o estudou antes. Basta de “lugares comuns” e subserviência. O Santos tem a sua filosofia, então use-a. É só pensar um pouquinho, até porque não dá mais para se dar ao luxo, porque o Santos está quebrado.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Jonathan Copete foi contratado para 'resolver os problemas' do ataque, mas nunca foi um jogador da estirpe de Gabigol


- Padrão tático


Jair Ventura vem aí com o preceito de novos ares. A disciplina tática mostrada pelo Botafogo faltou aos times do Santos, especialmente em 2017. Entretanto, as condições do time carioca para as nossas são diferentes. O material humano é melhor, além da premissa pelo DNA Ofensivo. O Peixe é a grande chance do Jair mostrar que é um cara diferente, que não é apenas um treinador que tirou leite de pedra (ou que é um cara reativo). Tem que ganhar, mas tem que jogar bem também. Sempre que possível, claro.


Vitor Silva/SSPress/Botafogo
Vitor Silva/SSPress/Botafogo

Jair é da nova safra de treinadores e mostrou ser estudioso. Resta agora saber se ele conseguirá guiar o carro do Santos


- Base


Ah, a base! Impossível falar sobre o Santos sem citar a base. No entanto, você sabe o que ela realmente significa? Por incrível que pareça, quem administra o Santos não sabe. O time que virou sinônimo de aproveitamento de jovens valores, assombrosamente, perde muitos valores. Ou subaproveita-os. Seja por incapacidade própria em analisar, ou por treinadores fracos nas categorias inferiores, ou por treinadores do elenco principal (vide Muricy Ramalho e Felipe Anderson, por exemplo) ou até birra da torcida.


Quem não conhece o Santos, ou acompanha de fora, acha que 100% dos torcedores apoiam os meninos. Depende. Tem muito torcedor, mas muito mesmo, que é impaciente. É comum isso no Brasil, mas há quem acredite que no Santos é diferente. Não é. Já teve torcedor cornetando Yuri Alberto porque ele perdeu um gol contra o Avaí, na última rodada do Brasileirão desse ano. Ele sequer completou 17 anos de idade e 45 minutos de profissional.


Esse fenômeno é potencializado justamente pela falta de capacidade das antigas diretorias em preparar o terreno para os meninos. Ou eles chegam para salvar, ou... Eles sempre chegam para salvar. Não há preparação, planejamento ou uma visão. Ou vai ou racha. Não pode ser assim.


Mesmo com todos os problemas, a base é frutífera. Se fosse melhor aproveitada, o Peixe não precisaria gastar dinheiro com contratações supérfluas.


Santos FC
Santos FC

Rodrygo e Yuri, os pilares da nova geração de promessas do Santos, precisam de uma situação minimamente tranquila para evoluir


- Torcida


O Léo, em 2004, falou que para o Santos era “contra tudo e contra todos”. Ele sempre teve razão com relação a isso. Por ser o único time grande do Brasil por não estar numa capital, o alcance é notavelmente menor. O apelo é outro. A falta de respeito é notória.


Para piorar, o Santos sofre de uma condição complexa. A maior parte da torcida não fica na cidade onde o clube foi fundado e que carrega o nome. Além disso, a composição dos torcedores, em termos de idade, é curiosa. Ao contrário daquela velha piada idiota, há uma grande parcela de torcedores jovens, muitos deles com menos de 16 anos de idade. Ou seja, os torcedores que pegaram a parte boa.


Em contrapartida, os torcedores que roeram o osso, que foi judiada pra caramba, flutuam entre o conservadorismo e o pessimismo. Muitas vezes (para não dizer sempre) cria-se uma rachadura entre os torcedores do Santos, que acaba enfraquecendo a identidade.


Não ache que isso é culpa só do torcedor. Essa conjuntura é o resultado do descaso e do abandono que o clube sofreu, que acaba refletindo no torcedor. O bem maior, a razão da existência do clube acaba sendo maltratada.


É preciso mais união, sim. No entanto, a soma de todas essas resoluções citadas acima poderia afagar o coração do santista. Não precisa ser perfeito, só precisa ser mais ajeitado. Até porque, conforme a adaptação que tivemos que sofrer, dá para ir em frente. Essa camisa (ainda) pode tudo.


Getty Images
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Entre rachas e diferenças, a torcida santista precisa estar mais unida do que nunca. A situação financeira do clube é catastrófica e futuro não promete ser fácil 


É isso. Um feliz e próspero ano novo a todos os santistas!