Gabigol: não existe lugar melhor do que a nossa casa

Gabigol, o menino da Vila, santista e cruel, aquele que saiu abruptamente do Santos e deixou todos com saudades, está de volta. De volta para a casa, que é sempre o melhor lugar para buscar uma renovação.


Desde que deixou o Santos para se aventurar em Milão, muito por conta do devaneio europeu – que é completamente compreensível para um garoto com o potencial dele –, e da necessidade da administração anterior em fazer caixa, o Santos não tinha um jogador com a qualidade técnica dele no setor ofensivo.


Ivan Storti/Santos FC
Ivan Storti/Santos FC

Gabriel sempre foi decisivo para o Peixe. É hora de recuperar a carreira


O menino cruel é um jogador polivalente e inteligente (por mais que tentem pintar o contrário). Na base ele foi um grande atacante, mas no profissional – sob o comando do Dorival – ele demonstrou ser um ótimo ponta-direita. Habilidoso, incisivo e com faro de gol.


Após a saída do menino, alguns jogadores tentaram atuar naquele setor, de Vitor Bueno a Copete, mas todos sem sucesso. Ao julgar pela boataria, a diretoria do Santos ainda busca um centroavante (ao menos foi o que Jair Ventura pediu), então Gabigol, possivelmente, deve retomar sua antiga posição.


Taticamente falando, a volta de Gabriel é muita boa também. O já citado Vitor Bueno não desabrochou como ponta, sendo que o próprio já disse que prefere jogar na armação. E se você puxar pela memória vai lembrar que ele realmente foi muito melhor como “camisa 10”, sobretudo quando atuou no lugar de Lucas Lima.


Caso queira mudar, Jair pode até utilizá-lo como centroavante, sua posição original. Traria muito mais leveza e técnica do que qualquer outro jogador possível.


Com Bruno Henrique saudável e Gabigol atuando como ponta, o Peixe volta a ser uma enorme ameaça vertical, especialmente num país onde os laterais marcam horrendamente mal.


Outro detalhe importante, que ficou perceptível quando ele saiu, foi a questão do centroavante. A vida do Ricardo Oliveira era mais fácil com o Gabigol do lado.


Além dos motivos já explanados anteriormente, Gabriel é um menino voluntarioso. No time de 2015 ele era, ao lado do Geuvânio, uma das válvulas de escape. Ao contrário do ponta-esquerda, que é só correria, Gabigol pensava na jogada e se movimentava com inteligência. E isso ajudava demais o Oliveira, enquanto ainda tinha físico para se movimentar com mais fluidez entre os zagueiros.


Lembram-se dos “facões”? Pois bem, ele foi essencial para o sucesso daquele ataque. Os zagueiros adversários batiam cabeça toda hora. Com BH no outro lado, a qualidade da movimentação sem a bola aumenta, apesar da ausência do ex-camisa 9, que hoje está no Atlético-MG.


No entanto, de todos os detalhes, o que mais agrada é que o nosso menino está de volta. E dá para falar que ele é “nosso”, porque ele é torcedor. Ele vibra dentro de campo e nunca demonstrou indiferença com a camisa. Gabigol pode ter 'N' defeitos, mas de vontade o torcedor santista não pode reclamar.


Gazeta Press
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Gabriel volta num momento oportuno da equipe e agora com status de referência.


Das comemorações efusivas as atuações frenéticas contra os rivais. Isso é ótimo para o torcedor, para o treinador e para o elenco, que terá nele uma referência, por mais novo que ele seja.


E virar uma “referência” pode ser importante nesse ponto da carreira do Gabigol. Todo mundo se engana e toma decisões precipitadas, especialmente quando é jovem. Ele precisa de nós e nós dele. Uma mão lava a outra, certo?


O “Rei dos Clássicos” será uma peça fundamental nessa nova trajetória da equipe alvinegra, muito por conta da qualidade do novo treinador. Caso fossem os antecessores, uma pulga atrás da orelha poderia aparecer. Todavia, com um comandante que já demonstrou ser tático, o nosso Gabriel Barbosa pode retomar sua carreira que já poderia ter decolado.


Agora com cicatrizes que precisam ser curadas, ele deixa o Barbosa de lado para voltar a ser Gabigol. O jogador que mais fez falta nesse processo todo, aquele que deixou uma lacuna visível, volta para terminar o serviço.


Bem-vindo de volta, Gabi! Que você seja bastante cruel com os outros.