Rei dos clássicos: Gabigol justifica a fama no San-São

Ele não é chamado de “Rei dos clássicos” à toa. O ídolo alvinegro decidiu o San-São com sua grande categoria na primeira jogada tramada, de fato, pelo Santos no clássico desse domingo no Morumbi.


O gol nasceu de uma bonita jogada entre Daniel Guedes e Eduardo Sasha, pela lateral-direita do campo, onde Guedes carregou e acionou o ponta com um tapa sensacional na bola. Sasha foi esperto e levou a marcação do São Paulo para trás e, igualmente inteligente, Gabigol não fechou dentro da área, ele saiu. Com isso, Sasha rolou a bola na meia lua e Menino da Vila guardou. Bela jogada, muita inteligência.


Santos FC
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Apesar de ter jogado ilhado o primeiro tempo inteiro devido à inexistência do meio-campo santista, ele decidiu mais um clássico


No entanto, o Santos não fez um grande jogo. Alguns jogadores foram muito bem, mas no contexto geral, especialmente pelo primeiro tempo, ficou claro que o comandante santista precisa mudar alguns conceitos.


A apatia no meio-campo santista montado por Jair Ventura fez com que Gabigol ficasse o primeiro tempo inteiro ilhado no ataque. Sasha teve dificuldades na primeira etapa porque foi pouco acionado, enquanto Copete ajudava Jean Mota na marcação. O rival só conseguia levar perigo devido ao enorme buraco no meio-campo.


Jair mudou em todos os setores da equipe, menos no meio. Vecchio e Renato não podem ser titulares. Aliás, incrível como Vecchio é prestigiado no elenco. Sem intensidade e nenhum tipo de marcação possível entre eles, Alison ficou sobrecarregado novamente e teve que suar o triplo. Os dois são tão lentos quanto a movimentação das placas tectônicas e isso deixa o Peixe numa inércia irritante.


Gazeta Press
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Apesar de ter jogado taticamente bem, o esquema de Jair Ventura poderia ter ido por água abaixo caso Gabriel não estivesse inspirado


Por sorte, o time é taticamente seguro. O grande ponto de Jair Ventura nesse início de trabalho. O sistema defensivo do Santos é muito interessante, especialmente da maneira como foi montado nesse clássico. Daniel Guedes já é realidade, enquanto Jean Mota protagonizou mais uma boa partida na lateral esquerda. A chegada de Dodô é interessante, pois ela amplia o leque de opções e diminui a necessidade de aturar Vecchio e Renato como titulares, já que o Mota pede passagem faz tempo.


Todavia, o crème de la crème foi a dupla Gustavo Henrique e Lucas Veríssimo. Que partida deliciosa os dois fizeram! Soberanos no jogo aéreo e nos desarmes. É muito bom ver o GH inteiro e se destacando, sobretudo ao lado de Lucas Veríssimo, que é um zagueiro estupendo. Jair não pode abrir mão dessa formação. Ninguém sentiu falta do David Braz, sentiu?


Gazeta Press
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Voando alto! Gustavo Henrique está há 11 anos no Peixe e passou por muita coisa no clube. Ao lado de Lucas Veríssimo, ele formou uma verdadeira muralha no clássico


A lição que fica da vitória no clássico é que o Peixe tem jogadores bons – que eram preteridos - e um decisivo. Entretanto, o treinador precisa enxergar que a bela história de Renato não justifica mais uma escalação entre os titulares. Muito menos o Vecchio, que não dá prosseguimento para nenhuma jogada. A entrada de Guilherme Nunes (que você viu o blog implorar desde o ano passado) deixou uma ótima impressão, especialmente devido às circunstâncias e ao tempo de jogo.


Isso sem contar Gabriel Calabrês, Matheus Jesus e Vitor Bueno, que merecem mais oportunidades. A hora de testar é agora.


Opções para mudar Jair tem. Padrão tático ele já deu, mas as partidas podem ficar mais vistosas caso ele abra mão de alguns queridinhos em prol do bem maior.


PS: clássico se vence e nada mais, Dorival.