Nacional 1x0 Santos: imagina se dependesse do resultado...

O Santos entrou em campo sabendo que já estava classificado para as oitavas-de-final. O empate entre Real Garcilaso e Estudiantes por 0x0, no Peru, qualificou o Peixe para a próxima fase antes de pisar no gramado. No entanto, o futebol da equipe também ficou no vestiário.


Dado o histórico irregular da equipe no ano, algo que já vinha gerando desconfiança na torcida (escrevi sobre isso aqui), não dá para cravar que a má atuação foi por conta de um relaxamento da equipe. Pode ter acontecido, mas não foi apenas isso.


Esse confronto contra o Nacional foi idêntico ao jogo contra o Estudiantes, em Quilmes, quando a equipe saiu vitoriosa mesmo sendo amassada pelo adversário. Na ocasião, todos sabem, o Peixe venceu numa noite gloriosa de Vanderlei.


No Grand Parque Central, ao contrário do que aconteceu na Argentina, não teve um salvador da pátria para garantir o resultado. Jogadores extremamente regulares e que vinham de atuações muito boas pelo Santos, como Alison e Dodô (vacilou feio na marcação e errou muitos passes), foram muito abaixo da média. Cittadini idem.


Conmebol
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Alison, um dos jogadores mais regulares da equipe, não teve uma atuação boa em Montevidéu. O volante, que quase entregou um gol no começo do segundo tempo, atuou muito exposto devido à formação da equipe


Uma das razões, eliminando a possibilidade do suposto relaxamento, seria a formação do meio-campo num jogo fora de casa. Jair Ventura, diferentemente da última partida contra o Estudiantes, não precisava de três atacantes nesse jogo. Não precisava entrar com o Copete, por exemplo. O treinador já conhecia a equipe uruguaia. Sabia que eles precisavam do resultado e que eles viriam com cinco homens no meio-campo. O Santos tinha três. Foi um risco desnecessário e a equipe foi superada no setor mais importante do gramado.


Esse risco, aliás, ficou evidente em mais uma partida invisível de Jean Mota. O jogador, que já jogou em quase todas as posições possíveis com a camisa do Santos, parece não saber onde jogar. Ele não fica no meio e, às vezes, aparece na lateral. Raramente ele fecha no meio. Talvez isso explique a má atuação de Alison e Cittadini, que se resumiram a bater e cometer faltas. Eles estavam expostos, sem ajuda e com um buraco entre eles e o ataque. Não era mais fácil encorpar o meio-campo, sabendo que já estava “tranquilo”, e valorizar mais a bola? Era a chance de o treinador eliminar de vez qualquer tipo de desconfiança.


Detalhe: o treinador teve uma semana para preparar a equipe para esse jogo.


Ficar agarrado a apenas um sistema de jogo (mesmo sendo uma tendência entre os treinadores brasileiros) vai ser outro ingredientes nesse caldeirão alvinegro. Há jogos e jogos. Tem hora que o 4-1-4-1 vai funcionar e outras não. Tocar somente essa tecla é perigosíssimo.


Independente da desculpa para essa derrota em mais uma partida modorrenta, ela não será o suficiente. Na realidade, tanto o “relaxamento” quanto os erros táticos, já são uma constante na rotina santista.


Em outros carnavais, uma das principais reclamações era o relaxamento dos jogadores do Santos. Em 2018, o desempenho tatíco e técnico da equipe, que não consegue uma sequência de dois jogos bons, virou a nova tendência.