Santos 5x1 Luverdense: não fez mais do que a obrigação

Quem pegar o placar de Santos 5x1 Luverdense, pelas oitavas-de-final da Copa do Brasil, vai achar que a traulitada do final de semana passado serviu para acordar o elenco alvinegro. No entanto, aqueles que acompanharam a partida viram os donos da casa empatar com um time em má fase na Série C por 1x1 no primeiro tempo. E jogando pior.


O Luverdense tinha uma vitória e três derrotas nos últimos quatro jogos. A equipe mato-grossense só não está na zona de rebaixamento do grupo B da Série C por causa do saldo de gols, sendo que a pontuação é a mesma de Tupi e Joinville, ambos na rabeira do grupo.


Os visitantes se superaram e abriram o placar numa falha gigante e rara do Vanderlei. Antes do gol, o Luverdense já tinha criado duas boas chances contra a meta santista. Enquanto isso, incrivelmente, o Santos, em seu próprio domínio, ficava esperando um contra-ataque. O nível técnico estava baixíssimo, condizente com as últimas apresentações da equipe.


Mesmo após o empate, o Santos seguia jogando mal e via o Luverdense criar as melhores chances da partida. Antes de acabar o primeiro tempo, já se ouvia os apupos dos corajosos torcedores que foram até a Vila Belmiro.


Quando o juiz apitou o final da primeira etapa, as vaias ficaram bem mais evidentes. Segundo relatos dos setoristas do Peixe, Gabigol, autor do gol de empate, foi hostilizado pelos torcedores.


Gazeta Press
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Com o hat-trick, Gabigol se torna o maior artilheiro do Santos na Copa do Brasil, com 16 tentos


O nível foi assustador de tão ruim, digno do deserto de ideias que é essa equipe, que seguiu apresentando os mesmos problemas.


Com todo respeito aos torcedores do Verdão do Centro Oeste, sobretudo pela luta da equipe no primeiro tempo, que gerou uma dificuldade enorme ao Santos, mas esse jogo não era para ter qualquer tipo de problema. O único que saiu ileso da primeira etapa foi o Alison, que se desdobrou por todo mundo.


Devido ao esforço exacerbado, e a evidente diferença de preparo físico entre as equipes, os mato-grossenses ficaram exauridos no gramado na etapa complementar. O gol da virada, com Gustavo Henrique, foi um golpe e tanto na confiança dos atletas, que obviamente não conseguiram aguentar. Aí ficou fácil observar a evidente diferença de orçamento, jogadores e pretensão.


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Gustavo Henrique já havia tentando umas três bolas antes de conseguir virar a partida para o Santos, após cruzamento de Vitor Bueno


Essa goleada não serve de parâmetro para evolução técnica. Moralmente, esse resultado pode ser importante para a equipe, que finalmente volta a jogar em casa pelo Brasileirão, no domingo, contra o Paraná, e que também é um adversário – em tese – mais fraco. Além de ter praticamente garantido a classificação com uma margem de gols confortável, podendo até mandar uma equipe alternativa para a longa viagem de volta no jogo em Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso.


Passar pano para os envolvidos agora seria irresponsável, porque o Santos não fez mais do que sua obrigação ao golear um adversário extremamente frágil. A equipe de Jair Ventura já gastou todos os créditos que poderia ter antes desse confronto.


Esse elenco vai ter que comer muito feijão com arroz, jogar bem contra equipes da mesma realidade para, aí sim, falar em conquista de confiança.