Para comprovar seu valor, Gabriel precisa de liberdade em campo

Gabriel tem N defeitos e as pessoas estão certas em criticá-lo quando o camisa 10 os comete. Desde sua saída para a Inter de Milão eles ficaram mais evidentes. O retorno do Menino da Vila ainda não é glorioso como os torcedores esperavam, muito por conta do gostinho que ele deixou na primeira passagem e pela irregularidade do time comandado por Jair Ventura.


No entanto, nas últimas partidas, especialmente nos dois últimos jogos, Gabriel justificou a fama e fez mais dois gols. Já são 5 em dois jogos.


Calma, eu sei da fragilidade de Luverdense e Paraná, algo que já foi debatido aqui no texto anterior, porém, chama à atenção a maneira como o jogador já vinha jogando anteriormente.


De todas as mudanças do treinador após a goleada contra o Grêmio, a liberdade de movimentação ao jogador foi a melhor coisa possível. Na realidade, aceitar a movimentação de Gabriel foi a melhor coisa possível.


Santos FC
Santos FC

O time está muito longe de passar confiança, especialmente porque as mudanças são pequenas. A mudança na função do Gabigol já foi capaz de ajudar minimamente a equipe


Contra o Estudiantes, na Vila, quando o Peixe venceu por 2x0, ele foi bem jogando de ponta-direita involuntariamente. Involuntariamente, porque o próprio afirmou em entrevista pós-jogo que não seguiu as ordens do treinador e disse que se sentia melhor jogando com liberdade, caindo pelas pontas. Deu certo naquela vez. Deu certo outras duas vezes desde então.


No breve período de sucesso do Peixe sob o comando de Dorival, Gabriel era mais ponta do que atacante, apesar dos gols. Na base, ele atuou em todas as funções, tendo sido até o camisa 10. Como a realidade dos profissionais é completamente diferente, ele precisou se adequar a posição mais apropriada, que era jogar pelos flancos.


Ele não precisa ser necessariamente um ponta fixo, até porque Sasha e Rodrygo são jogadores que estão em boa fase e, no mundo ideal, seria importantíssimo para a equipe essa movimentação entre eles. Deixar Gabigol sair da função de centroavante para jogar é muito melhor do que engessá-lo numa função que ele não tem nem corpo para tal.


Querendo ou não, Gabriel é o jogador mais preparado desse time, além de ser o mais visado. E ele lê o jogo muito bem, sendo a peça mais insana daquele time dos “contra-ataques letais” do Dorival, em 2015. Entretanto, sua marra e destemperos precisam ser contidos, sobretudo por ele mesmo, que frequentemente sai da casinha nas partidas, tomando um amarelo desnecessário ou cavando um pênalti ridículo.


A equipe vive um momento difícil, de transição, e de irregularidade absurda. Ele precisa ser mais consciente da responsabilidade que lhe fora atribuída para se livrar de uma pecha que pode não ter cura. Vários jogadores promissores e habilidosos caíram no personagem e nunca mais voltaram. Seria uma pena ele cair nesse mundo.


Mais uma vez ressaltando a diferença técnica dos adversários enfrentados pelo Santos recentemente, o lado bom disso tudo, além da pontuação, é recuperar o moral de quem tem condições de resolver a parada numa jogada.


Em outra partida cujo primeiro tempo foi péssimo, assim como na quinta-feira passada, contra um time fraquíssimo, o time precisou subir a ladeira no segundo tempo para superar outra equipe que, numa situação favorável, não exigira muito. Uma das pouquíssimas coisas boas da primeira etapa contra o Paraná era a movimentação do Gabriel, que não tinha com quem jogar.


Santos FC
Santos FC

Em tempos difíceis, jogadores do calibre de Gabigol precisam aparecer e resolver


O gol no primeiro minuto do segundo tempo facilitou o placar de 3x1, numa jogada que começou após um chute de Gabriel de fora da área. Poderia não ter dado em nada, mas poucos são os jogadores desse time que arriscam alguma coisa. Nos dois outros gols ele veio de frente para o gol e não esperando a bola, como vinha sendo ordenado pelo treinador.


Tanto Gabriel quanto o próprio Santos precisam melhorar muito mais, tendo em vista as ambições para a temporada. Ambos já erraram em demasia no ano e precisam reaver o prejuízo. No entanto, deixa-lo jogar da maneira como ele está habituado parece ser mais sensato e benéfico para a equipe. Contanto, claro, que o mesmo saiba de suas responsabilidades dentro e fora de campo.