O que seria do santista sem o Rodrygo nesse ano?

Com apenas 17 anos e 145 dias, Rodrygo marcou seu primeiro hat-trick pelo Santos. Neymar marcou três gols em uma partida pelo Peixe com 18 anos e 69 dias. Rodrygo é o primeiro jogador nascido na “geração 2000” a anotar um hat-trick no Campeonato Brasileiro. Já são cinco gols na competição, sendo dois a mais que Gabigol, o seu perseguidor mais próximo no elenco e um a menos que Roger Guedes, artilheiro da competição.


O resultado elástico contra o desfalcado time do Vitória fica (e deve ficar) em segundo plano, sobretudo pela obrigação e facilidade que essa partida teria em outras circunstâncias. O que fica de presente, além dos três pontos, é a atuação de gala, que provavelmente já tem prazo de validade, de uma das maiores promessas que essa torcida já viu.


O “raio” é a grande atração, quiçá a única, desse time, que anda colocando fios de cabelo branco nos torcedores. A facilidade com que Rodrygo joga futebol é algo sublime para quem torce por ele e assustadora para quem está do outro lado. O sucesso mundial parece iminente para tanto talento.


Ele desliza pelos gramados, às vezes dando a impressão de que é mais rápido do que o apelido de “raio”. A personalidade é um atributo estupidamente importante para que um jogador dê certo no futebol, ainda mais se ele é cotado como estrela desde a infância. Rodrygo não só tem personalidade como tem uma cabeça muito boa.


O camisa 43 tem uma leitura de jogo muito melhor que vários jogadores mais velhos do que ele. Existem momentos que fica nítido que o menino de 17 anos pensa numa jogada muito a frente do que os próprios companheiros, que, obviamente, tem mais bagagem do que ele. Se já é difícil acompanhá-lo jogando junto, imagina contra.


Gazeta Press
Gazeta Press

Foram poucos os momentos de alegria nessa temporada, mas graças ao "Raio", o santista tem motivos para sorrir.


Quem acompanha o blog, lembra-se dos textos pedindo para que ele fosse preparado para brilhar já nessa temporada. O histórico de magias de Rodrygo na base já era uma belíssima apresentação de algo majestoso que estava por vir.


Em meio a tanta feiura que esse time se tornou, as partidas do Santos tem um pouco de graça porque, invariavelmente, o Rodrygo faz algo para nos deixar estupefatos. Sua cara de moleque deixa tudo mais divertido, porque parece que para ele tudo isso é tão natural quanto os “interclassses” que ele ainda joga na escola.


Pare e pense. As poucas coisas que temos para comemorar nesse ano tiveram participações incríveis desse gênio. Seja naquele jogo contra o Nacional-URU, pela Libertadores, quando ele anotou um gol antológico, ou nessa partida contra o Vitória, quando ele fez chover (eu sei, não poderia deixar essa passar). O tapa que ele dá na bola para o gol do Gabigol foi pornográfico. Coisa de quem domina todos os aspectos do jogo.


Santos FC
Santos FC

Vai ser uma catástrofe muito grande caso esse menino prodígio não atinja o estrelato. Futebol todos sabem que ele tem. Personalidade, também.


Claramente ele vai cair de rendimento antes de fazer mais um espetáculo na rodada. Obviamente, alguém vai querer desdenhar da sua habilidade por isso, especialmente porque a safra brasileira de jogadores nascido na “era do Rodrygo” é excelente. No entanto, vale lembrar que ele é o grande responsável por um time desse tamanho, com tantos problemas, estar respirando ainda. Um adolescente de 17 anos de idade que nem se formou no colégio ainda.


É maravilhoso vê-lo jogar, mas como um santista calejado que sou, já vem aquele desespero em saber que logo ele vai embora e, com uma atuação dessas, o olho gordo daquele time catalão só aumenta. Resta desfrutar cada segundo de Rodrygo Góes com a camisa do Santos. A cada drible, a cada arrancada e gol convertido por ele faz com que a vida de torcedor valha a pena um pouco.