Como uma partida em 2015 pode ajudar o Santos no clássico desse ano?

O clássico dessa quarta-feira, às 21h, contra o Corinthians, na Arena Corinthians, pode dar sobrevida a Jair Ventura e diminuir, momentaneamente, o incêndio que se alastrou na Vila Belmiro após a derrota para o Atlético-PR, quando foi a gota d’água para muita gente.


Não foi um resultado positivo contra o Vitória, desfalcado de oito jogadores, que vai equalizar as coisas dentro do clube. É impossível mudar um trabalho ruim de cinco meses em uma partida contra um adversário que estava em frangalhos. As vitórias contra Luverdense (5x1) e Paraná (3x1) são grandes exemplos de como um discurso torto pode alienar uma situação preocupante.


No entanto, o rival está num momento de incerteza desde a saída de Fábio Carille. O ex-comandante, que conseguiu transformar uma equipe comum em campeã brasileira, mesmo sem apresentar um futebol vistoso, conseguia os resultados e apresentava padrão tático. Com a saída de Carille, não só esses detalhes sumiram como a confiança também se esvaeceu, sobretudo pela desconfiança na capacidade de Osmar Loss, que foi um excelente treinador no futebol de base, por parte da torcida adversária.


O retrospecto do Santos na Arena Corinthians é pífio. Em sete jogos na casa do rival, o Peixe venceu apenas um jogo, sendo aquele memorável 2 x 1 pela Copa do Brasil, em 2015, no auge da arrancada do Santos de Dorival Junior, que pegou a equipe na zona de rebaixamento do Brasileirão e engatou um trabalho que saltou os olhos. Além de exemplo a ser seguido, cinco jogadores titulares do atual elenco santista estavam naquela vitória contra o rival em território nocivo: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Renato e Gabriel. Gustavo Henrique, que era titular na época, ainda é remanescente.


Praticamente metade dos titulares do Santos estão juntos desde 2015! A prerrogativa de que a situação ruim de 2018 é culpa “só” do elenco, além de injusta, perde força porque as mudanças foram paliativas. Daquele time, a única ausência chorada pelo torcedor é a de Thiago Maia, que só foi sair na metade de 2017, e que de fato seria um diferencial no Santos hoje. Zeca e Lucas Lima saíram brigados com o torcedor, e parte desse ódio pela figura dos dois atletas foi pelas atuações de ambos com a camisa do Peixe. Geuvânio, que transferiu-se rapidamente, e Ricardo Oliveira, que saiu no final de 2017, são os outros jogadores estavam presentes. Em termos de artilharia, Gabigol, hoje, tem um gol a menos que Ricardo Oliveira na temporada.


Cinco titulares remanescentes em três anos são muita coisa. Você pode contestar (e deve) a utilização de alguns deles até hoje, mas, num universo onde a sequência é importante para o desenvolvimento dos jogadores, estarem juntos há muito tempo é algo a ser ressaltado.


O grande nome daquela partida foi Gabigol, que abriu o placar no começo da partida. Atuando como ponta-direita, posição que finalmente ele recuperou no Santos de Jair Ventura, ele deu trabalho constante para a defesa corintiana nas arrancadas rápidas em contragolpe. Naquele Santos de 2015 o contra-ataque era a principal arma da equipe, sendo assim a maneira que Dorival Jr encontrou para mudar o rumo do Santos na temporada e, por tabela, eliminar o rival, que assim como hoje, era superior em termos de plantel, mesmo que atualmente seja em menor escala e proporção.


Gazeta Press
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O grande mérito de Dorival nas campanhas de 2015 e 2016 foi entender as características dos jogadores. Com uma boa parcela de remanescentes daquele time, Ventura pode se valer dessa filosofia de jogo.


Como o Santos de Ventura só tem a verticalização como arma, obviamente, as jogadas serão distribuídas entre Gabigol e Rodrygo, que para essa partida mostra-se totalmente necessária, haja vista a dificuldade do adversário nos flancos e da improvisação de Mantuan na lateral. Outra peça que pode ser importante nessa partida é Diego Pituca, que fez uma ótima partida contra o Vitória no final de semana, e mesmo na sequência inglória de resultados negativos, o meia era a única coisa boa que a equipe apresentava.


Revelado no Botafogo-SP e contratado em 2017 para o time B, Pituca começou a carreira como lateral-esquerdo e depois foi avançado para a ponta. Na equipe B do Santos, ele chegou a atuar como meia-ofensivo, mas o destaque veio como segundo volante ao lado de Gregore, onde foram vice-campeões do Brasileiro de Aspirantes. Pituca tem bom passe e visão de jogo, além de ser um jogador muito dinâmico, podendo fazer o “área a área” com muita rapidez. Sua transição de posição lhe deu habilidade na marcação, tendo desarmado mais que qualquer meio-campista do Peixe desde a saída de Alison, a quem Pituca substituiu. O clássico vai ser um grande teste para o garoto, que provavelmente fará dupla com Renato, que, em tese, não seria a opção mais correta para o duelo devido à velocidade que a partida vai exigir.


Santos FC
Santos FC

Desconhecido por boa parte dos torcedores, Diego Pituca é mais uma alternativa dentro do próprio elenco que ganhou destaque e ajudou o Santos. Custa dar mais chances a outros jogadores?


Será uma partida complicada para uma equipe com vários defeitos visíveis. Entretanto, existem algumas saídas que podem ser exploradas pelo treinador e recordada pelos caciques do elenco, que devem se lembrar daquele time que contrariou a regra em 2015.