Uma vitória que dá tranquilidade para o Santos resolver o seu destino

O Santos passou os seis meses de 2018 dançando sobre o fio da navalha. Várias coisas deram errado com a equipe, desde o planejamento chulo ao azar das lesões. Debateu-se muito sobre a qualidade do elenco, como principal justificativa para o péssimo trabalho de Jair Ventura, mas foi graças a Diego Pituca, jogador que estava ali desde o começo de 2017, e numa rara mudança de esquema tático, que o Peixe vai poder assistir o Mundial com mais tranquilidade do que parecia (e merecia).


A vitória por 1x0, no Rio de Janeiro, contra o Fluminense, deu a oportunidade para o clube fechar para balanço em um momento preponderante para resolver o seu destino na temporada, que parecia nebulosa e fadada ao fracasso. O primeiro semestre foi horrível, com um cartel de 14 vitórias, 14 derrotas e sete empates.


Santos FC
Santos FC

Bruno Henrique, que voltou a ser titular pelo Santos, marcou o gol da vitória que agora dá alívio para o Peixe buscar novos rumos.


O clube vai receber uma bolada em razão das prováveis vendas de Rodrygo e Lucas Veríssimo, além da possiblidade de outros serem negociados. A partir do mais factível, caso dos dois atletas citados anteriormente, já é mais do que o suficiente para o presidente colocar a casa em ordem, diminuindo a dívida consideravelmente e utilizando uma parcela para fortalecer o elenco, que terá o bom Independiente pela frente na Libertadores e uma briga complicada no Brasileirão e  na Copa do Brasil.


Duas palavras que não estão presentes no cotidiano do clube ganham mais importância nessa paralisação para a Copa do Mundo: cautela e inteligência. Elas englobam desde a permanência ou não de Jair Ventura, que tem grande culpa no cartório, até as escolhas dos reforços. O clube, que historicamente gasta dinheiro com jogadores de qualidade questionável ou de posições diferentes das quais a diretoria imagina que joguem, não tem direito de errar. Há um mês inteiro para concertar a bagunça que criaram.


Dentre as poucas certezas, ou boa notícia, se preferir, foi “achar” o Diego Pituca no elenco. Isso levanta uma questão que o blog já debateu várias vezes. Não é o melhor elenco do Brasil, mas também não é o pior. Longe de ser. Havia material humano. E ainda há, mas depende de quem escala, principalmente, para mudar essa história. Nem sempre o famigerado 4-1-4-1 (que se portou mais como 4-3-3) vai dar certo. Quase não deu, sobretudo pelas peças que eram forçadas a se encaixar na convicção do treinador. Quando um mais adequado recebeu a chance, caso do Pituca, o meio-campo começou a melhorar timidamente, porém, exclusivamente por sua presença. E ainda tem o Guilherme Nunes, que pouco jogou, mas foi bem quando recebeu a chance. Dá para mexer e dá para explorar. A teimosia foi uma das maiores falhas desse semestre santista.


Gazeta Press
Gazeta Press

Já citado algumas vezes no Blog do Alçapão, Pituca entrou no meio-campo santista para nunca mais sair. Seu dinamismo, que foi abordado no texto pré-clássico contra o Corinthians, foi o que manteve o Santos vivo até a paralisação.


Além disso, o desespero saiu das arquibancadas e chegou aos jogadores. Era nítido que a raiva dos torcedores influenciava no desempenho deles. Time grande é assim, mas muitos deles não fazem ideia do que o clube representa. A incerteza na situação contratual de vários titulares pesou muito na atuação também. Se existe a possiblidade de começar a arrumar a casa já no avião (ou busão) que vai sair do Maracanã nessa véspera de Copa, que faça.


Não é sempre que você tem uma segunda chance para mudar suas escolhas. Para mais do que ninguém, essa pausa é vital para o Peixe. Quem for comandar o elenco do Santos, precisa entender que nem toda convicção é saudável. Se o Peres continuar, que ele entenda que contratar baseado em rótulos arcaicos pode ser uma grande armadilha. Analisem o que tem e mirem na necessidade. O Santos não pode voltar a ficar a deriva, caso contrário, o destino pode ser cruel.