Quatro anos depois, Bryan Ruiz finalmente acerta com o Santos

Demorou, mas, depois de quatro anos, Bryan Ruiz finalmente assinou com o Santos um contrato profissional. Muitos brasileiros, especificamente os santistas, conheceram o costarriquenho por conta da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, quando os Ticos alcançaram a heroica classificação para as quartas-de-final, mas também pelo fato deles terem ficado hospedados em Santos.


O costarriquenho, inclusive, posou com uma camisa do Peixe durante a Copa e agradeceu o carinho que havia recebido dos santistas, dizendo que o clube tinha dado sorte ao país no Mundial. A foto viralizou e muitos torcedores sonharam com Bryan desde então.


Santos FC
Santos FC

Essa é a foto que fez vários santistas sonharem com a contratação de Bryan Ruiz, em 2014, quando a delegação costarriquenha ficou na Vila Belmiro. Será que a espera vai valer a pena?


Ruiz é o nome mais proeminente do futebol da Costa Rica desde Paulo Wanchope, que vestiu as cores de Derby County e Manchester City, no início do século XXI, e que ajudou a levar a Costa Rica a Copa do Mundo de 2002. Em termos de habilidade, Ruiz é o jogador mais relevante da história do país centro-americano.


Devido ao seu porte esguio, ele é conhecido como “La Comadreja”, que significa “A Doninha”, em espanhol. A história de Ruiz não se resume aos seus feitos pela Costa Rica, seja ela na Concacaf ou na Copa do Mundo. O novo contratado do Peixe possui uma trajetória bastante interessante para ser ressaltada.


Ruiz se destacou em vários países diferentes como Bélgica, Holanda, Inglaterra e Portugal. Ele foi destaque no Gent, no Twente, no Fulham e no Sporting (apesar da última temporada ter sido conturbada). No início da carreira, especialmente no Gent e no Twente, Ruiz era um ponta-esquerda clássico, que fazia muitos gols devido a sua qualidade no chute e visão de jogo. Ele também atacava o espaço como poucos e tinha um drible curto muito bom.


No Fulham, ao lado de Clint Dempsey, ele evoluiu seu estilo de jogo, atuando mais recuado na linha do meio-campo. Aliás, o costarriquenho fez um dos gols mais bonitos da história da Premier League em uma partida contra o Everton, onde encobriu Tim Howard em um chute de fora da área, no lado esquerdo. Também teve um petardo no ângulo do goleiro do Cardiff. Por essas e outras, ele se tornou num dos jogadores mais queridos da equipe londrina.


Apesar da sua fama nos clubes de médio porte e total protagonismo na Costa Rica, Ruiz sempre foi um jogador subestimado. Sua atuação de gala na Copa de 2014 ajudou a elevar seu status e conseguir uma transferência para o Sporting, uma temporada depois.


Em Portugal, já veterano, ele alternou entre altos e baixos. A Doninha começou muito bem sua primeira temporada, fazendo 46 jogos e anotando 13 gols e dando 11 assistências. Atuando no meio-campo, tal qual faz na seleção, Ruiz se deu muito bem e quase ajudou os Leões a conquistar o título português, ficando dois pontos abaixo do arquirrival Benfica.


Na segunda temporada, o ritmo diminuiu um pouco para 42 jogos e anotando três gols e dando cinco assistências. Vale ressaltar que Ruiz chegou a atuar como segundo volante nessa temporada, justamente para ajudar na transição de jogo. Na última temporada, a passada, Ruiz se machucou e atuou bem menos do que costumava. No campeonato português, por exemplo, ele só apareceu 11 vezes com a camisa do Sporting. Uma situação insólita, além da lesão, marcou a passagem do atleta pelo clube lisboeta: um gol inacreditável que ele perdeu debaixo da trave no clássico contra o Benfica.


Apesar da maneira como terminou, Ruiz entregou momentos bons em seu último clube, especialmente pela idade. Mesmo durante o tempo de lesão, e com o contrato por terminar, ele preferiu não pensar em sair para se recuperar e tentar ajudar a equipe.


Quatro anos se passaram desde aquela foto de Bryan Ruiz com a camisa do Santos. A vida dele mudou e a do Peixe também. Ao contrário daquela época, a torcida é bem menos paciente devido aos constantes fracassos em negociações, campeonatos, partidas e etc. Seria dificílimo para Ruiz surpreender o mundo novamente com a Costa Rica na Copa da Rússia, nesse ano. Obviamente, a geração já não é mais a mesma, claramente envelhecida e previsível.


EFE
EFE

Ruiz é o maior expoente técnico do futebol costarriquenho. Ídolo em seu país, o meia agora tem a responsabilidade de liderar uma equipe desacreditada ao sucesso, tal qual em 2014.


O Santos não contrataria Bryan Ruiz caso o costarriquenho tivesse arrebentado outra vez na Copa, tal qual aconteceu em 2014. Certamente o mercado europeu o fisgaria. O torcedor precisa ser realista com a situação do clube. Se existia uma hora propícia para ele vir, era agora.


Ruiz ainda tem lenha para queimar, ainda mais no Brasil. O nível técnico e tático aqui é muito fraco, sobretudo se comparado com o que vimos nesse período de Copa. Se ele estiver bem fisicamente, e se adaptar ao estilo de vida do país, pode vingar. Jair Ventura chorou por sete meses nas entrevistas pedindo um “camisa 10”. Ele chegou. E agora o treinador tem a obrigação moral de fazer o time jogar o que não vinha jogando.


Existe uma pressão sobre o novo contratado, típica do momento vivido por um clube que está mal no campeonato nacional e com uma Libertadores da América por disputar. O tempo de adaptação vai ser curto, portanto, por mais que seja difícil, o torcedor vai ter que ter paciência.


Contudo, as duas partes chegam em um momento interessante de suas vidas, onde uma mão pode lavar a outra. Friamente falando, foi uma contratação que agrega valor, mas quando se trata de Santos, outros empecilhos pesam. Vamos torcer.