O improvável mantém o pingo de esperança no santista

Nesse momento crítico que vive o Santos qualquer adversário, seja ele o Ceará ou até o Íbis, vai fazer jogo duro com o Peixe. Depois de levar uma eternidade para perceber que o trabalho da antiga comissão técnica era nocivo para a equipe, a diretoria – com muito atraso – resolveu mudar. É nítido que o elenco está traumatizado, com confiança zero.


Obviamente, vai demorar ao Cuca para botar ordem na casa. Nessa quarta-feira, por exemplo, o Santos passou muito perto, mas muito perto mesmo de ser derrotado pelo Ceará no Presidente Vargas. Se não bastasse o time ser um arremedo, o legado de Jair Ventura, a questão da confiança fica cristalina quando a bola queima no pé de vários jogadores. Do mais técnico ao mais brucutu. Quase todos estão sentindo a pressão. Quase, porque o único que mantem sua forma é justamente aquele que não usa os pés para chamar a atenção.


Se não fosse por Vanderlei, o Peixe teria perdido para o Vozão já no primeiro tempo. Uma equipe que sofreu mudanças, mas que continuou perdida em campo. Uma equipe que tem medo de agredir porque passou sete meses apenas esperando o adversário martelar a sua meta.


É desafiador encontrar um jogador de linha que esteja bem. O desespero, que já toma conta da torcida, pode ser encontrado no garoto de 17 anos que joga no ataque como também é visto no lateral de 30 anos. São jogadores que estão pisando em ovos, que qualquer movimento brusco pode virar uma falha, que vai liberar uma raiva monstruosa do torcedor.


Os cearenses, que vinham embalados, sobraram na partida e poderiam ter matado o jogo. Todavia, o improvável – além de Vanderlei - ajudou o clube mais uma vez. Se você já tem mais de 25 anos, provavelmente vai se lembrar de outros momentos quando o destino interviu em prol da equipe em situações de nervosismo.


A bola levantada pelo Alison para o gol de PEITO de Jean Mota, minutos após tomar um gol de contra-ataque dos donos da casa, quando a posse de bola era nossa, com o estádio empolgado, foi o improvável agindo novamente. Momentaneamente o clube sai da zona de rebaixamento, quando não merecia e parecia que se afundaria mais ainda.


O ideal era vencer, mas o Santos não pode trabalhar com o ideal. Não agora. O ideal era para ter acontecido em maio, por exemplo. Era para ter mudado ali, antes da Copa. Tal qual um aluno irresponsável, a diretoria enrolou para tomar tento e só foi mexer quando o caldo engrossou. O alvinegro praiano precisa reconhecer que em tempos sombrios, o certo é respirar fundo e se agarrar na pedra mais próxima no desfiladeiro.


Gazeta Press
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Cuca tentou mudar o esquema, colocando Gabriel no banco, mas viu os mesmos problemas de outrora persistirem. O treinador vai ter que tirar um time de onde não tem.


Cuca vai ter que trabalhar muito, assim como a equipe vai precisar ser forte mentalmente e com humildade para perceber que o tempo perdido só se recupera com suor. O improvável deu uma segunda chance ao Peixe em Fortaleza, mas depender exclusivamente dele pode ser a ruína do clube em dezembro.


É hora de reconhecer a situação, juntar os cacos, esquecer o passado e entrar com tudo, seja com o pé, cabeça ou com o peito, como foi agora. Vai ser difícil e cansativo, mas é bom lembrar que foi o próprio clube que procurou isso quando ignorou os sinais de que haviam coisas erradas sendo feitas antes. É bom suar sangue agora, porque está difícil ter esperanças.