Santos: 'Vice de novo!', por favor

Você sabia que a cidade de Santos é dividida por canais? Eles são obras feitas para evitar alagamentos, escoando a água ao mar, mas servem principalmente para demarcar pontos de referência, mais do que os próprios bairros. Eles vão do 1 ao 7 e, como no futebol, tem a utilidade máxima no 1, diminuindo a partir daí.


O canal 1 é o que tem tudo: ponto turístico, lazer, ondas para os surfistas e uma faixa gigantesca de areia. A patir daí, a praia vai diminuindo a cada canal, até se tornar inexistente no canal 7, um canal com pouca movimentação, sem palcos de lazer, sem gente e sem areia, engolida pelo mar, basicamente. Inútil, sendo honesto.


No Campeonato Brasileiro, o campeão leva a taça, a glória completa. Do 2° ao 6° a festa diminui, mas há vaga na Copa Libertadores. O 7° é completamente inútil: nem com essa "festa" de vagas o sétimo colocado chega à principal competição continental.


E adivinha qual a posição máxima do Santos desde 2008? Sétimo. Campeonatos jogados para o canto da história, sem nada marcante, sem vagas alcançadas, sem ter pelo que serem lembrados.


O Santos precisa ser "vice de novo!", como cantam torcidas quando tentam provocar rivais. Por favor.


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Desde 2007, o santista fica de cabeça quente durante o Brasileiro. É hora de celebrar


Defendo que o Santos deva ganhar e torcer, e muito, para que o Flamengo tropece contra o Atlético-PR, o que daria o vice ao clube.


Há quem não queira ser vice para o Palmeiras pelo segundo ano seguido. E esse é, basicamente, o único argumento para quem pensa que o jogo do próximo domingo, contra o América-MG, não tem utilidade.


O primeiro argumento é o financeiro: o vice leva R$ 10,7 milhões; o terceiro, R$ 7,3 milhões. Pode ajudar e muito no planjamento para 2017.


O segundo é esportivo: ser vice em pontos corridos é vencer 18 adversários, não só perder de um. Ainda mais em um time que não chega entre os primeiros há tanto tempo.


O terceiro é teórico: não é melhor ser vice sem perder uma final? Não é mais legal terminar o ano vencendo e conquistando uma posição do que não ligando para o jogo?


Bater o América-MG e, talvez, ser vice, é marcar um Brasileiro de recuperação, de um time que não era para estar tão no alto da tabela. É gravar para sempre um torneio na parte em que ficam as conquistas lembradas com carinho. Ser vice de novo pode ser, sim, muito bacana. Que os rivais cantem a música e que o santista celebre junto. Transforme a "ofensa" em glória.


É escapar de ser engolido pelo mar e se tornar tão esquecido quanto o canal 7. Quem lembra das campanhas de 7° lugar? Exatamente: ninguém.