Santista, não é necessário odiar a derrota para o Barça

"O técnico e Manel Estiarte, seu braço direito, entram então numa discussão sobre quais foram os melhores momentos do Barça nos últimos anos. Para Estiarte, os pontos mais altos foram 'o primeiro tempo contra o Arsenal no Emirates Stadium [31 de março de 2010, 2 a 2] e o primeiro tempo contra o Chelsea em Stamford Bridge nas semifinais da Champions de 2012. Nunca jogamos melhor que naqueles dias'. Guardiola discorda: “A partida contra o Chelsea foi fabulosa, mas acho que jogamos melhor na final do Mundial de Clubes contra o Santos. Aquele foi o nosso auge”.


Getty Images
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Pensei meu Deus que bom que fosse... Tu me dá essa camisa, meu irmão, eu te dava até um doce...


Neste dia 18 de dezembro completam-se cinco anos da acachapante derrota do Santos por 4 a 0 para o Barcelona na final do Mundial de 2011. O santista, usualmente, detesta essa partida. Tem raiva da atuação, dos jogadores, do técnico... E está tudo bem sentir isso. De verdade.


Mas é preciso lembrar que era simplesmente impossível vencer aquele dia. Mesmo com a melhor atuação daquele elenco. Mesmo se o time tivesse, de fato, se preparado nos meses anteriores para aquele momento. Mesmo se o técnico não tivesse improvisado com uma decisão de vestiário. Mesmo se Neymar não estivesse já acertado com o adversário.


Porque aquele Barcelona, um dos melhores times da história, junto com o Santos da década de 1960 (para mim, os dois melhores), teve seu auge exatamente naquele domingo, 18 de dezembro de 2011, no estádio Internacional de Yokohama.


Não sou eu quem diz isso. É o próprio Pep Guardiola, treinador daquele mágico Barça, ao autor Martí Perarnau, no livro "Guardiola Confidencial". Se Guardiola afirma que um dos dois melhores times da história teve seu ápice exatamente naquele jogo, por que ficar com raiva?


Claro, a raiva é um sentimento dos mais prazerosos. Ter em quem descontar uma culpa é um alívio que o corpo e a mente humana agradecem. Mas o fato é: a derrota era óbvia. E está tudo bem. É impossível encarar um gigante em seu auge.


O Santos deu azar de enfrentar o Barcelona naquele dia, e não um ano depois, por exemplo. Acontece. O santista deve seguir em frente. Está tudo bem. Ser vice do mundo significa ter ganhado a América, a Copa, e isso é maravilhoso. Fiquemos com o sentimento bom, que ele é ainda mais prazeroso do que o ódio.